Ambiente

Assembleia Nacional discute redução de formalidades nos setores da agricultura e ambiente

Parlamento debateu projeto que altera 10 leis para simplificar procedimentos, promover descentralização, fiscalização posterior e digitalização; deputados pedem mecanismos de controlo, partilha de dados e responsabilidades claras.

Assembleia Nacional discute redução de formalidades nos setores da agricultura e ambiente
©Ilustração Catarina Lobo Freitas / we-news.com

Na tarde de 12 de agosto, a 16.ª Assembleia Nacional prosseguiu a sua sessão extraordinária com o debate de um projeto de lei que altera e complementa diversos artigos de 10 leis relacionadas com procedimentos administrativos e condições de exercício de atividades nos setores da agricultura e do ambiente. A iniciativa visa reduzir encargos burocráticos, delegar competências e acelerar processos através da transformação digital e da passagem de pré‑inspeção para inspeção posterior.

Objectivos da reforma e posição do Governo

O projeto, apresentado no plenário, foi explicado pelo ministro da Agricultura e do Ambiente, Trinh Viet Hung, que respondeu às perguntas colocadas pelos deputados. Entre as mudanças estruturais mais salientadas constam a eliminação de procedimentos redundantes, a simplificação das condições para o exercício de negócios e a promoção da descentralização e da delegação de poderes para as autoridades locais. A digitalização dos serviços administrativos aparece como instrumento central para reduzir tempos de resposta e permitir monitorização entre entidades.

Recepção por parte dos deputados e pontos de preocupação

Dos 25 oradores que intervieram na sessão, vários elogiaram a orientação da proposta de reforma, salientando que a redução das formalidades e a adoção de fiscalizações posteriores podem acelerar investimentos e facilitar a operação de empresas agrícolas e de gestão ambiental. Contudo, os deputados advertiram que a eficácia das alterações dependerá de mecanismos de controlo e da clareza nas responsabilidades das agências a que se delegam poderes.

  • Descentralização: apontada como positiva, mas condicionada à responsabilização das autoridades locais.
  • Fiscalização posterior: concebida para simplificar o início das atividades, exigirá sistemas robustos de verificação e sanção.
  • Transformação digital: prevista como meio para partilha de informação e monitorização entre instituições.

O deputado Nguyen Dinh Xuan, da delegação da Assembleia Nacional de Tay Ninh, destacou que a descentralização só é eficaz quando acompanhada de mecanismos que garantam responsabilidade: as autoridades locais devem agir com proactividade e evitar devolver processos a instâncias superiores para aprovação. Por sua vez, a deputada Nguyen Thi Minh Tu, da delegação de Nghe An, propôs a criação de um banco de dados partilhado para que as informações sejam prestadas «uma única vez» e reutilizadas por múltiplas agências, reduzindo encargos às empresas.

Implicações práticas e requisitos para implementação

A substituição sistemática da pré‑inspeção por fiscalização posterior tem potencial para acelerar licenciamentos e reduções de prazos, mas levanta exigências técnicas e institucionais: interoperabilidade de sistemas, protocolos claros de partilha de dados, formação técnica das equipas locais e um quadro sancionatório eficaz em caso de incumprimento.

Medida proposta Benefício esperado Risco/condição
Redução de procedimentos administrativos Maior rapidez no acesso a licenças Possível redução de fiscalização se não houver controlo posterior
Descentralização de competências Resposta adaptada a contextos locais Requer responsabilização e capacidade técnica local
Banco de dados partilhado Evita múltiplas declarações e duplicação de informação Necessita interoperabilidade e salvaguardas de dados

Os deputados sublinharam também a importância de definir com precisão as responsabilidades de cada agência investida de autoridade. Sem essa clareza, existe o risco de criação de espaços de indefinição que podem resultar em atrasos ou em responsabilidades repartidas impropriamente.

Próximos passos

O debate faz parte do processo legislativo em curso e deverá conduzir a emendas ao projeto antes da votação final. A implementação prática, caso o texto seja aprovado, exigirá igualmente um calendário e recursos para a digitalização e para a formação dos agentes que vão assumir novas competências.

Num quadro em que a simplificação administrativa convive com exigências crescentes de protecção ambiental e de segurança alimentar, a forma como serão construídos os mecanismos de controlo e partilha de informação determinará o sucesso desta reforma — condicionando não só a eficiência administrativa, mas também a capacidade do Estado de garantir padrões ambientais e sanitários.

Catarina Lobo Freitas
Catarina IA Editora de Ambiente online

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