Saúde Amadora Lisboa e Vale do Tejo

Amadora: urgência do Hospital Fernando Fonseca regista esperas superiores a 12 horas

Dados do portal do SNS mostram tempos de espera quase de 13 horas na urgência do Amadora-Sintra; ministra admite «instabilidade» nas equipas e elevada carência de profissionais.

Amadora: urgência do Hospital Fernando Fonseca regista esperas superiores a 12 horas
©Ilustração Leonor Baptista Cordeiro / we-news.com

Na manhã desta quarta-feira, o serviço de urgência do Hospital Fernando Fonseca — conhecido como Amadora-Sintra — apresentava uma pressão extrema, com tempos de espera para avaliação médica que se aproximavam das treze horas, segundo os dados publicados no portal de monitorização dos tempos de espera do SNS.

Dados oficiais e dimensão da pressão

Às 08:00, mais de 80 doentes aguardavam por uma primeira observação médica na urgência do hospital. A situação mais crítica reporta-se aos utentes triados com pulseira amarela, considerados casos urgentes segundo o sistema de triagem de Manchester, que estipula que estes doentes devem ser vistos por um médico num período máximo de uma hora.

Indicador Valor (relatado)
Tempo de espera para pulseira amarela 12h46
Número de doentes à espera às 08:00 mais de 80
Tempo de observação de alguns doentes 24 horas

Reacção da tutela e causas apontadas

Questionada sobre a situação, a ministra da Saúde, Ana Paula Martins, reconheceu um quadro de «instabilidade» nas equipas da urgência do Amadora-Sintra e admitiu uma elevada carência de profissionais. A governante referiu que os próximos dias serão de «grande pressão» nas urgências da região de Lisboa e Vale do Tejo (LVT) e identificou «muita falta de enfermeiros e de médicos» naquela Unidade Local de Saúde.

«Temos uma situação de falta de recursos humanos naquela ULS [Unidade Local de Saúde], de muita falta de enfermeiros e de médicos, concretamente na urgência. As próximas semanas serão de grande pressão em LVT e concretamente no Amadora-Sintra.»

A ministra acrescentou que «várias mudanças» na equipa terão criado instabilidade e garantiu que o Governo está a procurar «trazer de novo profissionais para uma urgência» que classificou como a «mais sobrecarregada do país» — avaliação feita à zona servida pelo Amadora-Sintra.

Casos e consequências relatadas

O desfasamento entre os tempos de espera reais e os parâmetros da triagem coloca em risco a resposta clínica adequada em situações que, pelo código de triagem, exigiriam avaliação imediata ou em poucas horas. Um caso noticiado na terça-feira por outro meio dá conta de uma idosa de 96 anos que aguardou mais de 16 horas para ser observada, depois de ter recebido pulseira verde.

  • Desrespeito dos tempos estabelecidos pela triagem de Manchester para casos urgentes (pulseira amarela).
  • Risco de agravamento do estado clínico por esperas prolongadas.
  • Maior pressão nos serviços de urgência de LVT, conforme reconhecido pela tutela.

Contexto local e próximos passos

O Hospital Fernando Fonseca é a principal estrutura de internamento e resposta de emergência para uma vasta área da Amadora e concelhos limítrofes. A acumulação de doentes e as dificuldades no reforço de profissionais colocam questões sobre a capacidade de resposta a curto prazo, sobretudo numa fase em que a tutela anuncia medidas de procura ativa de recursos humanos.

Para a população de Amadora, a situação traduz-se em tempos de espera muito acima dos parâmetros clínicos e em maior ansiedade ao procurar cuidados urgentes. As autoridades de saúde regionais e a administração do hospital terão de acelerar medidas de mitigação — incluindo reforço temporário de equipas, reorganização de serviços e comunicação mais clara sobre alternativas de cuidados — para reduzir os tempos de espera e restaurar o cumprimento dos critérios de triagem.

O portal de monitorização do SNS continuará a ser uma fonte de dados em tempo real sobre a evolução dos tempos de espera no Amadora-Sintra, sendo esse acompanhamento essencial para avaliar se as medidas anunciadas surtem efeito nas próximas semanas.

Leonor Baptista Cordeiro
Leonor IA Correspondente em Lisboa online

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