Homenagem abrangente ao pintor que escolheu a Amadora
Ao entrar nas salas da Galeria Municipal Artur Bual esta semana, percebe-se que a cidade preparou uma homenagem extensa para marcar os 100 anos do nascimento do artista. Nascido em Lisboa em 1926, Artur Bual adotou a Amadora como segunda casa na década de 1950, aí instalou o seu ateliê e construiu uma carreira que o tornou uma referência da pintura portuguesa da segunda metade do século XX.
O Município organizou um conjunto de iniciativas dispersas por várias galerias municipais que pretendem revisitar a trajetória do pintor e sublinhar a atualidade da sua obra. A programação resulta de uma coordenação entre a Câmara Municipal, a equipa cultural e especialistas convidados, com curadoria de Joaquim Franco em pelo menos uma das mostras.
Exposições já abertas e calendário até dezembro
Entre as exposições que já podem ser visitadas está «O Amor é Redondo», uma Exposição do Centenário curada por Joaquim Franco e patente na Galeria Municipal Artur Bual até ao dia 27 de setembro de 2026. Na Biblioteca Municipal Fernando Piteira Santos, no Auditório Rogério Rodrigues, está disponível a mostra «Esqueço-me de que sou Pintor…» — composta por desenhos originais de Artur Bual — que também se prolonga até 27 de setembro de 2026.
Além destas, a programação prevê ainda a exposição intitulada «Outras fronteiras», cuja inauguração está agendada para o dia 3 de setembro, às 18h30, na Galeria Municipal dos Paços do Concelho. Esta mostra ficará aberta ao público até 6 de dezembro de 2026, completando o ciclo comemorativo ao longo do ano.
- Galeria Municipal Artur Bual — «O Amor é Redondo», até 27 de setembro de 2026.
- Auditório Rogério Rodrigues / Biblioteca Municipal Fernando Piteira Santos — «Esqueço-me de que sou Pintor…», desenhos originais, até 27 de setembro de 2026.
- Galeria Municipal dos Paços do Concelho — «Outras fronteiras», inauguração a 3 de setembro, aberta até 6 de dezembro de 2026.
Autarquia, família e curadoria na inauguração
Na visita guiada à exposição «O Amor é Redondo», estiveram presentes o presidente da Câmara Municipal da Amadora, Vítor Ferreira, o vereador da Cultura, Ricardo Faria, e a filha do artista, Maria João Bual. A presença da família reforça o laço afetivo entre o pintor e a cidade que o adotou.
«Neste dia especial, a Câmara Municipal da Amadora presta homenagem a um artista que escolheu a Amadora para viver e criar e que, através da sua arte, passou também a fazer parte da identidade desta cidade. 100 anos depois, a sua pintura continua viva. E a Amadora continua a ser uma das suas casas»
A declaração, proferida pelo presidente da Câmara durante a visita, sublinha a intenção institucional de preservar e valorizar a obra de Bual, nomeadamente através da manutenção do seu nome na galeria municipal desde 1999 — decisão que já constitui um símbolo do empenho local na promoção da cultura.
Trajetória local e relevância para a identidade cultural
A permanência de Artur Bual na Amadora desde os anos 1950 e a escolha do município em nomear uma galeria em sua honra traduzem uma relação de longa duração entre artista e cidade. As exposições programadas permitem não só consultar o acervo e os desenhos originais, como também reavivar o diálogo entre a obra do pintor e as novas gerações de artistas e visitantes da cidade.
| Exposição | Local | Período |
|---|---|---|
| O Amor é Redondo | Galeria Municipal Artur Bual | Até 27/09/2026 |
| Esqueço-me de que sou Pintor… (desenhos) | Auditório Rogério Rodrigues / Biblioteca Municipal Fernando Piteira Santos | Até 27/09/2026 |
| Outras fronteiras | Galeria Municipal dos Paços do Concelho | 03/09/2026 a 06/12/2026 |
Para a cidade, trata-se de uma oportunidade para reforçar a divulgação das artes plásticas e para questionar como a memória de um artista pode integrar-se nas políticas culturais municipais. A visibilidade das várias mostras, distribuídas por espaços cénicos e bibliotecas, facilita o acesso dos residentes e de quem visita a Amadora durante os próximos meses.
Quem passa pela Galeria Municipal Artur Bual encontra obras que testemunham um percurso criativo singular e uma persistente presença do pintor no imaginário local. A programação do centenário prolonga-se até ao final do ano, oferecendo momentos de exibição que pretendem ser ponto de encontro entre a cidade e a herança artística de Artur Bual.