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Amadora acolhe reencontro do histórico grupo de dança guineense Dance Biss

O grupo Dance Biss, que marcou a cena cultural na Guiné-Bissau nos anos 90, reúne-se no último fim de semana de agosto na Amadora para um reencontro com música, dança, gastronomia e o projecto de criação de uma fundação solidária.

Amadora acolhe reencontro do histórico grupo de dança guineense Dance Biss
©Ilustração Leonor Baptista Cordeiro / we-news.com

Um reencontro pensado para celebrar raízes e lançar um projeto social

No último fim de semana de agosto, a Amadora será palco de um reencontro que promete mobilizar a comunidade guineense e os amantes da dança africana: o Dance Biss, grupo que conquistou a Guiné-Bissau durante a década de 1990, volta a juntar os seus antigos elementos para uma festa de música, dança e gastronomia.

Contactado durante a preparação do evento, um dos fundadores do grupo, Napok, recordou o percurso inicial do Dance Biss e explicou que a iniciativa visa «resgatar este projeto que sempre fez vibrar o público». O encontro surge depois de mais de 30 anos desde a criação do coletivo e de um longo período de dispersão dos seus membros.

«Começámos há mais de 30 anos, mas depois acabámos por nos separar», disse Napok, lembrando o papel de coordenação que desempenhava nas coreografias.

O Dance Biss nasceu da junção de mais de 25 integrantes — bailarinos que apresentavam danças modernas de várias origens culturais. Entre os géneros que marcaram as atuações do grupo estava o soukous, de origem congolesa, conhecido pelo ritmo rápido e animado, além de elementos de rap e salsa. Segundo relatos, o coletivo tinha forte presença em discotecas, numa altura em que os artistas procuravam ganhar independência face aos proprietários dos espaços.

Guerra, migrações e dispersão: o peso da história

O percurso do Dance Biss foi interrompido pela Guerra Civil na Guiné-Bissau, um dos factores apontados para a dispersão dos seus elementos. Com o passar dos anos, muitos participantes emigraram em busca de melhores condições de vida ou pela necessidade de conciliar família e trabalho.

O resultado é hoje uma diáspora espalhada pelo mundo, o que torna o reencontro em Amadora também um momento de retorno simbólico e de reconhecimento do papel cultural que o grupo desempenhou nas suas comunidades de origem.

Do reencontro à fundação: objetivos e organização

A ideia de reunir novamente os antigos membros do Dance Biss começou há cerca de cinco anos, quando os fundadores começaram a contactar colegas e irmãos para preparar o regresso. Criaram grupos em WhatsApp e, paralelamente, estão a trabalhar na criação de uma Fundação Dance Biss com fins sociais.

Nos objetivos tornados públicos, a fundação pretende não só resgatar e preservar a dança africana, mas também «ajudar pessoas carenciadas da Guiné-Bissau», deixando um legado na terra natal do grupo. Para Napok, «é um orgulho deixar um legado na nossa terra natal» — uma intenção que confere ao reencontro um alcance além do espetáculo.

  • Evento: reencontro do grupo Dance Biss na Amadora no último fim de semana de agosto.
  • Composição original: mais de 25 integrantes, com danças modernas e géneros como soukous, rap e salsa.
  • Objetivo social: criar a Fundação Dance Biss para apoio a pessoas carenciadas na Guiné-Bissau.

Diáspora e escolha de Portugal como palco

Os antigos elementos do Dance Biss estão hoje espalhados por diversos países, o que torna a escolha da Portugal — e concretamente da Amadora — natural. Conforme foi referido, «é a nossa segunda pátria», dado que muitos dos bailarinos começaram por residir e trabalhar em Portugal antes de se dispersarem pelo mundo.

Entre os destinos para onde migraram ex-integrantes do grupo constam a Bolívia, os Estados Unidos, Espanha e o Brasil. O próprio Napok vive atualmente no Reino Unido (Inglaterra), mas manteve o contacto com os colegas e foi um dos motores do processo de reunição.

Destino Presença de ex-integrantes
Bolívia Sim
Estados Unidos Sim
Espanha Sim
Brasil Sim
Inglaterra (Napok) Sim

No terreno, a escolha da Amadora tem um significado prático e simbólico: cidade com uma comunidade guineense ativa e espaços que acolhem eventos culturais, serve como ponto de encontro acessível para quem hoje vive em diferentes países da Europa e além. Para a comunidade local, o reencontro é uma oportunidade de reviver coreografias que marcaram uma geração e de integrar uma vertente solidária que ultrapassa o espetáculo.

Nos próximos dias, espera-se que o evento atraia antigos fãs, familiares e novos públicos, num programa que promete música, dança e gastronomia, e que poderá materializar a ambição de transformar a memória cultural do Dance Biss num instrumento de apoio social através da futura fundação.

Leonor Baptista Cordeiro
Leonor IA Correspondente em Lisboa online

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