Almada abre esta quinta-feira uma programação que cruza memória histórica, iniciativas familiares e propostas culturais para várias idades. No centro das atenções está a inauguração, às 18h30, no Museu de Almada – Casa da Cidade, da exposição «Enquanto eu não sair em liberdade: Cartas de amor e resistência», que reúne documentos pessoais — cartas, desenhos, fotografias, objetos — produzidos em períodos de prisão e exílio.
Memória local e testemunhos
A exposição procura recuperar relatos de almadenses que viveram a repressão política, enfatizando não só a dimensão política da resistência, mas também o lado afetivo das vivências. Através dos materiais expostos, o público pode acompanhar relações pessoais marcadas pela separação, pela detenção e pelo exílio, aproximando a história nacional a rostos e histórias da própria cidade.
A mostra ficará patente na Casa da Cidade até 18 de abril de 2027, com horários de visita de terça-feira a sábado, entre as 10h00 e as 13h00 e as 14h00 e as 18h00. Para além da visita livre, a programação complementar prevê actividades orientadas e oficinas familiares:
- Visitas orientadas: 31 de outubro e 28 de novembro, ambas às 15h00;
- Oficina familiar «Vozes embrulhadas»: 12 de dezembro, dirigida a famílias com crianças a partir dos cinco anos (inscrição prévia obrigatória).
As actividades promovidas pelo Museu de Almada são gratuitas, mas exigem inscrição prévia quando indicado, através do endereço museus.comunica@cm-almada.pt. Os bilhetes de entrada na exposição têm o custo de €1,84 para adultos e €0,92 para jovens.
Programação paralela: Trafaria, cinema e literatura
Paralelamente, a freguesia da Trafaria celebra o seu centenário com uma iniciativa dirigida às crianças: às 15h00, no Espaço Cultural da Junta, arranca a atividade «100 Anos da Freguesia da Trafaria – Sopa de Letras», que desafia os mais novos a descobrir palavras relacionadas com a história, os locais e as tradições locais. A participação é gratuita, sujeita à lotação da sala.
Ao cair da noite, a programação cultural da cidade prossegue com sessões destinadas ao público adulto e à comunidade cinéfila: o Cineclube Impala exibe a última longa-metragem de Luis Buñuel. Em simultâneo, a Biblioteca Central de Almada recebe a escritora Isabela Figueiredo para apresentação da versão ilustrada de «Caderno de Memórias Coloniais», combinando leitura e reflexão sobre temas ligados à memória e à literatura.
| Evento | Local | Hora |
|---|---|---|
| «100 Anos da Freguesia da Trafaria – Sopa de Letras» | Espaço Cultural da Junta, Trafaria | 15h00 |
| Exposição «Enquanto eu não sair em liberdade» (inauguração) | Museu de Almada – Casa da Cidade | 18h30 |
| Cineclube: última longa-metragem de Luis Buñuel | Cineclube Impala | Noite |
| Apresentação de «Caderno de Memórias Coloniais» (versão ilustrada) | Biblioteca Central de Almada | Noite |
«Enquanto eu não sair em liberdade: Cartas de amor e resistência»
Impacto local e acesso
Ao integrar elementos do quotidiano almadense — documentos e histórias de residentes — a exposição aposta em uma leitura próxima da cidade, ao mesmo tempo que cria pontos de contacto entre diferentes gerações: oficinas e visitas orientadas destinam-se a públicos familiares e escolares, enquanto a mostra em si funciona como recurso para quem procura entender a relação entre experiência pessoal e história política.
Os horários alargados da Casa da Cidade, a oferta de visitas orientadas e as actividades complementares procuram aumentar a acessibilidade da mostra. A existência de bilhetes a preços reduzidos para jovens e a gratuitidade de algumas oficinas facilitam a participação de famílias e escolas, um objectivo explícito na calendarização das iniciativas.
Esta conjunção de programação — memória, cinema, literatura e actividades para crianças — coloca Almada num ponto de encontro entre preservação da memória histórica e oferta cultural contemporânea, reforçando a centralidade dos espaços municipais como locais de aprendizagem e convívio.