Almada assegura que a realização do festival O Sol da Caparica não vai comprometer o abastecimento público de água da cidade, apesar das preocupações levantadas por alguns eleitos locais. Em declarações à TSF, a presidente da Câmara Municipal, Inês de Medeiros, sublinhou que as reservas de água estão «perto dos 80%» e que o consumo adicional previsto para os quatro dias do evento é baixo.
Reservas e consumo: números e intenção do executivo
A autarca explicou que o sistema de abastecimento se encontra num processo de estabilização e que o objetivo do município é atingir uma reserva consolidada de 80%. No entanto, advertiu que essa meta ainda não está completamente alcançada. Quanto ao impacto direto do festival, a Câmara estima um consumo de cerca de 700 metros cúbicos ao longo dos quatro dias — um volume que, segundo Inês de Medeiros, não ameaça o esforço de recuperação dos níveis de água.
- Reservas de água: «perto dos 80%» (objetivo municipal: 80%).
- Consumo previsto do festival: aproximadamente 700 m3 durante quatro dias.
- Decisão política: Assembleia Municipal recusou proposta de adiamento apresentada pelo Chega.
Os argumentos da Câmara tiveram eco na Assembleia Municipal, que rejeitou uma moção que pedia o adiamento do festival. Os eleitos do Chega defendiam que não deveriam ser desviados meios técnicos para a iniciativa até que o abastecimento estivesse estabilizado a 100% — posição que não foi acolhida pela maioria dos vereadores.
«O sistema está mais ou menos estabilizado, ou seja, ainda não chegámos de forma consolidada aos 80% de reserva - e esse é o nosso objetivo -, mas é nesse sentido que continuamos a trabalhar e que temos de continuar vigilantes», afirmou a presidente da Câmara.
Reacções e contexto local
A posição da autarquia também incluiu críticas à iniciativa política do partido Chega. Inês de Medeiros considerou que a proposta de adiamento não tinha fundamentação suficiente e acusou o partido de criar «medos e apreensões» sem ater-se à realidade dos números. A recusa da moção na Assembleia demonstra, na prática, que a maioria entendeu ser possível manter o festival sem pôr em risco o serviço público.
No terreno, responsáveis pela organização do festival e serviços municipais terão coordenado medidas para minimizar o consumo adicional de água durante os dias do evento. A autarquia refere que o consumo associável a festivais deste tipo tende a ser reduzido quando comparado com consumos domésticos e industriais, sobretudo se forem implementadas práticas de gestão e equipamentos eficientes.
| Indicador | Valor referido |
|---|---|
| Reservas de água | Perto dos 80% |
| Consumo estimado (festival, 4 dias) | 700 m3 |
Para os residentes, a confirmação da Câmara traz algum alívio, mas mantém a necessidade de continuar vigilantes e de cumprir eventuais restrições ou recomendações que possam permanecer em vigor. O diálogo entre responsáveis políticos, técnicos municipais e a população será determinante nos próximos dias para que a normalidade no abastecimento se mantenha.
O festival arranca esta quinta-feira e prolonga-se até domingo, num período em que os serviços municipais dizem estar a monitorizar continuamente os níveis de água e a capacidade de resposta, sem prever perturbações significativas no fornecimento.
Apesar das garantias, a debate político gerado em torno da realização do evento sublinha uma sensibilidade crescente entre eleitos e cidadãos relativamente à gestão de recursos hídricos, numa altura em que recuperar reservas e assegurar a resiliência do sistema são prioridades para o concelho.