A Câmara Municipal de Almada anunciou a criação das Zonas 22º, uma rede municipal de espaços de abrigo climático destinados a mitigar os efeitos do calor extremo. A iniciativa estabelece locais de proximidade — interiores e exteriores — concebidos para oferecer condições de conforto térmico durante os períodos mais críticos de calor, com especial enfoque nas populações mais vulneráveis.
O que são as Zonas 22º
As Zonas 22º designam-se assim por aludir à temperatura de conforto térmico considerada ideal para o ser humano em contexto interior — em geral situada entre os 21 ºC e os 23 ºC. A Câmara explica que os 22 ºC correspondem a um patamar em que não é necessário aquecimento ou arrefecimento intensivo, promovendo «segurança, bem-estar e estabilidade» para quem permanece nesses espaços.
Espaços e recursos disponíveis
A rede integra tanto espaços interiores como exteriores. Entre os locais interiores incluem-se bibliotecas, equipamentos desportivos e escolas que disponham de boas condições de ventilação ou climatização, bem como acesso a água e instalações sanitárias. Nos espaços exteriores privilegiam-se parques, jardins e praças com vegetação, sombra, presença de água e mobiliário urbano para permanência.
- Função: proporcionar locais seguros e termicamente confortáveis durante ondas de calor;
- Destinatários: toda a população, com atenção especial a idosos, crianças, pessoas com doenças crónicas, grávidas e famílias em situação de pobreza energética;
- Serviços: água fresca, instalações sanitárias e áreas de permanência; nalguns locais, acesso a livros.
«Zonas 22º», assim chamadas por remeterem para a temperatura de conforto térmico ideal
Activação e coordenação operacional
A activação da rede assenta num modelo operacional articulado com os avisos meteorológicos emitidos pelo IPMA e transmitidos ao Serviço de Proteção Civil municipal. A Câmara refere que este dispositivo permite garantir uma resposta «atempada, coordenada e proporcional à severidade» dos fenómenos de calor.
O modelo aponta para uma articulação entre o monitoramento meteorológico e a abertura ou reforço do funcionamento dos espaços identificados como Zonas 22º, garantindo também meios mínimos para que as pessoas possam hidratar-se e recuperar do stress térmico.
Benefícios esperados e limitações
Ao disponibilizar pontos de abrigo de proximidade, a rede pretende reduzir a exposição direta ao calor, diminuir episódios de desidratação e síncopes térmicas e apoiar quem não dispõe de climatização adequada em casa. A iniciativa reflete uma estratégia municipal de adaptação às ondas de calor, que têm vindo a aumentar em frequência e intensidade.
| Tipo de Zona | Exemplos | Serviços |
|---|---|---|
| Interior | Bibliotecas, equipamentos desportivos, escolas | Ventilação/climatização, água, sanitários |
| Exterior | Parques, jardins, praças | Sombra, vegetação, mobiliário, pontos de água |
Tratando‑se de um programa municipal, a eficácia das Zonas 22º depende da identificação clara dos locais, da comunicação eficiente à população e da capacidade logística para abrir e manter os pontos quando os avisos do IPMA o recomendarem. A mesma dependência se aplica à coordenação com serviços sociais e de saúde para dar atenção específica a grupos de risco.
Implicações locais
Para Almada, a criação desta rede insere‑se numa abordagem mais ampla de preparação e resposta a riscos meteorológicos, reforçando a infraestrutura social durante os meses de calor. A existência de locais com condições de conforto térmico pode também aliviar pressões sobre serviços de emergência e unidades de saúde se conseguirem reduzir internamentos relacionados com exposições térmicas.
A Câmara Municipal divulgou que os espaços cumprem requisitos mínimos de ventilação, acesso a água e sanitários; nalguns haverá ainda livros disponíveis, o que pode incentivar a permanência e o usufruto cultural em segurança térmica. A operacionalização prática — nomeadamente a lista concreta de locais, horários e pontos de contacto — deverá ser comunicada pela autarquia em seguimento dos avisos meteorológicos e do plano operacional da Proteção Civil.
Em termos práticos, as Zonas 22º configuram uma medida de adaptação climática de proximidade que pretende proteger as populações mais expostas aos efeitos do calor extremo e promover comportamentos de autoproteção, sem substituir outras medidas de longo prazo necessárias para mitigar os impactos térmicos na cidade.