O Museu de Almada – Casa da Cidade inaugura a 1 de outubro a exposição «O Tempo dos Mortos – O Sagrado na Gruta de S. Paulo. Almada, 3000-2000 a.C.», que recupera e interpreta o conjunto arqueológico conhecido como Gruta Artificial de S. Paulo II, localizado no antigo Convento de São Paulo. A mostra ficará patente até 18 de abril de 2027.
A abertura está marcada para as 18h30, na Casa da Cidade. A iniciativa centra-se num monumento funerário pré‑histórico que, segundo a Câmara Municipal de Almada, funcionou durante cerca de mil anos e acolheu mais de duzentos sepultamentos. A exposição apresenta os vestígios materiais recuperados no local, entre os quais objetos de uso quotidiano, peças de carácter simbólico e diversos exemplares de cerâmica.
Leitura das práticas funerárias
Para além da exposição física dos materiais, a mostra propõe uma leitura das práticas e dos gestos associados aos rituais funerários dessas comunidades pré-históricas. Entre os temas abordados estão as crenças ligadas à fertilidade, o culto dos antepassados e a referência a uma divindade feminina, sublinhando uma visão da morte enquanto rito de passagem e não apenas como fim.
«Um dos mais notáveis conjuntos arqueológicos da Idade do Cobre no Ocidente peninsular», descreve o Município.
O programa associado à exposição inclui actividades destinadas a públicos diversos. Logo a 3 de outubro está prevista a conferência «A Gruta Artificial de S. Paulo II e sua utilização funerária pré-histórica», às 15h, na Casa da Cidade. A sessão será conduzida por João Luís Cardoso, professor catedrático e autor do estudo monográfico recentemente publicado sobre a gruta. A conferência tem uma duração aproximada de 90 minutos e é gratuita, mediante inscrição prévia por correio electrónico (museus.comunica@cm-almada.pt).
Visitas orientadas e calendário
Estão também previstas visitas orientadas à exposição, gratuitas mas com inscrição obrigatória. As duas sessões já anunciadas decorrerão na Casa da Cidade nas seguintes datas:
- 21 de novembro, às 11h — primeira visita orientada;
- 20 de fevereiro de 2027, às 11h — segunda visita orientada.
Além das actividades agendadas, a exposição busca contextualizar arqueologicamente os achados, explicando como as comunidades locais organizaram espaços funerários e quais os objectos que acompanharam os mortos. A presença de peças de uso diário ao lado de objetos simbólicos permite ao visitante compreender as múltiplas dimensões — técnica, social e religiosa — presentes nesses rituais.
Implicações locais e educativas
Para Almada, a mostra reforça o papel do museu municipal como pólo de preservação da memória e de difusão científica local. A programação com conferência académica e visitas orientadas sugere uma aposta na articulação entre investigação e público, oferecendo à comunidade oportunidades de contacto directo com a investigação sobre o território. Estes projectos contribuem também para a valorização do património arqueológico local e podem atrair escolas, investigadores e visitantes interessados na pré‑história da região.
| Evento | Data | Hora |
|---|---|---|
| Inauguração da exposição | 1 de outubro de 2026 | 18h30 |
| Conferência de apresentação | 3 de outubro de 2026 | 15h00 |
| Visita orientada 1 | 21 de novembro de 2026 | 11h00 |
| Visita orientada 2 | 20 de fevereiro de 2027 | 11h00 |
As inscrições para a conferência e para as visitas são gratuitas, mas obrigam a inscrição prévia através do endereço de e‑mail museus.comunica@cm-almada.pt, indicado pela autarquia. Até ao final da mostra, prevista para abril de 2027, o Museu de Almada — Casa da Cidade disponibilizará esta leitura sobre um período que cobre, cronologicamente, o intervalo entre 3000 e 2000 a.C., permitindo aos visitantes da cidade uma visão aprofundada sobre as práticas funerárias locais há cerca de cinco mil anos.
Ao colocar no centro da cidade um tema que combina investigação arqueológica e interpretação pública, a Câmara Municipal de Almada pretende não só preservar o acervo encontrado na Gruta de S. Paulo, mas também fomentar o conhecimento crítico sobre as origens e as vivências das populações que habitaram este território.