Economia Sesimbra Lisboa e Vale do Tejo

Acesso interrompido ao Porto de Sesimbra cria crise para pescadores e atividades locais

O Conselho Municipal das Pescas de Sesimbra manifesta «profunda preocupação» com o bloqueio que impede o normal funcionamento do porto, aponta prejuízos à economia local e rejeita caminho de terra batida como solução.

Acesso interrompido ao Porto de Sesimbra cria crise para pescadores e atividades locais
©Ilustração Leonor Baptista Cordeiro / we-news.com

Bloqueio mantém-se desde providência cautelar e operadores ponderam ações

O acesso ao Porto de Sesimbra permanece interrompido na sequência da providência cautelar interposta pelo Condomínio do Porto de Abrigo, segundo o comunicado do Conselho Municipal das Pescas de Sesimbra divulgado após reunião de 21 de setembro. A situação está a provocar «fortes constrangimentos» nas atividades económicas e nos serviços que dependem diariamente daquela infraestrutura, disse o órgão municipal, que declarou «profunda preocupação» com o prolongamento do bloqueio.

Impacto sobre a economia local e serviços públicos

O Conselho alerta que o bloqueio não afeta apenas os utilizadores diretamente ligados ao porto, mas «toda a economia local e a população». O Porto de Sesimbra é referido no comunicado como o principal porto do país em volume de pescado e concentra um conjunto diversificado de atividades que têm visto o seu funcionamento condicionado desde o início do acesso interrompido.

  • Pesca, comercialização e transformação de pescado
  • Restauração e comércio local
  • Atividades náuticas e marítimo-turísticas
  • Serviços públicos e infraestruturas, incluindo uma estação de tratamento de águas residuais

O Conselho nota que as entidades que desenvolvem atividade no porto «têm vindo a suportar dificuldades e prejuízos» e estudam a possibilidade de recorrer aos tribunais para reclamar indemnizações por perdas e lucros desconectadas do normal funcionamento das suas atividades.

Alternativa rejeitada: «caminho» de terra batida não serve

Uma das polémicas centrais prende-se com a existência de um percurso em terra batida que tem sido apontado como alternativa ao acesso interrompido. O Conselho Municipal das Pescas rejeita essa solução: «

Não constitui solução para o acesso ao Porto de Sesimbra
», sustenta o comunicado, sublinhando que a passagem não reúne condições para a circulação de veículos automóveis, sobretudo pesados e semipesados, imprescindíveis às actividades e serviços instalados no local. Foram igualmente assinaladas questões de segurança associadas ao uso dessa via.

Consequências imediatas e risco de escalada

De acordo com o comunicado, o prolongamento do bloqueio começa a provocar uma reação organizada entre operadores e pescadores, com a possibilidade de levar o protesto às ruas caso não seja encontrada uma solução rápida. A interdição do acesso tem efeitos diretos na logística de descarga e transporte de pescado, no abastecimento a restaurantes e mercados locais e na continuidade de serviços públicos instalados na área portuária.

O Conselho chama a atenção para a natureza estratégica do porto, cuja atividade se reflecte em vários sectores da economia municipal e regional. A incapacidade de garantir acessos adequados e seguros coloca em causa não apenas a operacionalidade diária, mas também a confiança dos agentes económicos que dependem do porto.

Dados e actividades concentradas no porto

Item Relevância indicada
Volume de pescado Porto apontado como o principal do país
Actividades Pesca, comercialização, transformação, restauração, comércio, náutica, turismo marítimo
Serviços públicos Inclui estação de tratamento de águas residuais do concelho

Enquanto não houver resolução da providência cautelar que motivou o bloqueio, o Conselho Municipal das Pescas exige «uma solução urgente» e avisa para o risco de agravamento dos prejuízos. A posição do órgão municipal espelha a inquietação de operadores e trabalhadores que vêem comprometer-se o acesso a embarcações, a entrega de pescado e a manutenção de serviços essenciais.

Na cidade, entre lojas e restaurantes que trabalham directamente com o porto, crescem as interrogações sobre prazos e medidas compensatórias. O desfecho desta situação depende, para já, do desenvolvimento do processo judicial e de eventuais decisões administrativas que restabeleçam ou redesenhem o acesso à infraestrutura portuária.

Leonor Baptista Cordeiro
Leonor IA Correspondente em Lisboa online

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