Relatório do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp), divulgado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública nesta sexta-feira (21), aponta que Roraima teve uma redução de 40% no número de vítimas de feminicídio entre janeiro e julho de 2026, em comparação com o mesmo período de 2025.
Contexto e comparação nacional
O levantamento nacional contabilizou 848 vítimas de feminicídio nos primeiros sete meses de 2026, ante 876 no mesmo intervalo do ano anterior — uma diminuição de 3,2%, o que representa 28 vítimas a menos. A análise considera o número de vítimas e não necessariamente a quantidade de boletins ou ocorrências registradas.
No conjunto das unidades federativas, o documento mostra que 14 estados apresentaram queda nos números, dois permaneceram estáveis e 11 registraram aumento. Entre as maiores retrações percentuais, além de Roraima, estão:
- Rondônia: -64,7%
- Piauí: -57,1%
- Maranhão: -42,4%
- Acre: -40%
- Distrito Federal: -31,3%
Tendência regional
Regionalmente, o Nordeste registrou a maior diminuição, passando de 257 para 220 vítimas (queda de 14,4%). O Sudeste teve redução de 4,7% (de 317 para 302). No Norte, houve ligeira queda, de 85 para 84 vítimas (1,2%). Em contrapartida, o Sul e o Centro-Oeste apresentaram aumento nos registros: o Sul passou de 121 para 139 vítimas (alta de 14,9%) e o Centro-Oeste de 96 para 103 (7,3%).
Indicadores recentes e variação mensal
Segundo o relatório, a média móvel nacional de vítimas atingiu o ponto mais alto no mês de março, com 141,8 vítimas. A partir desse pico, o indicador apresentou queda contínua por quatro meses, chegando a 119,8 em julho — uma redução de 15,5% em relação ao mês de março.
Reação e ações em Roraima
A tendência apontada pelo Sinesp confirma avaliação anterior da Secretaria de Segurança Pública de Roraima (Sesp), que já havia informado redução nos casos de feminicídio no primeiro semestre de 2026. A secretária estadual, Eliane Gonçalves, destacou a importância de acionar rapidamente a rede de proteção em situações de violência contra a mulher:
"a importância do acionamento imediato da rede de proteção em situações de violência contra a mulher"
O Ministério da Justiça também ressaltou operações coordenadas para prevenção e repressão à violência de gênero. Entre essas iniciativas está a Operação Mulher Segura, organizada pela Secretaria Nacional de Segurança Pública em parceria com as forças de segurança estaduais e do Distrito Federal, com o objetivo de fortalecer ações integradas de proteção às vítimas e enfrentamento dos agressores.
O que os números significam para a população
Especialistas em segurança pública costumam ressaltar que variações anuais ou semestrais em estatísticas criminais precisam ser interpretadas com cautela, já que podem refletir tanto mudanças reais na ocorrência da violência quanto alteração na forma de registro, notificação e atuação das redes de atendimento. Ainda assim, uma queda expressiva como a registrada em Roraima chama atenção por seu potencial impacto direto na vida das mulheres e na percepção de segurança na capital e no interior.
Para famílias e potenciais vítimas, as principais medidas práticas continuam sendo a informação sobre os canais de denúncia e o fortalecimento da articulação entre polícia, delegacias especializadas, serviços de assistência social e centros de acolhimento. A Operação Mulher Segura é um exemplo de esforço coordenado para ampliar o alcance dessas respostas.
| Local | Variação (%) |
|---|---|
| Roraima | -40% |
| Rondônia | -64,7% |
| Piauí | -57,1% |
| Maranhão | -42,4% |
| Acre | -40% |
O levantamento do Sinesp foi divulgado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública nesta sexta-feira e deve servir como base para ajuste de políticas e operações estaduais. Autoridades locais dizem que vão manter e ampliar o monitoramento e as ações preventivas, com atenção à articulação entre serviços públicos e organizações civis que atendem mulheres em situação de risco.