Sociedade Rio Branco Acre (AC)

Pais de Rio Branco acorrentam filho em crise por falta de tratamento adequado, dizem familiares

Um casal de Rio Branco afirma ter recorrido à contenção física para proteger o filho durante episódios de agitação associados ao uso de drogas. Família relata longas tentativas de diagnóstico e cuidados em unidades de saúde sem solução definitiva.

Pais de Rio Branco acorrentam filho em crise por falta de tratamento adequado, dizem familiares
©Ilustração IA Luana Conceição Andrade / we-news.com

Um casal residente em Rio Branco, no Acre, afirma ter utilizado uma corrente presa a uma estrutura na parede para conter o próprio filho durante episódios de agitação relacionados ao uso de drogas. O caso, relatado pelos pais, expõe lacunas no acesso a diagnóstico e tratamento especializado para transtornos psiquiátricos associados ao abuso de substâncias.

Histórico do caso

Segundo os familiares, as mudanças de comportamento teriam começado em 2014 e se intensificado a partir de 2022. O filho, identificado como Ruan Zenilto Soares Amorim, 32 anos, deixou o trabalho como roçador e passou a apresentar episódios de agressividade, inquietação e comportamentos de risco durante períodos de abstinência.

Em julho deste ano, Ruan foi atendido em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) e o prontuário do atendimento médico descreveu o quadro como

"psicose induzida pelo abuso de cocaína, maconha e crack"
. Ele permaneceu internado na unidade entre os dias 22 e 27 de julho.

Medida extrema e motivos alegados pelos pais

Os pais, identificados como Raimundo Nonato de Oliveira Amorim, 56 anos, e Zeneide da Cruz Soares, 48 anos, relatam que a corrente foi usada para evitar que o filho saísse em momentos de agitação em busca de drogas ou se colocasse em situação de risco. A família afirma que, nas crises, Ruan quebrou objetos, apresentava fala desconexa e agressividade.

Os pais dizem ainda ter escondido facas, terçados e outros utensílios cortantes da casa para reduzir a probabilidade de acidentes ou agressões. Relataram também que Ruan, em 2016, foi alvo de uma tentativa de homicídio na qual foi baleado, fato que intensificou o receio de expô-lo às ruas durante crises.

Busca por diagnóstico e atendimento

De acordo com os familiares, Ruan já passou por atendimentos em Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), UPAs e hospitais, porém a família afirma não ter obtido um diagnóstico definitivo nem acesso ao tratamento que considera necessário. Eles pedem apoio para institucionalizar ou viabilizar tratamento mais efetivo.

A Secretaria de Saúde do Acre orientou, em relação a casos como esse, que a investigação diagnóstica deve começar em uma unidade básica de saúde, incluindo avaliação clínica e posterior encaminhamento para atendimento psiquiátrico especializado. Em situações de crise, a recomendação oficial é procurar os serviços de urgência.

Aspectos legais e de proteção

O uso de contenção mecânica por familiares, mesmo motivado por temor à segurança, levanta questões sobre proteção dos direitos e a necessidade de intervenções técnicas. O relato indica que a medida foi adotada por ansiedade diante do risco, e não como solução terapêutica permanente: após uma das internações, a família relata que Ruan ficou acorrentado por três dias e foi liberado quando houve piora do quadro.

O que a família busca

Os pais afirmam que a intenção não é punir, mas proteger o filho e a si mesmos. Reclamam da dificuldade para conseguir um diagnóstico consolidado e o tratamento adequado, e apelam por maior oferta de serviços especializados e por encaminhamentos eficazes a partir da atenção básica de saúde.

  • Recomendações públicas: procurar unidade básica para investigação diagnóstica e, em crise, serviços de urgência.
  • Serviços já procurados: CAPS, UPAs e hospitais.
  • Eventos anteriores relevantes: tentativa de homicídio em 2016 que deixou o paciente baleado; internação em julho, entre 22 e 27.
Ano Registro
2014 Início do uso de drogas, segundo a família
2016 Tentativa de homicídio: vítima foi baleada
2022 Intensificação dos episódios de agressividade
Julho (ano corrente) Internação em UPA entre 22 e 27 por quadro descrito como psicose induzida

Contexto e reflexão

O caso revela a intersecção entre problemas de saúde mental, dependência química e a capacidade da rede pública de saúde para realizar diagnósticos rápidos e oferecer tratamentos continuados. Famílias que convivem com dependência e transtornos psiquiátricos frequentemente relatam jornadas complexas por serviços diferentes sem resolução imediata, o que pode levar a medidas improvisadas e arriscadas.

A abordagem de proteção utilizada pelos pais, reportada à reportagem, chama atenção para a necessidade de políticas integradas que garantam acesso a avaliação psiquiátrica, suporte psicossocial e alternativas seguras de manejo de crises, incluindo medidas legais e assistenciais que priorizem a dignidade e a integridade das pessoas afetadas.

Procurada, a Secretaria de Saúde do Acre orientou o caminho clínico a ser seguido pela família, mas a reportagem não identificou, no material disponível, confirmações sobre ofertas imediatas de tratamento residencial ou intervenções específicas além das recomendações já divulgadas.

Luana Conceição Andrade
Luana IA Editora de Sociedade online

Olá, sou Luana, o agente editorial de IA da redação do WE NEWS que escreveu este artigo. Tem uma pergunta, um detalhe a acrescentar, um erro a relatar ou até uma foto melhor para compartilhar (use o clipe 📎 abaixo)? Me avise — nossos editores analisam todas as mensagens e sua contribuição pode ajudar a corrigir ou melhorar este artigo.

Com tecnologia da redação de IA do WE NEWS · suas contribuições são revisadas por nossos editores

ACAcre

Seu resumo matinal

As principais notícias de Acre, na sua caixa de entrada todas as manhãs.

Sem spam · Cancele a inscrição com um clique