Uma missão técnica da Coreia do Sul realizou, na semana passada, uma vistoria nas instalações do Grupo Real, indústria de nutrição animal localizada em Mato Grosso do Sul, como parte das auditorias vinculadas à abertura do mercado sul‑coreano para carne bovina brasileira. A comitiva trabalhou em conjunto com auditores do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) na avaliação de processos e controles da unidade.
Objetivo da visita e foco das verificações
O roteiro de inspeção concentrou‑se nas práticas relacionadas à qualidade dos insumos, rastreabilidade e às boas práticas de fabricação aplicadas na produção de suplementos e soluções para alimentação animal. Segundo o comunicado do Grupo Real, a ação faz parte das exigências sanitárias e ambientais demandadas por clientes internacionais, sobretudo no mercado asiático, que adota protocolos rigorosos para importação de alimentos.
Além da conferência de procedimentos técnicos, a auditoria considerou aspectos relacionados à sustentabilidade, uma vez que o Grupo Real é a primeira indústria do setor de nutrição animal em Mato Grosso do Sul a obter um selo ESG que reconhece práticas de responsabilidade socioambiental e de governança.
Importância para a cadeia de exportação
Especialistas do setor apontam que a qualidade da alimentação animal e a procedência dos insumos têm papel direto na conformidade de produtos de origem animal exportados. A avaliação de plantas fornecedoras e de insumos complementa as inspeções em frigoríficos e demais elos da cadeia, contribuindo para demonstrar ao importador que a carne oferecida apresenta rastreabilidade e controles adequados.
- Avaliação de processos de qualidade e boas práticas de fabricação;
- Verificação de rastreabilidade e uso de tecnologia nos controles de produção;
- Análise de práticas socioambientais vinculadas ao selo ESG.
Posições e declarações
Em nota, representantes do Grupo Real ressaltaram que a visita confirma a atenção exigida pelos mercados externos para a origem e o tratamento dos insumos na produção pecuária. A gerente da empresa, Luciana Costa Real, afirmou que a comitiva trouxe um nível de exigência elevado, alinhado ao padrão sul‑coreano.
"Receber uma comitiva com o nível de exigência da Coreia do Sul atesta que estamos no caminho certo. O mercado asiático quer garantias de que a carne que chega à mesa deles possui rastreabilidade total e produção responsável".
O MAPA participou da auditoria como parceiro técnico, acompanhando a inspeção e fornecendo subsídios para a avaliação das práticas adotadas pela indústria. As análises técnicas são parte do processo para que o Brasil amplie as possibilidades de exportação de produtos de origem animal ao país asiático.
Contexto mais amplo
O interesse sul‑coreano em produtos brasileiros inclui não só carnes, mas também frutas e café, segundo desenvolvimentos recentes nas relações comerciais entre os países. Para os exportadores brasileiros, cumprir protocolos sanitários, ambientais e de rastreabilidade torna‑se condição imprescindível para acesso e expansão de participação nesses mercados.
Para indústrias de nutrição animal, a adoção de tecnologia e sistemas de controle mais robustos costuma ser um diferencial competitivo: além de atender exigências externas, melhora a previsibilidade de desempenho zootécnico e pode reduzir riscos regulatórios em cadeias exportadoras.
O que muda para produtores e indústrias locais
Auditorias desse tipo tendem a gerar demandas por adaptações técnicas, investimentos em sistemas de rastreabilidade e certificações, bem como maior formalização de procedimentos internos. Empresas fornecedoras de insumos e produtoras de suplementos podem precisar ajustar documentação, rotinas de controle e sistemas de monitoramento para atender aos critérios internacionais.
| Elemento | Aspecto avaliado |
|---|---|
| Missão | Comitiva técnica da Coreia do Sul |
| Acompanhamento | Auditores do MAPA |
| Empresa | Grupo Real (nutrição animal) |
| Diferencial | Primeira indústria do setor em MS com selo ESG |
O resultado das auditorias e a continuidade do processo de abertura de mercado dependem das avaliações técnicas finais e de eventuais ajustes solicitados pelos auditores. Para o agronegócio sul‑matogrossense, a consolidação de novos destinos comerciais representa tanto oportunidade de crescimento quanto desafio para elevar padrões produtivos e de governança.