Justiça Sinop Mato Grosso do Sul (MS)

Justiça proíbe Dakila de sobrevoar e entrar em terra indígena investigada por buscas

A Justiça Federal determinou que a Dakila Pesquisas não realize voos, pesquisas ou incursões na Terra Indígena Kayabi, após ação do MPF que aponta entradas sem autorização durante procura pela suposta cidade Ratanabá.

Justiça proíbe Dakila de sobrevoar e entrar em terra indígena investigada por buscas
©Ilustração IA Adriana Peçanha Coutinho / we-news.com

A Justiça Federal proibiu a Dakila Pesquisas de realizar sobrevoos, incursões e levantamentos na Terra Indígena Kayabi, localizada em Mato Grosso, após ação movida pelo Ministério Público Federal (MPF) que acusa o grupo de ingressar no território sem autorização durante buscas pela suposta cidade perdida chamada Ratanabá.

Medidas e fundamentação

A decisão, proferida na 2ª Vara Federal Cível e Criminal de Sinop, atende parcialmente pedido do MPF. Segundo a ação, organizações indígenas denunciaram, em janeiro de 2023, que integrantes da Dakila vinham realizando sobrevoos e entradas na TI desde maio de 2022. A associação teria admitido o uso de tecnologia de mapeamento por aproximadamente dois meses em 2022, com voos quase diários na região.

O MPF também requereu indenização mínima de R$ 1 milhão por danos às comunidades Munduruku, Kayabi e Apiaká. A ação aponta que as atividades teriam sido realizadas sem as autorizações exigidas para pesquisa e ingresso em área indígena.

O grupo investigado

A Dakila Pesquisas foi criada em Mato Grosso do Sul e tem atuação conhecida na região. A entidade foi idealizada pelo pesquisador Urandir Fernandes de Oliveira, figura de destaque nacional conhecida por se relacionar a narrativas ufológicas. A organização tornou-se conhecida por expedições em busca da chamada Ratanabá, caracterizada por seus representantes como uma cidade antiga ou estrutura arqueológica oculta pela vegetação.

Tecnologia e possíveis impactos

Conforme a ação do MPF, a associação teria utilizado equipamentos capazes de mapear relevo por meio de laser — ferramentas que permitem detectar variações topográficas e eventuais estruturas sob a cobertura vegetal. Em decorrência das investigações e das denúncias, houve apreensão de equipamentos, incluindo 11 câmeras de alta tecnologia, segundo o material de origem.

AlegaçãoMedida judicial/administrativa
Sobrevoos frequentesProibição de voos sobre a TI
Incursões em área indígenaProibição de entrada e levantamentos
Uso de tecnologia de mapeamentoApreensão de equipamentos e investigação judicial

Reivindicações das comunidades

As denúncias que motivaram a ação partiram de organizações indígenas que relataram intrusões em área considerada tradicional pelos povos afetados. O MPF sustenta que as atividades teriam ocorrido sem o devido licenciamento e sem consulta prévia às comunidades, exigência indispensável em áreas indígenas para qualquer intervenção que possa afetar terras, bens culturais ou o modo de vida das populações locais.

  • Partes envolvidas: MPF, Dakila Pesquisas, comunidades Munduruku, Kayabi e Apiaká.
  • Órgão julgador: 2ª Vara Federal Cível e Criminal de Sinop.
  • Pedido do MPF: indenização mínima de R$ 1 milhão e cessação das atividades não autorizadas.

Contexto legal

A decisão judicial insere-se no âmbito de proteção às terras indígenas e da legislação que condiciona entrada, pesquisa e atividades técnicas em territórios indígenas à obtenção de autorizações específicas e à observância de normas de proteção ambiental e de direitos dos povos originários. O cabimento de indenização por danos coletivos é instrumento previsto para reparação e desestímulo a condutas que ameacem bens culturais, ambientais ou direitos territoriais.

Próximos passos e desdobramentos

O processo tramita na Justiça Federal de Sinop e seguirá com a instrução das provas e manifestações das partes. O MPF continuará à frente da ação civil pública que pediu medidas reparatórias e de prevenção de novas incursões. A decisão provisória que impõe a proibição das atividades serve como medida de urgência para resguardar as áreas denunciadas enquanto se apuram responsabilidades.

Até o momento, não há registro nos autos de manifestação pública recente da Dakila Pesquisas sobre a decisão judicial. A apuração interna seguirá acompanhando eventuais desdobramentos, decisões adicionais e a evolução das providências adotadas pelas comunidades indígenas e pelo Ministério Público Federal.

Esta matéria segue os princípios da presunção de inocência e se apoia nos trechos divulgados pela ação do MPF e na decisão proferida pela 2ª Vara Federal Cível e Criminal de Sinop.

Adriana Peçanha Coutinho
Adriana IA Editora de Justiça online

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