A Polícia Civil de Roraima indiciou um homem de 49 anos, identificado pelas iniciais G.O.S., suspeito de aplicar golpes contra pelo menos nove pessoas em Boa Vista. A apuração, conduzida pelo 2º Distrito Policial (2º DP), aponta prejuízos estimados em aproximadamente R$ 19 mil e casos ocorridos entre abril de 2025 e maio de 2026.
Como atuava o suspeito
Segundo os autos do inquérito, o investigado se apresentava falsamente como advogado, prometia resolver ações judiciais, obter indenizações e liberar benefícios financeiros e, após receber valores, não executava os serviços oferecidos. Os pagamentos foram realizados por meio de transferências via PIX e em dinheiro, conforme registrado na investigação.
Vítimas e prejuízos identificados
A investigação teve início a partir do registro de uma mulher de 51 anos, em maio de 2026, que relatou ter contratado o suspeito para atuar em uma demanda relativa à morte do filho em acidente de trânsito. A vítima entregou mais de R$ 3 mil entre supostos honorários e despesas. O companheiro dela, de 44 anos, também teria contratado G.O.S. e pago aproximadamente R$ 6 mil.
Durante as diligências, o 2º DP localizou outros registros com modus operandi semelhantes. Abaixo, quadro com os casos levantados pela investigação:
| Data | Idade (quando informada) | Prejuízo estimado (R$) |
|---|---|---|
| 30/04/2025 | 65 | 500 |
| 11/2025 | — | 2.000 |
| 02/12/2025 | 51 | 3.000 |
| 02/12/2025 | 44 | 6.000 |
| — | 48 | 500 |
| — | 49 | 5.000 |
| — | — | 900 |
| — | 28 | 500 |
| 07/05/2026 | — | — |
Os valores listados pela polícia totalizam, segundo a investigação, cerca de R$ 19 mil. Nem todos os registros especificam idade ou mês exato, mas os episódios contemplam um período superior a um ano.
Investigação e desdobramentos
O 2º DP coordenou as diligências que permitiram identificar o padrão de atuação do suspeito. De acordo com a Polícia Civil, em ao menos um caso G.O.S. teria apresentado um documento para comprovar o recebimento de valores e orientado uma das vítimas a procurar uma agência do Banco do Brasil para sacar uma quantia supostamente devida a ela — maneiro que, conforme a apuração, fazia parte do esquema para dar aparência de legitimidade às promessas.
Autoridades destacam a recorrência do uso de transferências eletrônicas e dinheiro em espécie em fraudes desse tipo, o que exige atenção redobrada das pessoas que negociam serviços jurídicos: profissionais regularmente habilitados costumam fornecer procurações, números de inscrição na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e comprovantes formais de andamento processual, documentos que, segundo a polícia, faltavam nos atendimentos realizados pelo investigado.
- Quem investigar: 2º Distrito Policial de Boa Vista.
- Forma de pagamento usada: PIX e dinheiro.
- Prejuízo estimado: cerca de R$ 19 mil entre nove vítimas.
O indiciamento prevê apuração de crimes relacionados a estelionato e exercício ilegal da advocacia. A Polícia Civil segue com as investigações para verificar a extensão dos golpes e localizar outros possíveis prejudicados. Autoridades orientam que pessoas que se sintam lesadas procurem o Distrito Policial para registrar ocorrência e apresentar documentos e comprovantes de pagamento.
Especialistas em segurança pública e órgãos de defesa do consumidor apontam que golpes envolvendo falsos profissionais são recorrentes e costumam explorar situações de vulnerabilidade, como processos judiciais, pedidos de indenização e promessa de benefícios. A divulgação de meios formais de checagem, como consulta à OAB e à movimentação processual nos sistemas dos tribunais, é ferramenta preventiva amplamente recomendada.