Uma intervenção técnico-ambiental na figueira centenária da Praça XV de Novembro, no Centro de Florianópolis, foi iniciada nesta segunda-feira (21), Dia da Árvore. O trabalho, com previsão de duração de seis meses, altera o sistema de sustentação dos galhos da árvore — um marco da paisagem urbana da capital catarinense — e antecipa um manejo mais amplo do conjunto arbóreo da praça.
Procedimentos e diagnóstico técnico
Segundo a equipe técnica responsável, a substituição das atuais escoras será feita por uma combinação de novos apoios e cabeamento, escolhida após avaliação da configuração da copa, do peso dos galhos e das condições estruturais detectadas nas inspeções. Antes da definição do novo arranjo de sustentação, a figueira foi submetida a uma série de análises e tratamentos que incluíram:
- diagnóstico fitossanitário;
- avaliação do solo e das folhas;
- podas;
- tratamento de cavidades;
- cuidados de nutrição;
- tomografia da madeira.
A tomografia foi destacada como ferramenta importante por permitir observar a estrutura interna da madeira e identificar alterações que não são perceptíveis apenas pela análise externa, auxiliando na definição do tratamento adequado para tronco e raízes.
"Uma árvore que atravessa gerações"
Relevância histórica e ambiental
A figueira da Praça XV foi transplantada para o local em 1891, quando já teria cerca de 20 anos, conforme registros históricos presentes na documentação sobre a praça. Desde então, a árvore integra a paisagem do Centro Histórico e sua presença é referenciada culturalmente, inclusive em versos do hino de Florianópolis. A intervenção atual visa preservar esse patrimônio natural que se misturou à memória coletiva da cidade.
Manejo do conjunto arbóreo e espécies nativas
O trabalho não se limita à figueira isoladamente. A revitalização inclui a avaliação individual das demais árvores da Praça XV, com o objetivo de estruturar um plano de manejo do conjunto arbóreo. Parte desse plano prevê a substituição gradual de espécies exóticas invasoras por árvores nativas da Ilha de Santa Catarina, em ações planejadas de replantio e conservação. Segundo a equipe técnica, as espécies nativas escolhidas poderão colaborar para a manutenção da sombra na praça e oferecer recursos para a fauna local.
Impactos urbanos e continuidade dos cuidados
A adoção de um novo sistema de sustentação e o manejo integrado buscam reduzir riscos associados à queda de galhos e prolongar a vida útil da figueira, ao mesmo tempo em que qualificam o espaço público para moradores, trabalhadores e turistas que frequentam o Centro Histórico. A iniciativa se insere em um contexto urbano em que a preservação de árvores centenárias é combinada com práticas técnicas de arborização e planejamento paisagístico.
A duração prevista de seis meses permitirá monitoramento e ajustes durante a instalação do novo sistema. Além dos procedimentos citados, a continuidade do cuidado dependerá do monitoramento fitossanitário e de um cronograma de manutenção que deverá ser definido pela Prefeitura e pela equipe técnica responsável.
| Item | Descrição |
|---|---|
| Duração prevista | Seis meses |
| Principais procedimentos | Substituição de escoras por apoios e cabeamento; podas; tomografia; tratamento de cavidades; nutrição |
| Ação complementar | Avaliação individual das demais árvores da praça e plano de substituição gradual de espécies exóticas por nativas |
O projeto combina técnicas de arborismo com preocupações urbanísticas e ambientais, buscando equilibrar a conservação de um símbolo local e a segurança de quem circula pela praça. A interlocução entre equipes técnicas e órgãos municipais será determinante para a manutenção desse patrimônio no centro de Florianópolis.