Um casarão com registro de 1877 no Centro de Florianópolis teve a sua restauração concluída após um processo de mais de dois anos que revelou sucessivas camadas de pinturas e revestimentos aplicados ao longo de quase um século e meio. Conhecida como Casa Rosa da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), a edificação fica em frente à Praça Getúlio Vargas e tem trajetória associada à educação superior no estado.
Descobertas durante o restauro
Segundo a Udesc, a intervenção na construção trouxe à tona ornamentos e padrões decorativos que refletem distintas épocas. Entre os achados estão:
- Pinturas florais e frisos decorativos;
- Barrados em variadas cores;
- Imitações de madeira e mármore;
- Papéis de parede de diferentes períodos.
As marcas, gravuras e camadas de tinta presentes nas salas do casarão documentam as transformações estéticas e funcionais do imóvel desde o final do século XIX.
Procedimento conservacionista detalhado
O trabalho exigiu técnica e paciência: em pontos da edificação, a remoção das repinturas foi realizada com bisturi, em um método comparado a um procedimento cirúrgico. A restauradora e arquiteta responsável declarou que a retirada micrométrica das camadas permitiu preservar e revelar pigmentos originais sem danificar a camada mais antiga.
"É um procedimento quase cirúrgico, precisa muita concentração e habilidade para não danificar a camada original. Tem que ter foco, saber o que está fazendo para tirar camada a camada de repintura e revelar os traços originais da pint"
O texto divulgado pela universidade aponta que cada camada retirada representou uma nova descoberta durante as prospecções.
Contexto histórico e arquitetônico
O primeiro registro da residência data de 1877. Em 1883, o imóvel passou a pertencer à família Wendhausen, que realizou ampla reforma na década de 1890, incorporando elementos ecléticos, neoclássicos e art nouveau. Estas características estão entre as evidências agora ressaltadas pelo restauro.
| Item | Dados |
|---|---|
| Registro inicial | 1877 |
| Nova propriedade | 1883 (família Wendhausen) |
| Reforma significativa | Década de 1890 |
| Duração do restauro | Mais de dois anos |
Patrimônio urbano e implicações para a cidade
A recuperação da Casa Rosa integra um conjunto de ações de preservação do centro histórico de Florianópolis, onde imóveis com valor arquitetônico e memória coletiva convivem com pressões de modernização e novas ocupações. A cidade, reconhecida nacionalmente como polo de inovação e atração turística, enfrenta o desafio de conciliar crescimento econômico e imobiliário com a conservação de traços históricos que contribuem para a identidade local.
Além de preservar elementos estéticos, intervenções desse tipo são relevantes para a docência e pesquisa quando vinculadas a instituições de ensino superior, como a Udesc, pois permitem estudos sobre técnicas construtivas, materiais e história urbana. A restauração também pode fortalecer rotas de turismo cultural no Centro, ampliando a oferta para visitantes que buscam patrimônio e memória.
Próximos passos e transparência
A Udesc divulgou as informações sobre o restauro e as descobertas. Não foram informados, no material público consultado, detalhes sobre futuros usos do casarão, eventuais visitas públicas programadas ou novos investimentos em sinalização e conservação continuada. O restauro, ao revelar camadas históricas, reforça a importância da documentação técnica e da continuidade de políticas públicas que protejam o patrimônio.
Florianópolis segue, assim, reafirmando a necessidade de um equilíbrio entre desenvolvimento — tanto no setor tecnológico quanto no imobiliário e turístico — e a manutenção de sua memória construída, especialmente em locais centrais que marcam a história da cidade e de suas instituições educacionais.