O Hospital SOS Cárdio, em Florianópolis, vem ampliando a oferta de cirurgia cardíaca assistida por robótica, utilizando o sistema Da Vinci X. A instituição, apontada como a única na capital a realizar esse tipo de procedimento, já contabiliza mais de 260 cirurgias realizadas desde a introdução da tecnologia, em março de 2025.
Parceria técnica e ganho de precisão
As intervenções são conduzidas pelo chefe do serviço de cirurgia cardiovascular, Dr. Sérgio Lima de Almeida, com colaboração de profissionais do Uberlândia Medical Center (MG), centro de referência em cirurgia robótica. A cooperação técnico-científica tem servido para o intercâmbio de protocolos e aperfeiçoamento da equipe local, segundo a direção do hospital.
Em entrevista à equipe médica do hospital, o cirurgião enfatiza a mudança de paradigma trazida pela robótica para procedimentos cardíacos que tradicionalmente exigiam a abertura do tórax.
"Agora, com a robótica, conseguimos aumentar a precisão cirúrgica, oferecendo resultados que podem ser até melhores que os da cirurgia convencional. Além disso, o procedimento é menos invasivo, resultando em uma recuperação mais rápida".
Indicações e limites da técnica
Entre as principais indicações para a cirurgia robótica cardíaca citadas pela equipe estão a revascularização do miocárdio e o reparo da válvula mitral. A tecnologia permite preservar estruturas cardíacas e reduzir o trauma operatório, tornando viável, em muitos casos, o reparo valvar em vez da substituição.
- Desde março de 2025: mais de 260 cirurgias realizadas em múltiplas especialidades.
- Área com maior número de procedimentos: urologia (85%), segundo os dados divulgados.
- Parceria técnica com equipe do Uberlândia Medical Center para formação e intercâmbio.
Impacto no pós-operatório e na recuperação
O hospital informa ganhos significativos no pós-operatório quando comparados à cirurgia convencional. Pacientes submetidos à técnica robótica têm alta em cerca de 3 a 4 dias, enquanto os procedimentos abertos costumam requerer internação de 9 a 10 dias. O retorno às atividades também é menor: estimado em cerca de duas semanas para a robótica, contra 45 a 60 dias na técnica tradicional.
| Aspecto | Cirurgia robótica | Cirurgia convencional |
|---|---|---|
| Tempo médio de internação | 3–4 dias | 9–10 dias |
| Tempo estimado para retorno às atividades | ~2 semanas | 45–60 dias |
| Especialidade com maior volume | Urologia (85% dos procedimentos) | |
Os médicos ressaltam, porém, que a técnica não é adequada para todos os casos. A definição do método mais apropriado depende da condição clínica do paciente e da doença cardíaca, exigindo avaliação individualizada pela equipe multidisciplinar.
Contexto regional: inovação, turismo e saúde
Florianópolis reúne um ecossistema crescente de tecnologia e serviços de saúde que dialogam com polos de inovação no estado. A adoção de equipamentos robóticos em cirurgias complexas tende a ampliar a capacidade de resolver casos de alta complexidade localmente, reduzindo a necessidade de deslocamento de pacientes para outros centros. Para a população e o setor de saúde do estado, isso pode significar maior acesso a técnicas modernas e menor tempo de recuperação, com reflexos na retomada das atividades econômicas e turísticas.
O programa de cirurgia robótica do Hospital SOS Cárdio inclui outras especialidades além da cardiologia, como urologia, e segue em expansão gradativa. A instituição afirma manter protocolos de segurança e formação contínua da equipe por meio das parcerias estabelecidas.
Reportagem apurou as informações junto à direção do hospital e à equipe de cirurgia cardiovascular. Novas atualizações sobre o número de procedimentos e o cronograma de capacitação serão acompanhadas pela redação.