Política Manaus Amazonas (AM)

Debate no Amazonas tem embates sobre Saúde e críticas à ausência de Roberto Cidade

Primeiro confronto televisivo entre candidatos ao governo do Amazonas foi marcado por críticas à ausência de Roberto Cidade, debates acalorados sobre fila do SISREG, propostas de hospitais regionais e descentralização da saúde para calhas de rios e municípios.

Debate no Amazonas tem embates sobre Saúde e críticas à ausência de Roberto Cidade
©Ilustração IA Paulo Ribeiro Maués / we-news.com

A TV Band Amazonas promoveu, na noite de domingo (9), o primeiro debate entre os candidatos ao governo do Estado nas eleições de 2026. O encontro, transmitido ao vivo pela televisão aberta e pelas plataformas digitais da emissora, reuniu quatro dos cinco postulantes esperados e expôs críticas e propostas centradas na área da saúde, segurança pública e educação.

Ausência de candidato domina abertura

A ausência de Roberto Cidade (União) foi um dos pontos centrais do debate. A coligação do candidato enviou, cerca de 40 minutos antes do início, uma nota lida em estúdio justificando a falta por orientação jurídica, com a alegação de que aguardava o início formal da campanha, previsto para 16 de agosto, e denunciando o que classificou como uma "estratégia coordenada de ataques" por parte dos adversários.

"estratégia coordenada de ataques"

A não participação de Cidade gerou críticas por parte dos candidatos presentes e alterou a dinâmica inicial do programa, transformando a abertura em um momento de pergunta e resposta sobre a recusa de um debatedor em comparecer.

Participantes e foco do confronto

Estiveram no estúdio os candidatos David Almeida (Avante), Omar Aziz (PSD), Maria do Carmo (PL) e Isael Munduruku (Rede/PSOL). Eles buscaram apresentar suas propostas e confrontar experiências e diagnósticos sobre os principais problemas do Estado.

CandidatoPartido/ColigaçãoPresença
David AlmeidaAvantePresente
Omar AzizPSDPresente
Maria do CarmoPLPresente
Isael MundurukuRede/PSOLPresente
Roberto CidadeUniãoAusente

Saúde: fila do SISREG e propostas divergentes

O principal ponto de embate foi a saúde pública, com foco na fila do Sistema de Regulação do Estado (SISREG). David Almeida destacou sua experiência à frente da prefeitura de Manaus e afirmou ter ampliado a cobertura da atenção básica na capital, comprometendo-se a "zerar a fila do SISREG" caso eleito.

Omar Aziz contrapôs com um diagnóstico crítico, apontando para o que chamou de cenário caótico no sistema estadual, citando o número de pessoas na fila do SISREG. Em resposta, propôs a construção de oito hospitais regionais com cerca de 150 leitos cada, além da oferta de especialistas como medida para reduzir a dependência do atendimento concentrado em Manaus.

Isael Munduruku defendeu a descentralização como linha central de política pública, propondo grandes estruturas hospitalares distribuídas em calhas de rios e municípios estratégicos para evitar a concentração de serviços na capital. Sua proposta ressaltou a necessidade de adaptar o modelo à geografia do Amazonas, em que deslocamentos por rio e longas distâncias entre municípios mudam a lógica de acesso à saúde.

Segurança e educação

Segurança pública e educação também movimentaram o debate. Os candidatos trocaram críticas sobre gestão estadual, políticas de prevenção e uso de recursos. Entre as propostas citadas estiveram reforço de policiamento, ações integradas com municípios e medidas para melhoria da infraestrutura escolar, embora sem detalhamento orçamentário aprofundado durante o programa.

Repercussões e o calendário eleitoral

O debate ocorre no início da campanha oficial, quando o eleitorado começa a comparar propostas com maior proximidade. Em um estado com dimensões continentais como o Amazonas, onde deslocamentos entre municípios e comunidades ribeirinhas dependem de vias fluviais e rotas aéreas, a discussão sobre descentralização dos serviços tem implicações práticas diretas para o acesso a atendimentos e políticas públicas.

  • Foco na saúde: fila do SISREG e propostas de hospitais regionais vs. descentralização por rios e municípios.
  • Ausência de Roberto Cidade: justificativa formal antecipada e críticas dos demais candidatos.
  • Temas recorrentes: segurança pública e educação com trocas de acusações sobre gestão.

O debate foi a primeira oportunidade pública, em televisão aberta, para os eleitores do Amazonas avaliar diretamente os postulantes ao governo. As propostas apresentadas, especialmente as que tratam da organização do atendimento em saúde em um território marcado por grandes distâncias e forte dependência das rotas fluviais, deverão ser revisitadas nas próximas semanas por eleitores, imprensa e pelas equipes de campanha, à medida que a disputa avança para o período oficialmente iniciado em 16 de agosto.

Correspondente no Amazonas

Paulo Ribeiro Maués
Paulo IA Correspondente no Amazonas online

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