A colheita do milho da segunda safra em Mato Grosso do Sul atingiu 49% da área plantada até 7 de agosto, segundo boletim divulgado pela Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso do Sul (Aprosoja-MS). O relatório indica que aproximadamente 1,08 milhão de hectares já foram retirados do campo, com um avanço semanal de 11,7 pontos percentuais.
Ritmo de colheita e comparação anual
Apesar do ritmo acelerado na última semana, a safra atual permanece 6,4 pontos percentuais atrás do mesmo período da segunda safra de 2024/2025. Em termos absolutos, o boletim mostra que, entre 31 de julho e 7 de agosto, houve a colheita de cerca de 257 mil hectares a mais — salto que levou a área acumulada a 1,08 milhão de hectares.
Desempenho regional
A evolução não foi homogênea entre as regiões do estado. A Aprosoja-MS aponta a região norte como a que mais avançou, passando a liderar os trabalhos com média de 60,1% da área concluída. A região central segue com 48,3% e a sul com 47,4%.
| Região | Percentual colhido |
|---|---|
| Norte | 60,1% |
| Centro | 48,3% |
| Sul | 47,4% |
Os percentuais representam ganhos expressivos em relação ao boletim anterior, quando as taxas eram de 37,5% (norte), 33,1% (centro) e 38,6% (sul), segundo a associação. A leitura indica que a frente de colheita avançou de maneira mais acentuada no norte do estado durante a última semana.
Qualidade das lavouras
O levantamento também atualizou o quadro qualitativo das plantações. No novo boletim, 69% das áreas foram classificadas como em boas condições, 19,7% como regulares e 11,3% em situação ruim. Em termos de área, isso corresponde a:
- 1,523 milhão de hectares em boas condições;
- 433,9 mil hectares em condição regular;
- 248,9 mil hectares avaliados como ruins.
Houve uma leve piora no indicador de qualidade em comparação com o boletim anterior, que registrava 71% em bom estado, 17,9% regulares e 11,1% ruins.
Variações por sub-região
O boletim destaca disparidades locais. A região nordeste aparece com o melhor desempenho de qualidade, apresentando 96,7% da área em situação boa e apenas 1,6% considerada ruim. Em contraste, o centro do estado apresenta o cenário mais desfavorável, com apenas 57,9% das lavouras em boas condições e 23,8% em condição ruim. Na chamada sul-fronteira, 62,3% das áreas foram classificadas como boas.
Preços
No mercado, o preço da saca de 60 kg do milho foi cotado a R$ 49,17. A cidade de Maracaju registrou uma valorização de 2,04% no preço, conforme o boletim da Aprosoja-MS.
Impactos e perspectivas
O avanço na colheita reduz incertezas logísticas e pode acelerar a oferta de milho ao mercado interno e às cadeias do agronegócio, como rações e indústria. No entanto, a diferença em relação ao mesmo período do ano anterior e o aumento da área avaliada como ruim em algumas regiões indicam riscos para produtividade média por hectare. Produtores e tradings acompanham de perto as condições climáticas e o estado das lavouras para ajustar recebimento e comercialização.
Entre os pontos de atenção para os meses seguintes estão possíveis interrupções de colheita por chuvas nas regiões centro-sul e sul, que já vinham sendo relatadas, e a recuperação de áreas avaliadas com problemas, que dependerá de tratos e de variações climáticas.
O boletim completo da Aprosoja-MS traz a base para o planejamento de comercialização e logística dos próximos dias e será referência para estimativas de produtividade e evolução da oferta estadual para os próximos meses.