A Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) de Campo Grande lançou o Painel de Ferramentas de Gestão em Saúde, plataforma destinada a consolidar e integrar indicadores da rede municipal com o objetivo de apoiar a tomada de decisões, o planejamento e a fiscalização dos serviços. A iniciativa reúne dados que antes eram analisados separadamente e pretende facilitar a leitura conjunta sobre demanda, capacidade e produção das equipes.
O que a ferramenta reúne
Segundo a Sesau, o painel agrega informações sobre:
- consultas e regulação ambulatorial;
- unidades de urgência e emergência, incluindo classificação de risco e fluxo de pacientes;
- escalas e produção de profissionais — médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem e assistentes sociais;
- dados dos Serviços de Atendimento Domiciliar, com possibilidade de análise por região da cidade.
A consolidação desses dados busca permitir cruzamentos que ofereçam leitura mais ampla da rede, evitando decisões baseadas em indicadores isolados.
Faltas nas consultas e impacto nas filas
Um dos indicadores já monitorados pela nova ferramenta é o absenteísmo em consultas, que, de acordo com a Sesau, se aproxima de 30%. A secretaria informou que parte dos pacientes agenda e confirma o atendimento, mas não comparece. O superintendente de Atenção Especializada e Urgência à Saúde, Yama Higa, destacou que as ausências afetam diretamente as filas, porque horários reservados deixam de ser aproveitados por outros pacientes.
"As ausências têm impacto direto nas filas, porque horários reservados deixam de ser utilizados por outros pacientes." — Yama Higa, superintendente de Atenção Especializada e Urgência à Saúde
Com o acompanhamento desse indicador, a gestão municipal pretende cruzar o absenteísmo com dados da Atenção Primária, agentes comunitários, conselhos locais e distritos sanitários para definir estratégias que reduzam as faltas e melhorem o aproveitamento das agendas.
Regulação, urgência e visualização integrada
A regulação ambulatorial passa a contar com uma visão conjunta da demanda, da capacidade de atendimento e do comportamento das solicitações. Nas unidades de urgência e emergência, o painel consolida informações das unidades 24 horas, o que deve facilitar a identificação de variações no atendimento e de situações que fogem ao padrão esperado da rede.
A Sesau também ressaltou que parte desses dados já estava disponível ao público por meio do Sistema de Informação de Gestão em Saúde (SIGS), mas que agora serão apresentados de forma integrada visando apoiar a gestão municipal.
Monitoramento da produção das equipes e próximos passos
Além dos indicadores clínicos e de fluxo, a plataforma inclui informações sobre as escalas e a produção dos profissionais que atuam na rede municipal. A intenção é que o cruzamento entre demanda e produção permita aferir onde há sobrecarga, ociosidade ou necessidade de realocação de recursos.
A Sesau informou que está prevista a inclusão, de forma progressiva, de dados dos Serviços de Atendimento Domiciliar com possibilidade de segmentação por região da cidade, o que pode contribuir para políticas mais direcionadas conforme as características epidemiológicas e sociodemográficas de cada área.
| Área | Indicadores reunidos |
|---|---|
| Consultas | Agendamentos, absenteísmo, aproveitamento de agendas |
| Regulação ambulatorial | Demanda, capacidade de atendimento, comportamento das solicitações |
| Urgência e emergência | Classificação de risco, fluxo de pacientes, unidades 24 horas |
| Produção das equipes | Escalas, atendimentos realizados, profissionais por função |
Consequências para a gestão e para os usuários
Ao integrar informações antes dispersas, o painel pode contribuir para ações mais rápidas de realocação de recursos, ajustes de escalas e mudanças operacionais que impactem no tempo de espera e na capacidade de atendimento dos serviços. Para os usuários, a expectativa é que o melhor aproveitamento das agendas e a identificação precoce de desvios no fluxo reduzam filas e melhorem o acesso aos serviços.
Por outro lado, a efetividade da ferramenta dependerá da qualidade e da atualização contínua dos dados, bem como da adoção de protocolos e estratégias pela gestão para enfrentar problemas detectados, como o alto índice de ausências em consultas.
A Sesau aponta que o painel será ferramenta de apoio à fiscalização e ao planejamento. A aplicação prática das informações monitoradas — por exemplo, campanhas de comunicação sobre faltas, revisões em políticas de agendamento ou protocolos de regulação — será definida pela gestão municipal com base nos cruzamentos de dados que a plataforma possibilita.