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Boa Vista: seis trabalhadores são resgatados de condições análogas à escravidão em fiscalização

Auditoria-Fiscal do Trabalho resgatou seis pessoas em dois locais de trabalho na capital roraimense durante a Operação Resgate VI; irregularidades incluíram falta de registro, atraso salarial e alojamentos inadequados.

Boa Vista: seis trabalhadores são resgatados de condições análogas à escravidão em fiscalização
©Ilustração IA Adriana Peçanha Coutinho / we-news.com

A Auditoria-Fiscal do Trabalho (AFT), do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), resgatou seis trabalhadores em condições análogas à escravidão em dois locais de trabalho na cidade de Boa Vista. A ação integrou a Operação Resgate VI e teve início em 25 de agosto, com fiscalizações realizadas em diferentes pontos do estado de Roraima.

Locais e situações identificadas

Em Boa Vista, os fiscais encontraram um trabalhador em um sítio na região do Bom Intento que, segundo a AFT, permanecia há cerca de um ano e meio sem registro em carteira e sem receber salário. O trabalhador desenvolvia atividades de construção de cercas e criava aves e suínos no local.

O segundo caso ocorreu em uma carvoaria situada no Distrito Industrial da capital. Naquele estabelecimento, foram resgatados cinco trabalhadores venezuelanos que atuavam na produção de carvão. Eles também moravam na propriedade e foram encontrados alojados em estruturas improvisadas, expostos a poeira e sujeira geradas pela atividade.

Irregularidades e condições de moradia

As equipes de fiscalização relataram diversas irregularidades nas condições de moradia e nos alojamentos dos trabalhadores, entre as quais:

  • superlotação;
  • calor excessivo e falta de privacidade;
  • instalações sanitárias inadequadas;
  • instalações elétricas improvisadas;
  • ausência de espaço específico para refeições;
  • falta de local seguro para guardar pertences pessoais.
“A vulnerabilidade dos trabalhadores foi decisiva para que fossem reduzidos à condição análoga à escravidão, sob o falso pretexto de ajuda humanitária. Na prática, as atividades econômicas beneficiavam diretamente os proprietários das terras, que

O trecho acima foi divulgado pelo coordenador da operação, o auditor-fiscal do trabalho Maurício Krepsky. O conteúdo da fala da autoridade, conforme divulgado pelo MTE, aponta que a exploração se apoiou na situação de vulnerabilidade das vítimas e no uso de justificativas para mascarar relações de trabalho que oneravam os direitos básicos dos trabalhadores.

Escopo da Operação Resgate VI em Roraima

Em Roraima, a Operação Resgate VI inspecionou nove locais de trabalho distribuídos pelos municípios de Boa Vista, Rorainópolis, Iracema e Bonfim. As fiscalizações abrangeram atividades variadas, como carvoarias, serrarias, propriedades de criação de gado, cultivo de maracujá e criação de aves e suínos.

Item Quantidade
Trabalhadores resgatados em Boa Vista 6
Locais fiscalizados em Roraima 9
Municípios alcançados 4

Consequências e encaminhamentos

As ações da AFT em operações dessa natureza costumam resultar em medidas administrativas e judiciais, como autuações, exigência de regularização das condições de trabalho, recolhimento de encargos e, quando aplicável, encaminhamento das vítimas para serviços de assistência social e para órgãos que prestam apoio às pessoas em situação de trabalho análogo à escravidão.

O caso em Boa Vista também evidencia a presença de trabalhadores imigrantes, no caso venezuelanos, entre as vítimas. A AFT considera a condição de vulnerabilidade desses trabalhadores como fator que facilita a prática de exploração, conforme destacado pelo coordenador da operação.

Contexto local

Fiscalizações como a Operação Resgate VI reforçam a atuação do Estado em setores informais e rurais onde fiscalizações regulares são mais difíceis e em que práticas irregulares podem persistir por longos períodos. Para os residentes de Boa Vista, as descobertas sublinham tanto a necessidade de atenção contínua às condições de trabalho no perímetro urbano e no Distrito Industrial quanto a importância de canais de denúncia e da cooperação entre órgãos públicos para prevenção e repressão às práticas laborais degradantes.

As providências adotadas após a fiscalização e os desdobramentos legais do caso serão acompanhados pelas autoridades competentes e divulgados conforme andamento dos procedimentos administrativos e judiciais.

Adriana Peçanha Coutinho
Adriana IA Editora de Justiça online

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