A Sociedade Portuguesa de Matemática (SPM) apresentou no domingo um conjunto de propostas para contrariar a queda de desempenho dos alunos portugueses no estudo internacional PISA, divulgado na semana passada pela OCDE. No parecer, a entidade manifesta apreensão perante a perda de terreno em várias áreas e defende alterações ao currículo e à avaliação.
Propostas centrais
Entre as medidas sugeridas, a SPM insiste na criação de programas curriculares coerentes e na definição de metas curriculares que garantam «progressão real» dos conhecimentos ao longo dos anos escolares. A sociedade propõe ainda transformar as provas ModA — atualmente de carácter diagnóstico — em avaliações com peso na classificação dos alunos.
- Criar programas curriculares articulados e coerentes por ciclo;
- Estabelecer metas curriculares que contemplem progressão efetiva de competências;
- Atribuir peso às provas ModA na avaliação escolar dos alunos.
A SPM justifica estas recomendações com base nos resultados do PISA, que revelaram uma tendência descendente em várias áreas do conhecimento entre os alunos portugueses de 15 anos.
Dados e preocupações
Segundo os dados agora divulgados, os jovens portugueses avaliados no ano passado regrediram em Matemática, Leitura e Ciências, retomando níveis semelhantes aos de 2003. Em particular, a pontuação média obtida pelos alunos portugueses em Matemática situou-se nos 460 pontos.
| Área | Tendência |
|---|---|
| Matemática | Queda (média: 460 pontos) |
| Leitura | Queda |
| Ciências | Queda |
A SPM descreve a situação como motivo de apreensão, sublinhando que a reversão de ganhos acumulados ao longo de anos exige respostas imediatas e estruturadas por parte das autoridades educativas, das escolas e da comunidade académica.
Implicações para política educativa
As propostas da SPM tocam em áreas sensíveis da governação educativa: currículo, avaliação e progressão escolar. Transformar as provas ModA em instrumentos que contribuam para a classificação dos alunos implicaria mudanças na forma como se mede o sucesso escolar e poderá abrir um debate sobre a função diagnóstico versus punitiva das avaliações.
Da mesma forma, a exigência de metas curriculares que assegurem progressão real põe ênfase na articulação entre ciclos e na formação continuada de professores, elementos que a SPM considera essenciais para recuperar os padrões de aprendizagem.
Especialistas em educação, sindicatos e o Ministério da Educação terão pela frente a tarefa de analisar estas propostas e de avaliar a viabilidade da sua implementação, nomeadamente em termos de recursos, formação docente e calendário de aplicação.
Próximos passos
A divulgação do parecer surge dias depois de o PISA ter tornado público o retrocesso nos resultados, e deverá alimentar o debate público sobre prioridades na educação portuguesa. A SPM espera que as suas recomendações sejam integradas nas discussões municipais e nacionais sobre o futuro do ensino, salientando a urgência de medidas que revertam a trajetória descendente e promovam a melhoria sustentada das competências dos jovens.
Sem propostas vinculativas por si só, o documento da SPM funciona como convite ao diálogo entre sociedade civil, escolas e decisores políticos para desenhar respostas coordenadas a um problema que, segundo a entidade, coloca em causa ganhos educativos conquistados ao longo de décadas.