Servilusa transformou parte da sua actividade numa ferramenta de compensação ambiental: desde 2021, cada funeral resulta na plantação de, pelo menos, uma árvore, totalizando já mais de 38 000 árvores e uma compensação superior a 11 200 toneladas de CO2, segundo dados divulgados pela empresa.
Um projecto com memória e propósito climático
Batizado de In Arboriam e desenvolvido em parceria com a organização internacional de reflorestação Tree‑Nation, o projecto visa converter despedidas numa contribuição concreta para a recuperação florestal e para a mitigação das alterações climáticas. As árvores plantadas correspondem a uma área de reflorestação próxima dos 40 hectares — equivalente a cerca de 56 campos de futebol — e a um balanço acumulado de redução de emissões já quantificado.
«Estes números confirmam que a sustentabilidade não é, para a Servilusa, um discurso pontual, mas um compromisso que se mede e se renova todos os dias, funeral a funeral. Cada árvore plantada é uma homenagem a uma pessoa e, ao mesmo tempo, um contributo real para o planeta que as gerações seguintes vão herdar. É esse duplo sentido — de memória e de futuro — que nos move».
Alterações operacionais além do plantio
O projecto não se limita à plantação de árvores. Nos últimos anos, a Servilusa alterou práticas e critérios em vários processos com impacto ambiental, nomeadamente:
- utilização de madeiras certificadas e de vernizes à base de água;
- aposta em materiais biodegradáveis;
- priorização de fornecedores nacionais;
- progressiva electrificação e introdução de viaturas híbridas na frota;
- redução do consumo de papel nos procedimentos administrativos.
Estas mudanças procuram reduzir a pegada ambiental do sector funerário, tradicionalmente pouco associado a práticas de sustentabilidade. O projecto In Arboriam acrescenta uma dimensão simbólica: cada árvore é associada a um espaço memorial digital — referido pela empresa como uma «udiana» — que familiares e amigos podem visitar e actualizar ao longo do tempo.
Escala, verificação e limites
A parceria com a Tree‑Nation proporciona um enquadramento internacional para o planeamento e o acompanhamento das plantações. Ainda assim, a eficácia climática de projectos de reflorestação depende de variáveis que vão além do número de árvores plantadas, como a selecção de espécies, o local do plantio, a gestão do solo e a protecção contra riscos de degradação. A empresa apresenta os números de árvores, área reflorestada e toneladas de CO2 compensadas, mas a longevidade dos benefícios climáticos exigirá monitorização contínua e gestão a longo prazo.
| Indicador | Valor comunicado |
|---|---|
| Árvores plantadas | 38 000+ |
| Redução de emissões | 11 200+ toneladas de CO2 |
| Área de reflorestação | ~40 hectares (≈ 56 campos de futebol) |
Significado para o sector e para o território
Ao associar um serviço funerário a uma prática de reflorestação e a medidas operacionais menos impactantes, a Servilusa propõe um modelo pelo qual outros operadores podem inspirar‑se. A iniciativa evidencia duas dimensões: por um lado, a resposta empresarial às exigências crescentes de responsabilidade ambiental; por outro, a capacidade de ligar memória e património natural, conferindo às ações de compensação uma componente simbólica que pode reforçar a aceitação pública.
No entanto, especialistas em clima e gestão de floresta recordam que a compensação não substitui a redução de emissões na fonte. Para que o contributo seja duradouro é imprescindível garantir a seleção adequada de espécies, práticas de manutenção e mecanismos de verificação externos que atestem a permanência do carbono armazenado.
O projecto In Arboriam é, assim, um exemplo de resposta sectorial às alterações climáticas: apresenta resultados quantificáveis e uma estratégia integrada, mas coloca também o desafio de transformar números em benefícios ambientais sustentáveis e verificáveis ao longo do tempo.