O hotel Rosewood São Paulo foi eleito o 6.º melhor do mundo no ranking 50 Best Hotels de 2026, divulgado esta terça‑feira numa cerimónia em Paris. A unidade brasileira tornou‑se, assim, o estabelecimento latino‑americano mais bem classificado na lista, cuja primeira posição coube a outra propriedade da cadeia Rosewood em Hong Kong.
Reconhecimento internacional e contexto
A entrega dos prémios decorreu no auditório Les Salles du Carrousel, em Paris, e foi marcada por elogios à dimensão artística e à opulência do hotel paulistano. No discurso de apresentação, o mestre de cerimónias sublinhou pormenores do projecto e salientou o papel do empresário Alex Allard, criador da ideia original do empreendimento e envolvido na revitalização de marcas de luxo.
«Oásis arquitetónico deslumbrante e repleto de arte, meticulosamente preservado e reinventado sob a liderança do empreendedor responsável por revitalizar a Maison Balmain, este hotel é tudo, menos monótono —dos seus restaurantes luxuosos ao spa, que abriga uma sala com 400 cristais de quartzo branco»
O próprio enunciado do prémio trouxe à tona tensões accionistas: Alex Allard foi afastado do conselho de administração do projecto após um conflito com o grupo asiático Chow Tai Fook, acionista maioritário da Rosewood. A menção pública a essa liderança destaca um aspecto político‑económico por detrás da imagem de luxo.
Como é atribuído o prémio
O 50 Best Hotels recorre a um painel de especialistas para compilar a lista. Segundo a organização, a selecção resulta do voto de 800 peritos anónimos —entre jornalistas, profissionais da hotelaria e viajantes— distribuídos por nove regiões do planeta. Esta é a quarta edição do ranking de hospedagem produzido pela marca, que tem tradição na classificação de bares e restaurantes.
- Data da cerimónia: terça‑feira, em Paris
- Método de escolha: votação de 800 especialistas anónimos
- Posição do Rosewood São Paulo: 6.º lugar
- Melhor hotel da América do Sul: Rosewood São Paulo
Posições de outros hotéis brasileiros e lista parcial
O reconhecimento do Rosewood ocorre num contexto em que outros hotéis brasileiros recuaram no ranking. O icónico Copacabana Palace, do Rio de Janeiro, caiu para o 29.º posto —frente ao 11.º na edição anterior—. Também o Hotel das Cataratas, que figura na lista dos lugares entre 100.º e 51.º, surge em 77.º, uma posição abaixo da obtida em 2025; o mesmo hotel conta com três chaves no Guia Michelin.
O 50 Best Hotels 2026 apresentou uma lista variada, dominada por propriedades na Ásia e no Médio Oriente. Abaixo, os primeiros dez lugares anunciados:
| Posição | Hotel | Localização |
|---|---|---|
| 1 | Rosewood | Hong Kong |
| 2 | Capella | Bangcoc, Tailândia |
| 3 | Four Seasons | Bangcoc, Tailândia |
| 4 | Atlantis the Royal | Dubai |
| 5 | Passalacqua | Itália |
| 6 | Rosewood São Paulo | São Paulo, Brasil |
| 7 | Mandarin Oriental Qianmen | Pequim, China |
| 8 | Upper House | Hong Kong |
| 9 | Chablé Yucatán | Chocholá, México |
| 10 | Mandarin Oriental | Bangcoc, Tailândia |
Implicações para turismo e marca do país
O lugar elevado do Rosewood São Paulo traz visibilidade internacional ao mercado hoteleiro brasileiro e pode funcionar como catalisador para segmentos de turismo de luxo em São Paulo e no país. Ao mesmo tempo, a menção às disputas accionistas e ao afastamento do criador do projecto recorda que a governação corporativa e as alianças internacionais são determinantes na gestão de empreendimentos de alto valor simbólico.
Para o sector, manter‑se entre os melhores do mundo exige investimento consistente em produto, serviço e oferta cultural ou artística —áreas que o júri do 50 Best valorizou ao premiar a unidade paulistana. O recuo de outros hotéis brasileiros no ranking também evidencia competição crescente à escala global e a necessidade de adoptar estratégias que conciliem sustentabilidade, experiência e excelência operacional.
O 50 Best Hotels continuará a ser acompanhado por operadores turísticos, investidores e autoridades locais como um termómetro da atractividade de destinos e da capacidade dos hotéis de competir num mercado cada vez mais segmentado e globalizado.