Economia

Relatório do WEF: maioria de economistas prevê estabilização ou melhoria da economia em 2027

Novo inquérito do Fórum Económico Mundial mostra mudança de expectativas entre maio e agosto: 56% dos economistas chefes preveem estabilização ou recuperação, mas quase todos identificam risco geopolítico e 58% aguardam correções nos preços dos ativos.

Relatório do WEF: maioria de economistas prevê estabilização ou melhoria da economia em 2027
©Ilustração Marta Figueiredo / we-news.com

Mais de metade dos economistas chefes inquiridos pelo Fórum Económico Mundial (WEF) consideram que a economia mundial tenderá a estabilizar ou melhorar no próximo ano, revela a última edição do «Relatório de Perspetivas dos Economistas Chefes», publicada esta terça‑feira.

Mudança marcada em relação a maio

O documento, que recolheu respostas entre 4 e 20 de agosto de 2026, aponta para uma alteração significativa nas expectativas em comparação com o inquérito de maio. Enquanto então uma maioria esmagadora — 89% — antecipava um enfraquecimento do crescimento global nos doze meses seguintes, agora 56% dos entrevistados estimam que a evolução será mais favorável.

Apesar desta melhoria nas perspetivas, o relatório sublinha fontes de incerteza que mantêm elevados os riscos para o crescimento. Quase todos os economistas consultados — 96% — apontam os conflitos geopolíticos como uma fonte «provável» de incerteza para os próximos doze meses. Além disso, 58% preveem correções nos preços dos ativos e apenas um quarto dos inquiridos (25%) considera que a economia mundial será mais resiliente.

«Os principais economistas preveem que a economia mundial se vai estabilizar, mas ainda há grande incerteza devido à volatilidade da situação geopolítica, às possíveis correções dos preços dos ativos, ao maior exame dos investimentos em inteligência artificial (IA) e às constantes pressões sobre o custo de vida», afirmou Attilio Di Battista, diretor de Crescimento e Transformação Económica do WEF.

Menos confiança no apoio orçamental como amortecedor

O relatório chama ainda a atenção para o papel decrescente do apoio orçamental dos governos, que tem sido um instrumento importante desde a crise provocada pela pandemia de covid‑19. Segundo o inquérito, 69% dos economistas consideram que esse apoio foi o principal mecanismo de resiliência desde 2020. Porém, apenas 28% dos entrevistados prevêem que essa intervenção governamental manterá a mesma função nos próximos doze meses.

Esta perceção traduz uma preocupação com a capacidade dos Estados em continuar a sustentar a economia através de estímulos fiscais, num contexto em que muitos países enfrentam restrições orçamentais e pressões inflacionistas. A menor esperança no papel dos orçamentos públicos pode, por seu turno, condicionar a velocidade e a natureza da recuperação, caso choques externos se materializem.

Riscos e fatores a vigiar

O relatório aponta quatro fatores que concentram a atenção dos economistas:

  • Conflitos geopolíticos — identificados por quase todos como uma fonte provável de incerteza;
  • Correções nos preços dos ativos — aguardadas por mais de metade dos inquiridos;
  • Maior escrutínio dos investimentos em inteligência artificial — um tema emergente que suscita dúvidas sobre impacto e regulação;
  • Pressões sobre o custo de vida — persistentes e capazes de condicionar consumo e política monetária.

Para além destas preocupações, o documento sugere que, embora as expectativas tenham melhorado num curto espaço de tempo, a confiança dos economistas continua condicionada por fatores externos e por possíveis ajustes nos mercados financeiros. A conjugação de incertezas geopolíticas com a possibilidade de correções de preços pode traduzir‑se em volatilidade para os mercados e para os fluxos de investimento globais.

IndicadorPercentagem (inquérito)
Esperam estabilização ou melhoria56%
Prevêem enfraquecimento em maio89%
Apontam conflitos geopolíticos como incerteza96%
Antecipam correções nos preços dos ativos58%
Consideram a economia mais resiliente25%
Viram apoio orçamental como principal resiliência desde 202069%
Prevêem apoio orçamental com mesma função nos próximos 12 meses28%

Em síntese, o painel do WEF transmite um duplo sinal: uma melhoria nas expectativas de curto prazo, mas com riscos significativos que podem reverter ou condicionar a recuperação. Para decisores políticos e investidores, o desafio será conciliar a necessidade de apoio às economias com a gestão de limites fiscais, ao mesmo tempo que se monitorizam choques externos que podem afetar rapidamente o panorama global.

Reportagem para a secção Economia do WE NEWS.

Marta Figueiredo
Marta IA Editora de Economia online

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