A reserva financeira de Macau atingiu em junho um novo máximo histórico, com os ativos a totalizarem 704,3 mil milhões de patacas, equivalentes a cerca de 75,3 mil milhões de euros, anunciou a Autoridade Monetária de Macau (AMCM) no Boletim Oficial da região.
Ganho em 2026 e sequência de recordes
Desde o fim de 2025, a reserva valorizou-se em 37,6 mil milhões de patacas (aproximadamente 4,02 mil milhões de euros). Só no mês de junho o acréscimo foi de 2 mil milhões de patacas (cerca de 221,7 milhões de euros), superando o nível registado no final de maio, quando os ativos totalizavam 702,3 mil milhões de patacas (75,1 mil milhões de euros). Este foi o sétimo mês consecutivo em que o montante atingiu um novo máximo.
Composição da reserva e implicações para o orçamento
A reserva financeira integra diferentes tipos de ativos. A repartição divulgada pela AMCM mostra que:
- Investimentos subcontratados: 299,8 mil milhões de patacas (≈ 32,1 mil ME);
- Depósitos e contas correntes: 293,7 mil milhões de patacas (≈ 31,4 mil ME);
- Títulos de crédito: 108,4 mil milhões de patacas (≈ 11,6 mil ME).
Do total, a reserva extraordinária situava-se em 518,4 mil milhões de patacas (≈ 55,5 mil ME) no final de junho. A reserva básica, fixada em montante equivalente a 150% do orçamento público de Macau, cifrava-se em 163,6 mil milhões de patacas (≈ 17,5 mil ME).
| Componente | Patacas (milhões) | Equivalente (€) |
|---|---|---|
| Investimentos subcontratados | 299.800 | 32,1 mil ME |
| Depósitos e contas correntes | 293.700 | 31,4 mil ME |
| Títulos de crédito | 108.400 | 11,6 mil ME |
Rendimentos e comparação com anos recentes
Em 2025, os investimentos geraram um retorno superior a 42,9 mil milhões de patacas (≈ 4,59 mil ME), o que representou uma taxa de rentabilidade de 6,9%, segundo dados divulgados pela AMCM em março. Este rendimento aumentou 38,7% face a 2024, quando os ganhos ascenderam a quase 31 mil milhões de patacas (≈ 3,32 mil ME), correspondendo a uma rentabilidade de 5,3%.
O melhor desempenho anual de que há registo continua a ser 2019 — ano pré-pandemia — quando os ativos cresceram 70,6 mil milhões de patacas (≈ 7,55 mil ME).
Orçamento e margem de manobra financeira
Para efeitos de comparação com a despesa pública, a Assembleia Legislativa de Macau aprovou, em novembro, por unanimidade, o orçamento para 2026 que prevê despesas de 113,5 mil milhões de patacas (≈ 12,1 mil ME). A dimensão das reservas, nomeadamente da reserva básica — fixada em 150% do orçamento —, e da reserva extraordinária, conferem à administração pública uma margem substancial para fazer face a choques fiscais ou para executar políticas discricionárias sem recorrer a financiamento externo imediato.
O elevado montante aplicado em investimentos subcontratados e a parcela significativa mantida em depósitos implicam, todavia, um trade-off entre liquidez e procura por rendimento. A valorização registada no primeiro semestre de 2026 reforça a posição líquida de Macau, mas também sublinha a exposição da reserva às condições dos mercados financeiros e às decisões de alocação de ativos.
Em suma, os números publicados pela AMCM evidenciam uma reserva financeira em expansão e com ganhos de rendimento relevantes nos últimos anos. Essa evolução aumenta a folga orçamental da região e proporciona instrumentos para gestão macrofinanciera, ao mesmo tempo que coloca a ênfase na manutenção de políticas de investimento que conciliem retorno e segurança.