O presidente do PS/Açores advertiu esta quarta-feira para o risco de redução de emprego e de rendimento nas famílias do arquipélago, na sequência da queda do número de passageiros desembarcados nos aeroportos regionais, que em julho registou uma diminuição de cerca de 4,3% face ao período homólogo.
Dados e interpretação política
Segundo o Serviço Regional de Estatística, julho apresentou perto de 296.000 desembarques nos aeroportos açorianos, representando o sétimo mês consecutivo em que os números retrocedem face ao ano anterior. Para Francisco César, líder da bancada social-democrata e presidente do PS/Açores, estes valores não constituem «uma oscilação pontual», mas antes «uma tendência» com potencial de repercussão económica.
«Precisamos de uma política de turismo sustentável, planeada com antecedência e articulada com uma estratégia de transportes aéreos que assegure ligações regulares, preços competitivos e estabilidade ao longo de todo o ano. E precisamos de promover todas as ilhas».
O dirigente comentou a publicação na sua página de rede social, sublinhando que, caso a tendência se mantenha, os efeitos poderão deixar de se notar apenas nas estatísticas e traduzir-se em menos emprego, menos rendimento para as famílias e na perda de rentabilidade dos investimentos realizados no sector.
Críticas à governação regional
Na intervenção pública, Francisco César responsabilizou o Governo Regional por uma estratégia que considera frágil nas áreas das acessibilidades aéreas e da promoção externa dos Açores. À secretária regional responsável pelo turismo e à entidade Visit Azores dirigiu críticas sobre falta de planeamento, instabilidade e liderança.
Segundo o líder da oposição, empresários do sector terão sido deixados «sem resposta e entregues a si próprios» depois de terem apostado no crescimento turístico, investido e contratado pessoal. Essa exposição, alertou, torna o tecido económico mais vulnerável perante oscilações de procura.
Propostas do PS/Açores
O PS/Açores, referiu o deputado, tem apresentado propostas concretas para inverter a tendência: entre as medidas apontadas estão a criação de um fundo de captação de rotas aéreas, o reforço da promoção externa da região e uma «reorganização total» dos organismos responsáveis pela promoção turística.
- Fundo de captação de rotas aéreas para garantir ligações regulares;
- Reforço da promoção externa e da notoriedade dos Açores;
- Reorganização dos organismos de promoção turística e clarificação de competências.
Impactos locais e contexto insular
Os Açores, arquipélago com forte dependência do turismo e das ligações aéreas para o seu abastecimento económico, enfrentam assim um cenário em que a regularidade das rotas e a competitividade tarifária são determinantes para a sustentabilidade de muitos negócios, em especial nas ilhas menores. A sazonalidade e a elasticidade da procura tornam a região particularmente sensível a alterações nas acessibilidades e na perceção externa.
Sem medidas que garantam estabilidade ao longo do ano e promovam de forma eficaz todas as ilhas, alertam responsáveis políticos e agentes do sector, existe o risco de aceleração de efeitos negativos sobre emprego e rendimento, com consequências sociais em comunidades insulares dependentes do turismo.
Quadro estatístico
| Indicador | Valor (julho) |
|---|---|
| Desembarques nos aeroportos açorianos | ~296.000 |
| Variação homóloga | -4,3% |
| Meses consecutivos em queda | 7 |
A leitura política dos números coloca o Governo Regional sob pressão para responder com políticas que articulem turismo e transportes. A falta de dados adicionais públicos sobre composição dos passageiros (nacionais versus internacionais) ou ocupação hotelaria limita, para já, uma análise mais detalhada sobre onde exactamente se concentram as perdas.
Enquanto decorre o debate político, empresários e trabalhadores do sector aguardam clarificações sobre medidas concretas que travem a erosão da procura e protejam investimentos feitos com base em expectativas de crescimento turístico. Para muitas comunidades insulares, o equilíbrio entre comunicação, promoção e acessibilidade aérea será decisivo para manter a actividade económica ligada ao mar e às paisagens que atraem visitantes ao arquipélago.