Uma equipa de estudantes portugueses desenvolveu o SEIVA, uma infraestrutura concebida para a deteção ultra-precoce de incêndios florestais que promete identificar anomalias térmicas nos estádios iniciais da ignição. O projeto alcançou o 9.º lugar entre os melhores projetos da European Innovation Academy (EIA) e arrecadou três prémios, incluindo um apoio financeiro condicionado de 10 mil euros.
O que é o SEIVA e como funciona
Segundo a equipa, o SEIVA baseia-se em dispositivos capazes de operar sem fontes de energia activas — ou seja, sem baterias nem painéis solares — o que o caracteriza como uma solução passiva. A ideia central é captar variações térmicas muito precoces, antes de um fogo se tornar visível ou nos primeiros instantes após a ignição, aumentando assim o tempo disponível para intervir e reduzir a probabilidade de propagação.
«infraestrutura passiva de deteção ultra-precoce de incêndios florestais, baseada em dispositivos que não necessitam de baterias nem de painéis solares»
O objetivo declarado pelos responsáveis é construir uma rede de deteção de longa duração com manutenção quase nula, especialmente útil em áreas onde soluções existentes se tornam difíceis de escalar ou economicamente inviáveis.
Equipa e reconhecimento
Tratando‑se de uma equipa inteiramente composta por estudantes portugueses, o projeto integrou participantes de várias instituições de ensino superior:
- Pedro Ferreira Borges — CEO, Universidade do Minho
- André Gomes — CPO, Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto
- Nuno Coutinho — CMO, Faculdade de Economia da Universidade do Porto
- Rodrigo Duarte — Instituto Superior Técnico
A classificação no concurso da EIA coloca o SEIVA no Top 10 entre dezenas de equipas internacionais. Para além da distinção competitiva, a equipa recebeu vários prémios que visam apoiar a fase seguinte de desenvolvimento e comercialização.
| Prémio | O que inclui |
|---|---|
| Prémio da EIA | Apoio de 10 000 euros condicionado a resultados e evolução no mercado |
| Entrada direta | Final da próxima edição dos Santander X Awards University (prémio de 5 000 euros em disputa) |
| Unicorn Factory Lisboa | Sessões de apresentação, contactos e mentoria |
Impacto prático e próximos passos
Do ponto de vista prático, a proposta do SEIVA tenta colmatar lacunas das tecnologias atuais de monitorização: muitas soluções exigem fontes de energia regulares, manutenção frequente ou custos que limitam a sua escala em áreas remotas. Um sistema passivo de longa duração pode reduzir custos operacionais e permitir uma cobertura mais alargada, tanto em zonas de difícil acesso como em territórios onde o retorno económico dificulta a instalação em grande escala.
Entre os desafios imediatos referidos pela equipa está a necessidade de escalação do produto e a construção de unidades em quantidade para demonstrar desempenho em campo. Os apoios recebidos destinam-se a ajudar exatamente essa transição do protótipo para uma solução comercializável, com apoio de mentoria e acesso a redes de contacto especializadas.
- Reconhecimento internacional no formato EIA que valida o potencial do projeto
- Apoios financeiros e de mentoria destinados a acelerar a fase de produção
- Foco em redução de manutenção e viabilidade económica para cobertura alargada
O SEIVA é um exemplo de como equipas académicas podem conceber soluções tecnológicas com impacto directo em problemas nacionais como o combate a incêndios florestais. A evolução do projeto dependerá agora da capacidade de transformar protótipos em unidades replicáveis e de provar a eficácia da deteção ultra‑precoce em cenários reais.