Hortas escolares como ferramenta pedagógica e alimentar
Alunos das Escolas Municipais de Educação Básica (EMEBs) de Serra Negra participaram, ao longo deste mês, na colheita de verduras e legumes nas hortas das unidades de ensino, no âmbito do Projeto Horta nas Escolas. Além da colheita, as crianças e jovens procedem também ao plantio de novas mudas, garantindo a continuidade das actividades práticas.
O projecto, implantado em 2021 e presente hoje em todas as unidades municipais de educação de Serra Negra, conta com apoio técnico da Secretaria de Agricultura — responsável pelo preparo das mudas e pela orientação sobre cultivos — e do Fundo Social de Solidariedade. Segundo a autarquia, os produtos gerados nas hortas são aproveitados na alimentação escolar, aproximando os estudantes dos processos de produção e consumo de hortícolas.
Aprendizagem prática, hábitos alimentares e envolvimento da comunidade escolar
Nas comunas insulares, como a Horta, iniciativas idênticas têm particular impacto por duas razões: a menor escala territorial torna a produção local mais visível e o custo de abastecimento externo realça a importância de práticas que promovam a auto-suficiência alimentar.
Do ponto de vista pedagógico, as hortas oferecem um palco para integrar conteúdos curriculares e competências transversais: desde ciências da natureza e sustentabilidade até trabalho em equipa e responsabilidade colectiva. A nota oficial da Câmara de Serra Negra realça o papel activo dos diferentes agentes escolares no sucesso do projecto.
«Um dos diferenciais do projeto é a participação ativa de diretores, professores, atendentes e demais profissionais das unidades escolares, que aderiram à iniciativa e contribuem de forma significativa para o seu desenvolvimento.»
O envolvimento da equipa escolar facilita a inserção das hortas na rotina educativa, transformando o cultivo numa experiência de aprendizagem colectiva. Para as ilhas, onde a ligação à terra e ao mar é parte do quotidiano, estas experiências reforçam também o conhecimento sobre ciclos naturais e sazonalidade.
- Projeto implantado em 2021;
- Apoio técnico da Secretaria de Agricultura e do Fundo Social;
- Alimentos produzidos são utilizados na alimentação dos estudantes;
- Presente em todas as unidades de educação municipal de Serra Negra.
Potencial replicação e benefícios para a Horta
Embora os dados da iniciativa se refiram a Serra Negra, a experiência sublinha modelos e práticas que podem ser avaliados e adaptados por Autarquias e Agrupamentos de Escolas na Horta. Entre os benefícios mais evidentes enumeram-se:
- Promoção de hábitos alimentares mais saudáveis entre os alunos;
- Redução de desperdício e melhor aproveitamento dos alimentos produzidos localmente;
- Formação prática em sustentabilidade e agricultura urbana/ periurbana;
- Fortalecimento do sentido de comunidade e responsabilidade coletiva nas escolas.
Para o arquipélago dos Açores, a apropriação de práticas como a do Projeto Horta nas Escolas pode ainda contribuir para iniciativas mais amplas de soberania alimentar, diminuição da pegada logística associada ao transporte de géneros e valorização de produtos regionais. As ilhas dispõem, por natureza, de uma relação íntima com a terra e com o mar; projetos escolares que recuperam e modernizam esse laço tendem a ser bem recebidos pelas comunidades.
| Elemento | Descrição |
|---|---|
| Início | 2021 |
| Apoios | Secretaria de Agricultura; Fundo Social de Solidariedade |
| Uso dos produtos | Alimentação dos estudantes |
| Alcance | Todas as unidades municipais de educação de Serra Negra |
O êxito do projecto em Serra Negra suscita, portanto, questões práticas para a Horta: como articular apoio técnico semelhante às escolas locais? Que recursos humanos e logísticos seriam necessários? Que parcerias com associações agrícolas e com a comunidade local poderiam potenciar estes resultados?
Na observação diária das ilhas, onde cada palmo de terreno cultivado tem significado económico e cultural, as hortas escolares ganham relevância acrescida. São espaços onde se aprende a cultivar, a cozinhar, a partilhar e a valorizar o que o campo insular ainda produz — competências que dialogam directamente com os desafios e oportunidades da vida na Horta.
Reportagem local: correspondência sobre práticas educativas e agrícolas que atravessam continentes e que, adaptadas à insularidade, podem reforçar a resiliência alimentar e educativa das comunidades açorianas.