O 360Dreams, um projecto que recorre a vídeos em 360 graus e realidade virtual para proporcionar momentos de evasão a crianças sujeitas a internamentos prolongados, conquistou o segundo lugar na 22.ª edição do concurso nacional Poliempreende.
Desenvolvido por Leonardo Abreu, estudante da Universidade Politécnica de Tomar (UPT), em parceria com Joaquim Abreu, o projecto nasceu da proximidade com a realidade das unidades de oncologia pediátrica. A ideia foi pensada para que, a partir do leito hospitalar, uma criança possa «mergulhar no oceano, viajar pelo espaço ou entrar num museu», através de conteúdos audiovisuais imersivos acompanhados por som ambiente, música, voz e narração.
Da observação à proposta
Segundo a descrição do projecto, a génese do 360Dreams resultou de uma conversa entre o estudante e uma responsável da Unidade de Oncologia Pediátrica do Hospital Central do Funchal, que o sensibilizou para as dificuldades enfrentadas por crianças em tratamentos prolongados. Com formação em pós‑graduação em Marketing Digital, Inteligência Artificial e Projectos Digitais na UPT, Leonardo Abreu transformou essa preocupação em uma solução com forte componente social.
Ao contrário de muitas iniciativas surgidas em concursos de empreendedorismo, a equipa sublinha que a vertente social do projecto se sobrepõe a um eventual retorno financeiro. A intenção é, sobretudo, atenuar o impacto emocional e psicológico do internamento através de experiências que contribuam para a distração, conforto e bem‑estar das crianças.
Reconhecimento e próximos passos
O segundo lugar atribuído ao 360Dreams foi anunciado na fase final do Poliempreende, que decorreu entre 31 de Agosto e 4 de Setembro na Universidade do Algarve e reuniu propostas de diversas instituições de ensino superior.
A equipa tem agora previstas reuniões para avaliar a criação de um projecto‑piloto que permita testar a iniciativa em ambiente hospitalar e reunir as condições técnicas e logísticas necessárias à sua implementação.
- Objectivo: proporcionar experiências imersivas a crianças durante internamentos prolongados.
- Tecnologia: vídeos a 360 graus e realidade virtual, com som ambiente, música e narração.
- Origem: proposta desenvolvida por estudante da Universidade Politécnica de Tomar após contacto com unidade de oncologia pediátrica.
- Reconhecimento: segundo lugar na 22.ª edição do concurso Poliempreende.
| Item | Dados |
|---|---|
| Edição do Poliempreende | 22.ª |
| Posição alcançada | Segundo lugar |
| Fase final | 31 de Agosto a 4 de Setembro — Universidade do Algarve |
A concretização do projecto‑piloto dependerá da articulação com unidades hospitalares, da obtenção dos equipamentos e conteúdos específicos e da definição de protocolos que garantam a segurança e adequação das experiências à situação clínica das crianças. Esses passos serão determinantes para avaliar a eficácia das sessões imersivas como complemento às práticas de apoio psicossocial existentes.
Para além do benefício imediato em termos de entretenimento e fuga temporária ao ambiente hospitalar, a proposta coloca questões relevantes sobre a integração de tecnologias digitais no acompanhamento de doentes pediátricos — desde a formação de equipas, à adaptação de conteúdos a diferentes idades e estados de saúde, passando pela avaliação do impacto terapêutico dessas intervenções.
Ao destacar a componente social como prioridade, o 360Dreams insere‑se numa tendência crescente de iniciativas que procuram aliar inovação tecnológica a respostas concretas a necessidades sanitárias e sociais. A evolução do projecto será acompanhada com interesse por instituições de saúde, entidades académicas e potenciais parceiros que possam viabilizar a sua generalização.