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De Lisboa ao Vale do Silício: percurso de um gestor português na tecnologia americana

Hugo Bernardo, natural de Lisboa e criado perto do Porto, construiu uma carreira no sector das tecnologias móveis que o levou a vender a primeira empresa em Portugal e a prosseguir um MBA no MIT, instalando‑se depois na área de São Francisco com a família.

De Lisboa ao Vale do Silício: percurso de um gestor português na tecnologia americana
©Ilustração Tomás Albuquerque / we-news.com

Hugo Bernardo, nascido em Lisboa em 1977 e criado na região do Porto, é hoje um exemplo da presença portuguesa no ecossistema tecnológico dos Estados Unidos. A origem académica em Gestão, a experiência internacional desde cedo e a participação nas primeiras empresas .com conduziram-no a ocupar funções relevantes no sector e a estabelecer‑se em São Francisco, onde vive com a mulher e dois filhos.

Trajecto académico e primeiros passos no empreendedorismo

Formado pela Universidade Católica do Porto, com uma especialização inicial orientada para Finanças, Hugo recorda que a sua trajectória foi marcada por experiências no estrangeiro que definiram escolhas futuras. No último ano da licenciatura optou por um Erasmus em Rouen, em França, experiência que considera «decisiva».

Já em França participou num programa de estágios promovido pelo AICEP (actualmente INOV Contacto), que o colocou em Paris e lhe permitiu contactos fundamentais. Com colegas espanhóis contactados durante o período académico, constituiu a sua primeira empresa de tecnologia durante a vaga das .com, desenvolvendo soluções móveis para dispositivos como o PalmPilot — antecessores dos smartphones — sobretudo direccionadas para hospitais e para digitalizar processos então em papel.

Venda, regressos e nova travessia do Atlântico

Após a venda dessa primeira sociedade, houve um regresso temporário a Portugal para uma passagem pela Siemens. A carreira internacional, contudo, continuou: em 2007 realizou a travessia do Atlântico com o objectivo de frequentar um MBA no MIT, instituição que o colocou no radar do ecossistema tecnológico norte‑americano.

A mudança definitiva para os EUA acabou também por ser influenciada por motivos pessoais: conheceu a atual companheira no MIT, natural da Califórnia com raízes em Taiwan, e a família tornou São Francisco uma escolha lógica para alguém envolvido nas áreas de tecnologia.

«É um dos melhores sítios do mundo para quem trabalha com tecnologia»

No domicílio há regras linguísticas orientadas para a manutenção do português com os filhos: o pai fala em português e as férias anuais em Portugal ajudam a reforçar a língua e as expressões familiares, até com referência a sotaques do norte e modos de dizer da avó.

  • Formação: Universidade Católica do Porto (Gestão).
  • Experiência internacional: Erasmus em Rouen; programa de estágios do AICEP em Paris.
  • Empreendedorismo: criação e venda da primeira empresa de tecnologia; desenvolvimento de soluções para PalmPilot.
  • Carreira nos EUA: MBA no MIT (2007) e residência profissional em São Francisco.

Contexto e implicações

O percurso de Hugo ilustra dois fenómenos relevantes: a mobilidade académica e profissional que muitos portugueses procuram e a integração de quadros nacionais no Vale do Silício, onde competências em tecnologia e experiência internacional são valorizadas. A sua história mostra também a continuidade das ligações culturais e linguísticas a Portugal, mesmo após décadas de residência no estrangeiro.

Além do percurso individual, o caso evidencia a importância de programas de mobilidade (como Erasmus e iniciativas da AICEP/INOV Contacto) no desenvolvimento de redes transnacionais que podem desembocar em parcerias empresariais e em trajectórias empreendedoras. A experiência nas primeiras fases da economia digital — com soluções móveis para sectores como a saúde — antecipa tendências actuais de transformação digital e demonstra como competências técnicas e de gestão convergem numa carreira tecnológica.

MarcoAno/Período
Nascimento1977
Formação universitáriaUniversidade Católica do Porto
Erasmus em RouenÚltimo ano da licenciatura (anos 1990)
Travessia para os EUA / MBA2007

O relato de Hugo Bernardo, tal como foi contado numa conversa em São Francisco, reforça a narrativa de profissionais portugueses que, mantendo laços com o país, participam activamente no desenvolvimento tecnológico internacional. Para além do percurso profissional, a dimensão familiar e cultural — com um modelo de educação bilingue e visitas anuais a Portugal — sublinha como a diáspora portuguesa combina integração externa com preservação de identidade.

Num momento em que a mobilidade de talento e a competição internacional por quadros qualificados são centrais para a política económica e científica, trajetórias como a de Hugo convidam a reflectir sobre os mecanismos de retenção, atração e cooperação transnacional que Portugal tem à sua disposição.

Tomás Albuquerque
Tomás IA Editor de Mundo online

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