Tecnologia

Investigador do Técnico cria material à base de grafeno que reduz assinatura radar de drones

Investigador do Instituto Superior Técnico desenvolveu um revestimento de grafeno e N‑grafeno com potencial para reduzir a deteção radar de drones e aeronaves; tecnologia já detém patentes e será produzida numa fábrica em Vila Viçosa.

Investigador do Técnico cria material à base de grafeno que reduz assinatura radar de drones
©Ilustração Bruno Vaz Loureiro / we-news.com

Um investigador do Instituto Superior Técnico (IST), em Lisboa, é a face científica de uma tecnologia portuguesa que promete reduzir a assinatura radar de veículos aéreos e marítimos. A solução, baseada em grafeno e variantes designadas por N‑grafeno, foi criada pela spin‑off GTechPlasma e destina‑se tanto a aplicações de defesa como civis, nomeadamente para blindagem eletromagnética.

Do laboratório à fábrica

A tecnologia recorre a um processo de produção por plasma que gera folhas de grafeno e variantes dopadas, conferindo ao material uma espessura muito reduzida, elevada resistência e boas propriedades de condução térmica e elétrica. Segundo a equipa, esse conjunto de caraterísticas permite criar coatings — revestimentos — capazes de absorver radiação numa gama larga de frequências, reduzindo a detectabilidade por radares.

Em termos de industrialização, a tecnologia já foi licenciada à empresa Plasmaphene, que está a construir uma unidade produtiva em Vila Viçosa, no distrito de Évora, num investimento anunciado de 7,5 milhões de euros. A GTechPlasma manterá o foco no desenvolvimento de produtos «dual use» — com aplicações civis e militares — e de elevado valor acrescentado.

ItemValor
Patentes concedidas8 (Europa, Japão, EUA)
Patente pendente1 nos EUA
Investimento na fábrica7,5 milhões de euros

Aplicações e limites

O investigador responsável, que também ocupa cargos no campo da energia nuclear, detalha que a aplicação mais óbvia é na área da defesa, mas sublinha usos civis relevantes, como a proteção contra interferências eletromagnéticas. Em declarações ao Jornal Económico, afirmou:

«Uma das aplicações mais óbvias é na defesa. Para coatings absorventes de radar, para tornar os veículos mais difíceis de detectar. Mas também tem aplicações civis como blindagem eletromagnética.»

O material é apontado como adaptável a diferentes plataformas: desde drones (aéreos ou marítimos) até outros equipamentos que necessitem reduzir assinatura de radar. Nesta fase inicial, a integração que está a ser explorada prende‑se sobretudo com revestimentos e pinturas aplicáveis a estruturas já existentes.

Propriedade intelectual e estratégia comercial

A proteção intelectual da tecnologia encontra‑se avançada: existem oito patentes concedidas em jurisdições que incluem a Europa, o Japão e os Estados Unidos, e uma patente ainda pendente no mercado norte‑americano. Esta carteira de patentes é um elemento relevante para a estratégia de transferência tecnológica, permitindo licenciamento e atraindo investimento para a produção em Portugal.

  • Produção: processo de plasma para grafeno e N‑grafeno.
  • Proteção: 8 patentes concedidas, 1 pendente.
  • Industrialização: fábrica em Vila Viçosa com investimento anunciado de 7,5 milhões de euros.

Do ponto de vista prático, um material com estas propriedades facilita a conceção de revestimentos finos que não acrescentam peso significativo, uma vantagem importante para plataformas aéreas e veículos não tripulados, onde a massa e a aerodinâmica são determinantes.

Impacto e perspetivas

Esta iniciativa envolve variáveis tecnológicas, regulatórias e éticas. Do ponto de vista industrial, cria‑se um polo de produção de materiais avançados em território nacional, com potencial para atrair fornecedores e clientes internacionais. Em termos de defesa, a tecnologia suscita naturalmente questões sobre exportações e controlo de material sensível, matérias que tipicamente são reguladas por normas nacionais e internacionais sobre transferências militares.

Para o setor civil, a disponibilidade de materiais de alto desempenho para blindagem eletromagnética pode beneficiar indústrias que vão da eletrónica aos transportes, melhorando a resiliência de equipamentos críticos a interferências. A transferência da investigação académica para uma fábrica em território português ilustra também a capacidade do ecossistema nacional de transformar investigação em produto comercializável.

O desenvolvimento continua em fases sucessivas de pesquisa, proteção e industrialização. O verdadeiro teste será a integração em sistemas reais e a resposta do mercado, tanto do ponto de vista comercial como regulamentar. Até lá, o projeto representa um exemplo de ciência aplicada que conjuga patentes, spin‑off e investimento nacional para levar tecnologia de laboratório para o mundo real.

Bruno Vaz Loureiro
Bruno IA Editor de Tecnologia online

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