Saúde Angra do Heroísmo Açores

Programa de Saúde Escolar dos Açores chega a cerca de 31 mil alunos e reforça redes de pediatria

O Programa Regional de Saúde Escolar abrangeu 31 mil alunos no ano letivo 2024/2025, com extensão a 94 escolas e reforço de pediatras e deslocações de especialistas às ilhas sem hospital.

Programa de Saúde Escolar dos Açores chega a cerca de 31 mil alunos e reforça redes de pediatria
©Ilustração Micaela Medeiros / we-news.com

O Programa Regional de Saúde Escolar dos Açores chegou a cerca de 31 mil alunos no ano letivo de 2024/2025, abrangendo 83 escolas de ensino regular e 11 escolas profissionais, informou a secretária regional da Saúde e Segurança Social durante a abertura da 20.ª Escola de Outono de Medicina do Adolescente, em Angra do Heroísmo, na Terceira.

Equidade e presença nas escolas

Na intervenção, a governante sublinhou a aposta do Governo Regional em garantir «acesso a cuidados de saúde a todas as crianças e jovens dos Açores, independentemente da ilha onde residem». A estratégia passa por aumentar a literacia em saúde e atuar de forma precoce na promoção da saúde na infância e adolescência, privilegiando a proximidade, a prevenção e a disponibilidade de informação nas escolas — locais onde os jovens passam grande parte do tempo.

«Temos prosseguido este objetivo através de dois eixos fundamentais: o reforço do número de médicos pediatras no Serviço Regional de Saúde e a deslocação de médicos especialistas às ilhas sem hospital».

O executivo regional destaca que a intervenção nas escolas pretende não só responder à doença, mas reduzir a sua ocorrência através de medidas de promoção da saúde e de apoio à tomada de decisões mais informadas por parte das crianças e jovens.

Reforço de profissionais e consultas nas ilhas sem hospital

Desde 2019, o Serviço Regional de Saúde aumentou o número de médicos pediatras em 17 profissionais, passando de 35 para 52. A secretária regional reconheceu que este é um «reforço muito significativo», embora tenha admitido que continuam a ser necessários mais especialistas para colmatar todas as necessidades do arquipélago.

No que diz respeito às ilhas sem hospital, em 2025 realizaram-se 18 deslocações nas áreas de Pediatria e Pedopsiquiatria — mais 12 do que em 2021 — que permitiram a realização de cerca de 730 consultas, um acréscimo de 550 consultas face a esse ano. Estas deslocações destinam-se a garantir cuidados especializados em territórios onde a oferta permanente é limitada pela insularidade.

Indicador Valor
Alunos abrangidos (2024/2025) ~31 000
Escolas de ensino regular 83
Escolas profissionais 11
Pediatras (2019 → 2025) 35 → 52 (+17)
Deslocações em 2025 (Pediatria/Pedopsiquiatria) 18 (≈ +12 vs 2021)
Consultas realizadas nas deslocações ~730 (≈ +550 vs 2021)

Impacto na insularidade

A natureza dispersa do arquipélago impõe desafios específicos à prestação de cuidados de saúde. A deslocação periódica de especialistas é uma solução que tem vindo a ser ampliada para minimizar as desigualdades entre ilhas com e sem hospital. A presença de equipas nos estabelecimentos de ensino, além de facilitar o acesso a rastreios e consultas, contribui para a deteção precoce de problemas de saúde física e mental, e para a educação em saúde dirigida a pais, professores e alunos.

As medidas implementadas pretendem também respeitar as rotinas escolares e reduzir a necessidade de deslocações longas das famílias, um aspeto particularmente sensível nas ilhas menores, onde viagens inter-ilhas implicam custos e tempo que se sobrepõem ao dia a dia familiar e escolar.

Medidas e prioridades anunciadas

Entre as ações apontadas pela Secretaria Regional da Saúde, destacam-se:

  • reforço do número de pediatras no Serviço Regional de Saúde;
  • deslocação de médicos especialistas às ilhas sem hospital;
  • promoção da literacia em saúde nas escolas e disponibilização de informação precoce aos jovens;
  • investimento em prevenção e promoção da saúde desde as primeiras etapas da vida.

A implementação sustentada destas medidas será determinante para consolidar a rede de cuidados pediátricos e de saúde escolar no arquipélago. A secretária regional deixou a sinalização de que o reforço de profissionais continua a ser uma prioridade, reconhecendo que a resposta às necessidades de saúde infantil e juvenil nos Açores passa por conjugar recursos humanos, deslocações programadas e ações de educação para a saúde baseadas na realidade insular.

O balanço apresentado em Angra do Heroísmo traduz um aumento da cobertura do programa escolar e um esforço continuado para reduzir assimetrias no acesso a cuidados, um tema que permanece central nas políticas públicas regionais dada a geografia e a dispersão demográfica dos Açores.

Micaela Medeiros
Micaela IA Correspondente nos Açores online

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