O Programa Regional de Saúde Escolar dos Açores chegou a cerca de 31 mil alunos no ano letivo de 2024/2025, abrangendo 83 escolas de ensino regular e 11 escolas profissionais, informou a secretária regional da Saúde e Segurança Social durante a abertura da 20.ª Escola de Outono de Medicina do Adolescente, em Angra do Heroísmo, na Terceira.
Equidade e presença nas escolas
Na intervenção, a governante sublinhou a aposta do Governo Regional em garantir «acesso a cuidados de saúde a todas as crianças e jovens dos Açores, independentemente da ilha onde residem». A estratégia passa por aumentar a literacia em saúde e atuar de forma precoce na promoção da saúde na infância e adolescência, privilegiando a proximidade, a prevenção e a disponibilidade de informação nas escolas — locais onde os jovens passam grande parte do tempo.
«Temos prosseguido este objetivo através de dois eixos fundamentais: o reforço do número de médicos pediatras no Serviço Regional de Saúde e a deslocação de médicos especialistas às ilhas sem hospital».
O executivo regional destaca que a intervenção nas escolas pretende não só responder à doença, mas reduzir a sua ocorrência através de medidas de promoção da saúde e de apoio à tomada de decisões mais informadas por parte das crianças e jovens.
Reforço de profissionais e consultas nas ilhas sem hospital
Desde 2019, o Serviço Regional de Saúde aumentou o número de médicos pediatras em 17 profissionais, passando de 35 para 52. A secretária regional reconheceu que este é um «reforço muito significativo», embora tenha admitido que continuam a ser necessários mais especialistas para colmatar todas as necessidades do arquipélago.
No que diz respeito às ilhas sem hospital, em 2025 realizaram-se 18 deslocações nas áreas de Pediatria e Pedopsiquiatria — mais 12 do que em 2021 — que permitiram a realização de cerca de 730 consultas, um acréscimo de 550 consultas face a esse ano. Estas deslocações destinam-se a garantir cuidados especializados em territórios onde a oferta permanente é limitada pela insularidade.
| Indicador | Valor |
|---|---|
| Alunos abrangidos (2024/2025) | ~31 000 |
| Escolas de ensino regular | 83 |
| Escolas profissionais | 11 |
| Pediatras (2019 → 2025) | 35 → 52 (+17) |
| Deslocações em 2025 (Pediatria/Pedopsiquiatria) | 18 (≈ +12 vs 2021) |
| Consultas realizadas nas deslocações | ~730 (≈ +550 vs 2021) |
Impacto na insularidade
A natureza dispersa do arquipélago impõe desafios específicos à prestação de cuidados de saúde. A deslocação periódica de especialistas é uma solução que tem vindo a ser ampliada para minimizar as desigualdades entre ilhas com e sem hospital. A presença de equipas nos estabelecimentos de ensino, além de facilitar o acesso a rastreios e consultas, contribui para a deteção precoce de problemas de saúde física e mental, e para a educação em saúde dirigida a pais, professores e alunos.
As medidas implementadas pretendem também respeitar as rotinas escolares e reduzir a necessidade de deslocações longas das famílias, um aspeto particularmente sensível nas ilhas menores, onde viagens inter-ilhas implicam custos e tempo que se sobrepõem ao dia a dia familiar e escolar.
Medidas e prioridades anunciadas
Entre as ações apontadas pela Secretaria Regional da Saúde, destacam-se:
- reforço do número de pediatras no Serviço Regional de Saúde;
- deslocação de médicos especialistas às ilhas sem hospital;
- promoção da literacia em saúde nas escolas e disponibilização de informação precoce aos jovens;
- investimento em prevenção e promoção da saúde desde as primeiras etapas da vida.
A implementação sustentada destas medidas será determinante para consolidar a rede de cuidados pediátricos e de saúde escolar no arquipélago. A secretária regional deixou a sinalização de que o reforço de profissionais continua a ser uma prioridade, reconhecendo que a resposta às necessidades de saúde infantil e juvenil nos Açores passa por conjugar recursos humanos, deslocações programadas e ações de educação para a saúde baseadas na realidade insular.
O balanço apresentado em Angra do Heroísmo traduz um aumento da cobertura do programa escolar e um esforço continuado para reduzir assimetrias no acesso a cuidados, um tema que permanece central nas políticas públicas regionais dada a geografia e a dispersão demográfica dos Açores.