Uma equipa da Escola Secundária Públia Hortênsia de Castro, de Vila Viçosa, alcançou a final nacional da 12.ª edição do programa Apps for Good, marcada para 18 de setembro, no Pavilhão do Conhecimento, em Lisboa, com o projecto Smart Eco‑Horta (Saberes com Raízes). A iniciativa, que combina Internet das Coisas, compostagem e energia solar, visa apoiar a gestão de uma horta intergeracional e dinamizar a transmissão de saberes entre gerações.
Da escola à comunidade: tecnologia ao serviço dos saberes locais
Segundo o comunicado do CDI Portugal, entidade responsável pelo programa, o projecto foi apurado no Encontro Regional Centro‑Sul, que reuniu 46 projectos desenvolvidos por mais de uma centena de alunos de 26 escolas e 16 municípios. A Smart Eco‑Horta foi seleccionada na categoria de Ensino Secundário e destaca‑se pela componente prática — uma estufa automatizada cujo funcionamento é monitorizado por sensores e controlado através de uma aplicação móvel — e pela intenção explícita de ligar jovens e pessoas idosas na gestão do espaço.
Para as ilhas, onde a agricultura familiar, a horta de subsistência e os laços intergeracionais são frequentemente centrais à vida quotidiana, este tipo de soluções traz duas vantagens evidentes: combina inovação tecnológica com práticas agrícolas adaptadas ao território e promove a valorização do conhecimento tradicional através de ferramentas digitais que podem ser replicadas em contextos rurais e insulares.
Objectivos sociais e ambientais
O projecto está associado ao Objectivo de Desenvolvimento Sustentável 13 (ação climática) e pretende, segundo o CDI Portugal, fomentar a partilha de conhecimentos sobre agricultura e sustentabilidade. A aplicação apoia a gestão da horta enquanto a componente intergeracional procura reunir práticas locais de cultivo, técnicas de compostagem e estratégias de eficiência energética.
«Quando um jovem deixa de ser apenas consumidor e passa a criador de tecnologia, transforma‑se a sua perceção sobre aquilo que é possível», afirmou João Baracho, director‑executivo do CDI Portugal, sobre o impacto do programa.
A final nacional irá decorrer no dia 18 de setembro, começa às 10h00 e reúne 30 projectos das várias categorias do ensino. O momento institucional está agendado para as 17h30, com intervenções públicas e apresentação das equipas finalistas.
O exemplo que chega a Horta
Nas ilhas, onde terrenos domésticos e hortas comunitárias continuam a funcionar como espaços de convívio e subsistência, a ideia de integrar sensores, automação e energia solar pode ser particularmente útil. Para além de optimizar recursos hídricos e energéticos — preocupações centrais num arquipélago sujeito a restrições de abastecimento em momentos de seca ou consumo elevado —, a aproximação intergeracional contribui para a manutenção dos saberes tradicionais, muitas vezes transmitidos oralmente.
- Evento: Final nacional do Apps for Good
- Data: 18 de setembro
- Local: Pavilhão do Conhecimento, Lisboa
- Participação regional: projecto Smart Eco‑Horta, categoria Ensino Secundário
A presença de equipas escolares em iniciativas deste tipo reforça a ligação entre educação, tecnologia e território. Para as escolas da Horta e das restantes ilhas dos Açores, a experiência representa uma oportunidade de diálogo sobre como a inovação pode servir a resiliência das comunidades insulares — desde a redução do desperdício até à partilha intergeracional de técnicas de cultivo adaptadas ao clima atlântico.
| Indicador | Valor |
|---|---|
| Projectos no encontro regional | 46 |
| Alunos envolvidos | Mais de 100 |
| Escolas participantes | 26 |
| Municípios representados | 16 |
| Projectos na final nacional | 30 |
Ao apostar numa leitura prática do ensino e na resolução de problemas locais através da tecnologia, programas como o Apps for Good aproximam escolas e comunidades. Em Horta, onde a terra e o mar definem modos de vida, a combinação de estufas inteligentes, energia solar e partilha intergeracional pode ser um caminho promissor para fortalecer a sustentabilidade e os laços sociais.