A praia de Bagno Marino La Lanterna, popularmente conhecida por Pedocin, em Trieste, no nordeste de Itália, mantém uma divisão visível e física entre locais destinados a homens e a mulheres — um muro que prolonga desde a orla até ao mar e que voltou a despertar atenção e polémica.
Uma tradição com raízes no século XIX
Situada junto ao Mar Adriático, Pedocin conserva uma configuração invulgar na Europa: um muro com cerca de 2,7 metros de altura separa as duas zonas da praia. De um lado mantêm‑se os homens; do outro, as mulheres e as crianças até aos 12 anos. Apesar da divisão, a praia continua a ser muito procurada por residentes e turistas e exige o pagamento de uma taxa de entrada, como é comum em muitas zonas balneares italianas.
«A separação teve origem na mesma altura, quando os costumes da época valorizavam a privacidade e a modéstia durante os banhos de mar»
A explicação histórica, citada pela revista NiT e pelas publicações locais, remete para o final do século XIX, altura em que a modéstia e as convenções sociais ditavam a existência de espaços distintos para homens e mulheres. Ao longo das décadas, essa prática desapareceu em grande parte das praias europeias, mas manteve‑se em Pedocin, transformando‑se numa tradição profundamente enraizada na comunidade local.
O episódio de junho e as reacções
Mais recentemente, a continuidade desta prática tem vindo a gerar polémica a nível internacional. Em junho, um casal de turistas que visitou a praia decidiu permanecer do mesmo lado do muro — o lado reservado aos homens — e foi confrontado por banhistas locais que invocaram as regras não escritas do espaço. O incidente, noticiado pelo jornal Il Piccolo, desencadeou uma discussão acesa em Trieste sobre a validade e a natureza dessa separação nos dias de hoje.
O caso trouxe novamente à tona questões que vão além da curiosidade turística: trata‑se de uma tradição que colide com normas contemporâneas sobre igualdade de género e liberdade individual, ao mesmo tempo que é apresentada por defensores como um património cultural e social da cidade.
Quem beneficia e quem critica
Os defensores da manutenção do muro argumentam que Pedocin é um elemento identitário de Trieste, com valor histórico e turístico, que atrai visitantes precisamente pela sua singularidade. Já os críticos sustentam que a separação é discriminatória e anacrónica, sobretudo num contexto europeu em que a igualdade de género é um princípio amplamente aceite.
- Local: Bagno Marino La Lanterna (Pedocin), Trieste
- Característica: muro com cerca de 2,7 m separa homens e mulheres
- Idade permitida com mulheres: crianças até 12 anos
- Origem: tradição do final do século XIX
- Incidente recente: turista e discussão em junho, noticiado por Il Piccolo
| Item | Dados conhecidos |
|---|---|
| Nome | Bagno Marino La Lanterna (Pedocin) |
| Localização | Trieste, Mar Adriático |
| Altura do muro | ~2,7 metros |
| Idade das crianças no lado feminino | Até 12 anos |
O episódio motivou também reflexão sobre o papel do turismo na preservação de tradições culturais. A permanência de Pedocin neste modelo levanta dúvidas sobre até que ponto a curiosidade dos visitantes reforça práticas que, em contexto diverso, poderiam ser sujeitas a revisão ou abandono.
Enquanto isso, a praia mantém o seu estatuto contraditório: é simultaneamente atração turística e motivo de debate sobre direitos e costumes. A discussão em Trieste ecoa além das fronteiras italianas e ilustra como espaços aparentemente pitorescos podem revelar tensões sociais mais profundas — entre memória, identidade local e princípios contemporâneos de igualdade.
Antes de partilhar a próxima imagem curiosa de viagem, vale sempre a pena confirmar o enquadramento histórico e as reacções locais; nesta história, a vigilância dos costumes acabou por contrariar as expectativas de um casal, e a polémica reacendeu o debate sobre o que se preserva em nome da tradição.