Portugal surge no décimo lugar entre os mercados globais que mais cresceram em capacidade de centros de dados desde 2024, com uma expansão de 23% na capacidade instalada ("live IT power"), segundo a análise da plataforma de consultoria imobiliária e de investimentos Savills divulgada esta semana.
Dados e posicionamento
O relatório coloca os Estados Unidos na liderança absoluta do mercado, com cerca de 50 gigawatts (GW) de capacidade instalada e um crescimento de 19% desde 2024. A Savills destaca ainda a relevância de mercados como China, Japão, Reino Unido, Alemanha, Irlanda e Países Baixos, considerados polos maduros, com grande escala mas crescimento mais moderado.
| Posição | Mercado | Crescimento desde 2024 |
|---|---|---|
| 1 | Estados Unidos | ~19% (≈50 GW capacidade) |
| 3 | Finlândia | 57% |
| 4 | Arábia Saudita | 57% |
| 6 | Dinamarca | 38% |
| 9 | França | 28% |
| 10 | Portugal | 23% |
Por que importa para Portugal
O avanço português insere-se num contexto de expansão global impulsionada pela crescente procura por capacidade computacional, parcialmente relacionada com a adopção de aplicações de inteligência artificial. Para Portugal, o crescimento traduz-se em atração de investimento, criação de emprego técnico e reforço da infraestrutura digital, mas também levanta questões sobre planeamento territorial, disponibilidade de energia e sustentabilidade ambiental.
A análise da Savills sublinha que, apesar das elevadas taxas de crescimento em mercados como a Finlândia ou a Arábia Saudita, a capacidade instalada nesses países continua reduzida em termos absolutos face aos grandes polos mundiais. Em Portugal, isto significa que a percentagem de crescimento — embora relevante — parte de uma base mais modesta comparada com os líderes mundiais.
Limites ao crescimento
O relatório identifica constrangimentos que podem condicionar a construção de novos centros de dados, mesmo em mercados em forte expansão:
- Capacidade de rede elétrica — acesso à energia e estabilidade da rede são fatores cada vez mais limitativos;
- Custos e disponibilidade de terrenos — a pressão sobre custos de construção e terrenos adequados aumenta a complexidade dos projectos;
- Conectividade e base de clientes — mercados maduros mantêm vantagem devido à infraestrutura e à proximidade de grandes utilizadores.
“...estes ecossistemas consolidados, ‘graças à conectividade e à base de clientes que reúnem, deverão manter-se como mercados incontornáveis’”,
palavra que consta do estudo e que ajuda a explicar por que, apesar de o ritmo de expansão em Portugal ser notável, os polos tradicionais continuam a atrair a maior parte dos projectos de grande escala.
Consequências e próximos passos
Para que o crescimento de centros de dados seja sustentável e estrategicamente vantajoso, Portugal terá de enfrentar desafios concretos: planeamento urbano que integre instalações de grande porte; políticas energéticas que garantam fornecimento e incentivem a utilização de fontes renováveis; e capacitação da mão-de-obra técnica para responder à procura por operações e manutenção.
O equilíbrio entre atrair investimento e assegurar que a expansão não sobrecarregue infraestruturas essenciais será determinante. À medida que a procura por capacidade de processamento continua a crescer — impulsionada por serviços cloud, big data e aplicações de IA —, a posição de Portugal como mercado em expansão pode traduzir-se numa oportunidade de reforçar a sua estratégia digital, desde que acompanhe a resposta regulatória e de infraestruturas necessária.
O relatório da Savills fornece, assim, um retrato simultaneamente promissor e exigente: o país sobe no ranking global em termos relativos, mas enfrenta as mesmas limitações que têm tornado mais difíceis os novos desenvolvimentos em outras partes do mundo.