Três vereadores de Sobral, no estado do Ceará, foram presos numa operação desta terça-feira que investiga a alegada influência do grupo criminoso Comando Vermelho (CV) nas eleições municipais de 2024 e no pleito deste ano. As detenções e as buscas fazem parte de uma ação solicitada pelo Ministério Público Eleitoral e executada por autoridades locais.
Detenções, buscas e afastamentos
Segundo as informações veiculadas pelo portal g1 e pelas autoridades que coordenam a investigação, foram cumpridos no total 14 mandados de prisão e 25 mandados de busca e apreensão. Além dos três vereadores detidos — identificados como Carlos do Calisto (PSB), Junim do Povo (Podemos) e Mario Vicktor (União) — as ordens visaram também um assessor jurídico da Câmara Municipal e vários suspeitos com alegada ligação à facção.
Foram apreendidos, durante a operação, aparelhos telefónicos, dinheiro em espécie e documentação considerada relevante para as apurações. Diversos agentes públicos, incluindo uma policial militar, foram afastados das funções por 180 dias, medida determinada no âmbito das investigações.
Acusações e modus operandi apontado
As autoridades apuram que a facção cobrava uma espécie de «pedágio» de cerca de R$ 60 mil a candidatos para que estes pudessem aceder a determinados bairros da cidade durante as campanhas eleitorais. Além desta cobrança financeira, o grupo é suspeito de tentar influenciar o voto mediante coação e ameaça a eleitores.
A pedido do Ministério Público Eleitoral, a Câmara Municipal de Sobral terá de fornecer a lista completa dos ocupantes de cargos comissionados, de confiança e temporários contratados pelos vereadores, com indicação das atribuições, da carga horária e se foi feita análise de antecedentes criminais antes ou depois das respectivas nomeações.
- Mandados cumpridos: 14 prisões e 25 buscas;
- Valor alegadamente cobrado pela facção a candidatos: R$ 60 mil;
- Afastamentos: agentes públicos, incluindo uma PM, por 180 dias;
- Itens apreendidos: aparelhos telefónicos, dinheiro e documentos.
Antecedentes patrimoniais dos vereadores mencionados
Dados sobre a evolução patrimonial dos eleitos foram divulgados na cobertura da investigação. Conforme as informações disponíveis:
| Vereador | Bens declarados (anterior) | Bens declarados (atual) |
|---|---|---|
| Carlos do Calisto (PSB) | R$ 1.625.187,28 | R$ 6.169.328,80 |
| Junim do Povo (Podemos) | — | Sem declaração ao TSE |
| Mario Vicktor (União) | R$ 6.000,00 | R$ 259.000,00 |
Os números divulgados indicam uma variação patrimonial significativa em alguns casos, informação que típicamente integra o escopo de apurações quando há suspeita de ilícitos relacionados a agentes públicos.
Implicações eleitorais e institucionais
A investigação tem potencial impacto nas dinâmicas locais e levanta questões sobre a segurança do processo eleitoral nas áreas em que, alegadamente, facções criminosas procuram exercer influência. A requisição, pelo Ministério Público Eleitoral, da lista de comissionados e a análise dos critérios de contratação visam esclarecer eventuais vínculos e responsabilidades na administração municipal.
As diligências em curso e as medidas cautelares — prisões, buscas e afastamentos temporários — sinalizam a prioridade dada pelas autoridades à preservação da legalidade do processo eleitoral e ao esclarecimento de interferências externas que possam comprometer o direito ao voto livre e seguro.
As autoridades responsáveis pela operação e o Ministério Público ainda não divulgaram a totalidade dos elementos de prova recolhidos e o processo investigativo prossegue. A legislação eleitoral e penal será o referencial para eventuais denúncias e subsequentes ações judiciais.