A mais recente sondagem do grupo BTG/Nexus, analisada em exclusivo pela imprensa, revela que entre os inquiridos que declaram não ter religião 50% afirmam sentir‑se saturados pela polarização política. Os dados apontam para contrastes significativos entre filiações religiosas na forma como os eleitores percebem a divisão ideológica no país.
Dados por filiação religiosa
A partir dos resultados divulgados pela Nexus, podem destacar‑se os seguintes padrões:
- Entre os que não têm religião, 50% dizem estar incomodados com a polarização, 11% declaram sentir‑se confortáveis e 18% afirmam não perceber polarização.
- Os evangélicos são os que, em maior proporção, consideram que a polarização não influenciará a escolha do próximo Presidente: 26% apontam essa posição, enquanto 36% dizem estar cansados da divisão e 15% sentem‑se confortáveis com ela.
- Os católicos apresentam valores próximos: 33% declaram saturação face à polarização e 18% afirmam sentir‑se confortáveis; 25% consideram que a divisão ideológica não interferirá nas escolhas eleitorais.
Os números relativos a outras religiões — categorias distintas de católicos e evangélicos — mostram uma saturação de 40% com a polarização, segundo o recorte da Nexus.
| Afiliação | Saturação (%) | Confortáveis (%) | Não vêem polarização / Indiferente / Abstenções (%) |
|---|---|---|---|
| Sem religião | 50 | 11 | 39 (18 não veem + 13 indiferente + 8 não responderam) |
| Evangélicos | 36 | 15 | 50 (26 não influencia + 11 abstenções/indefinições + 13 indiferente) |
| Católicos | 33 | 18 | 49 (25 não influencia + 26 restantes) |
Interpretação dos responsáveis pela sondagem
Marcelo Tokarski, CEO da Nexus, interpreta que os eleitores que declaram não ter religião tendem a mostrar «uma postura mais descolada em relação às grandes estruturas de mobilização política e ideológica». Segundo a análise da Nexus, a ausência de identificação com blocos tradicionais de pautas de costumes ou identitárias contribui para uma maior rejeição ao tom polarizado na política.
«Por não se identificarem com blocos tradicionais de pautas de costumes ou identitárias, esses eleitores acabam reclinando com mais intensidade sobre a polarização, liderando a busca por um tom de menor confrontação.» — Marcelo Tokarski, CEO da Nexus
Consequências políticas e eleitorais
Os resultados abrem várias leituras para campanhas e estrategas políticos. Uma elevada percentagem de eleitores sem religião que se dizem saturados pela polarização pode traduzir‑se numa janela para mensagens focadas em moderação e diálogo, ou numa maior volatilidade do voto, caso propostas programáticas se sobreponham a narrativas identitárias.
Por outro lado, o facto de um segmento significativo de evangélicos considerar que a polarização não condicionará a escolha do próximo chefe de Estado sugere heterogeneidade interna nesse universo de eleitores — informação que pode moldar estratégias de mobilização específicas para diferentes subgrupos religiosos.
Os números também colocam desafios metodológicos e estratégicos: medir até que ponto a insatisfação com a polarização se converte em abstenção, voto de protesto ou simplesmente em mudança de preferência entre candidatos com discurso menos confrontacional exige cruzamentos adicionais com variáveis socioeconómicas e geográficas, que não constam do recorte divulgado.
Notas sobre a fonte
Os dados foram obtidos a partir do recorte exclusivo da pesquisa BTG/Nexus divulgado na análise jornalística. A Nexus fornece a leitura e comentários sobre as tendências observadas; as citações e percentagens referem‑se ao material publicado pelo meio que divulgou o recorte.
Em síntese, a sondagem evidencia uma divisão clara na perceção da polarização segundo a filiação religiosa, com destaque para a insatisfação de quem não tem religião — um grupo que, segundo os responsáveis pela pesquisa, procura um tom político menos conflituoso.