Lisboa prepara-se para reconstruir integralmente o Elevador da Glória, equipamento icónico cujo funcionamento será retomado em 2029, anunciou esta segunda-feira a Carris durante uma apresentação pública no auditório da Ordem dos Engenheiros. O projeto prevê um novo elevador, tecido com materiais mais resistentes, e a criação de um museu que recordará a história do ascensor que operava na Calçada da Glória desde 1885.
Um equipamento novo, memória preservada
O presidente da Carris, Rui Lopo, destacou que o futuro equipamento será «novo, mas o lugar continuará histórico», sublinhando a intenção de manter a inclinação e a configuração da calçada tal como a conhecem os lisboetas. Em consequência, a intervenção será feita de raiz, com alterações construtivas substanciais face ao modelo anterior.
«O ascensor será novo mas, o lugar continuará histórico»
O anúncio surge quase um ano depois do descarrilamento de 3 de setembro de 2025 que provocou 16 mortos e 24 feridos, acidente que destruiu completamente uma das duas composições. Na apresentação, foi reiterada a ideia de que o episódio «marca profundamente a cidade, a Carris e os seus trabalhadores», conduzindo à necessidade de repensar o equipamento de forma rigorosa.
Segurança e prazos: materiais, concurso e inauguração
As autoridades responsáveis pelo processo deixaram várias indicações sobre os próximos passos do projeto:
- O novo elevador não será construído em madeira; serão usados materiais com maior resistência a embates e a outros riscos.
- O concurso público para a construção deverá avançar «até ao final do primeiro trimestre de 2027», segundo a comissão técnica independente da Carris.
- A meta definida para inauguração é o ano de 2029, compatibilizando execução técnica, segurança e salvaguarda do carácter histórico do local.
O vice‑presidente da Câmara Municipal de Lisboa afirmou que o projeto assenta numa solução «robusta e tecnicamente avançada», orientada pelas melhores práticas internacionais, mas que procura também preservar a identidade do elevador enquanto elemento patrimonial e urbano.
Impacto e desafios
A decisão de reconstruir de raiz e de não replicar integralmente métodos construtivos antigos coloca desafios de compatibilização entre memória e exigências contemporâneas de segurança. O anúncio de um museu integrado pretende responder a essa tensão: recordar o equipamento histórico sem manter materiais e soluções que se revelem inadequados face aos riscos identificados.
Além das questões técnicas, o processo abre várias frentes de discussão e de decisão pública:
- como conciliar imagem patrimonial e normas de segurança modernas;
- quais serão as especificações técnicas e os custos associados ao novo projeto (ainda sem estimativas divulgadas);
- o calendário de obras e os impactes na circulação e nas áreas envolventes durante a execução do projeto.
| Marco | Data ou meta |
|---|---|
| Acidente que motivou a reconstrução | 3 de setembro de 2025 (16 mortos, 24 feridos) |
| Apresentação pública do projeto | 1 de setembro de 2026 |
| Previsão de lançamento do concurso | Até final do 1.º trimestre de 2027 |
| Meta de entrada em funcionamento | 2029 |
Até ao momento não foram revelados pormenores extensos sobre o custo total da obra nem sobre os contratos que poderão ser estabelecidos. A comissão técnica anunciou apenas a intenção de avançar com o procedimento concursal em 2027, informação que deverá ser complementada quando for disponibilizado o caderno de encargos e os estudos complementares de segurança.
Próximos passos e expectativas
O programa de trabalho anunciado indica uma fase de desenho e de preparação técnica seguida da abertura do concurso público, com vista a uma execução que permita inaugurar em 2029. As autoridades locais e a Carris enfrentam agora o duplo desafio de garantir a máxima segurança e de honrar o valor simbólico do elevador para a cidade.
Para os lisboetas e para quem visita a cidade, a perspetiva de um museu anexo oferece uma via para apreciar a história do ascensor sem comprometer a integridade física do novo equipamento. Resta saber, nos próximos meses, como serão definidas as especificações técnicas detalhadas, os prazos de obra e a gestão do impacto urbano durante a construção.