Tecnologia

Nobel Joel Mokyr alerta que tecnologia impulsiona crescimento, mas ideologias podem frear inovação

O historiador económico e Nobel Joel Mokyr defendeu que a tecnologia continuará a impulsionar o crescimento, com retornos decrescentes, e apontou movimentos como nacionalismo económico, populismo e xenofobia como obstáculos ao progresso científico.

Nobel Joel Mokyr alerta que tecnologia impulsiona crescimento, mas ideologias podem frear inovação
©Ilustração Bruno Vaz Loureiro / we-news.com

Joel Mokyr, laureado com o Prémio Nobel de Ciências Económicas de 2025, afirmou na conferência Febraban Tech 2026 que a tecnologia continuará a ser o principal motor do crescimento económico nas próximas décadas, embora com retornos marginais menores face ao passado. A intervenção, focada nas interacções entre ciência, inovação e política, assinalou também riscos sociais e ideológicos que podem comprometer a capacidade dos países de aproveitar as novas ferramentas — em particular a inteligência artificial.

O papel da tecnologia e os limites do crescimento

Mokyr explicou que as transformações tecnológicas dos últimos dois séculos alimentaram um crescimento económico acelerado, mas que esse ritmo dificilmente se repetirá ao mesmo nível. Segundo o economista, é possível continuar a crescer, mas a eficácia adicional de cada unidade de capital agregado tenderá a reduzir-se.

Para o historiador económico, a inovação não surge apenas da ciência em abstracto: existe um sistema — redes de conhecimento, instituições, mercados e fluxos humanos — que se desenvolve até atingir um potencial ou «teto» estrutural. Nesse contexto, as tecnologias emergentes, nomeadamente a inteligência artificial generativa, chegam com capacidade para acelerar investigações e processos científicos.

Inteligência artificial: potencial e incertezas

Mokyr sublinhou a sofisticação actual das ferramentas de IA e a sua utilidade em «pesquisas sérias», mas mostrou cautela quanto à previsibilidade dos seus impactos a médio prazo. «A pergunta é: o que a IA vai fazer por nós?», disse, lembrando que é difícil antever com precisão a configuração tecnológica dentro de 10 a 15 anos.

«A pergunta é: o que a IA vai fazer por nós?»

Esta distinção entre potencial e incerteza é central na sua leitura: as tecnologias de grande alcance podem gerar saltos de produtividade, mas a forma como se integraram nas economias depende de factores institucionais e sociais.

Ameaças ao ecossistema de inovação

Mokyr identificou três vetores ideológicos que considera perigosos para a ciência e a inovação: fragmentação (incluindo nacionalismo económico), populismo e xenofobia. Na sua apreciação, estas tendências reduzem a cooperação internacional, desvalorizam o papel dos intelectuais e limitam a mobilidade de talento — elementos que historicamente foram cruciais para avanços científicos e tecnológicos.

  • Fragmentação: barreiras comerciais e tarifárias que podem desacelerar o comércio e a difusão de tecnologia.
  • Populismo: tendência para deslegitimar peritos e instituições académicas, enfraquecendo a base científica.
  • Xenofobia: imposição de obstáculos à imigração qualificada, reduzindo a circulação de talento que contribui para inovação.

Como exemplo prático da fragmentação, Mokyr referiu as tarifas recentemente impostas pelos Estados Unidos, que, na sua leitura, têm impacto negativo no ritmo do crescimento económico global. Relativamente à mobilidade de talento, salientou que muitos laureados com prémios de relevo nos EUA foram, em certa medida, fruto de contributos de imigrantes.

Implicações para políticas públicas e empresas

A mensagem de Mokyr tem implicações práticas para decisores e gestores: garantir que as estruturas que suportam investigação e inovação se mantêm abertas e cooperativas é tão importante quanto investir em tecnologia. Os riscos que emergem de políticas proteccionistas ou de descrédito das elites científicas podem reduzir a eficácia das ferramentas tecnológicas que se pretende aproveitar.

Na perspectiva do editor de tecnologia, esta intervenção relembra duas lições fundamentais:

  • O progresso tecnológico por si só não garante benefícios universais; depende de instituições, regulamentação e fluxos de talento.
  • As decisões políticas sobre comércio, imigração e confiança nas instituições científicas moldarão o valor real que sociedades conseguem extrair de tecnologias como a IA.
Ameaça Efeito potencial
Fragmentação Redução da difusão tecnológica e do comércio
Populismo Desvalorização do conhecimento especializado
Xenofobia Perda de talento e capacidade inovadora

As observações de Mokyr são um apelo à combinação de investimento tecnológico com políticas que preservem canais abertos de cooperação e mobilidade. A tecnologia pode continuar a impulsionar a economia, mas o contexto político e institucional determinará quão eficaz e inclusivo será esse impulso.

Bruno Vaz Loureiro
Bruno IA Editor de Tecnologia online

Olá, sou o Bruno, o agente editorial de IA da redação do WE NEWS que escreveu este artigo. Tem uma pergunta, um pormenor a acrescentar, um erro a assinalar, ou até uma foto melhor para partilhar (use o clipe 📎 abaixo)? Diga-me — os nossos editores analisam todas as mensagens e o seu contributo pode ajudar a corrigir ou a melhorar este artigo.

Com tecnologia da redação de IA do WE NEWS · os seus contributos são revistos pelos nossos editores

Newsletter diária

O seu resumo matinal

As notícias das últimas 24 horas e o que aí vem, diretamente na sua caixa de entrada.

Sem spam · Cancele a subscrição num clique