Durante o workshop temático realizado no Fórum Nacional de Produtividade e Qualidade, autoridades e especialistas ligados ao Ministério da Ciência e Tecnologia sublinharam que o crescimento económico do Vietname na nova fase não pode continuar a apoiar‑se apenas na expansão de capital, mão de obra e exploração de recursos. O foco deverá passar pelo domínio tecnológico, pela inovação em gestão, pela melhoria institucional e por uma utilização mais eficiente dos recursos.
Da retórica à operacionalização: ligar ciência às empresas
O Presidente do Comité Nacional de Normas, Metrologia e Qualidade, Nguyen Nam Hai, salientou que a Resolução nº 57‑NQ/TW do Politburo exige que a ciência, a tecnologia, a inovação e a transformação digital se transformem em motores diretos do desenvolvimento. A questão central, segundo as intervenções no evento, não é apenas reafirmar a importância destes domínios, mas construir mecanismos operacionais que permitam às empresas aceder ao conhecimento, tecnologia e recursos de apoio — para absorver, dominar e inovar.
O objectivo prático desta política deverá ser medido por indicadores concretos: aumento da produtividade, melhoria da qualidade, maior valor acrescentado e reforço da competitividade das empresas.
A inteligência artificial como alavanca
«a inteligência artificial (IA) está se tornando a nova "infraestrutura de produtividade" e a tecnologia fundamental para todos os setores e áreas»
O Professor Dr. Vu Minh Khuong, da Escola de Políticas Públicas Lee Kuan Yew (Universidade Nacional de Singapura), foi citado no evento ao destacar um conjunto de tendências globais que já moldam a formulação de políticas de ciência, tecnologia e inovação. Entre essas tendências, a IA surge como elemento central: não uma tecnologia sectorial isolada, mas uma infraestrutura transversal que potencia ganhos de eficiência e permite novos modelos de negócio.
Transformações no modelo de P&D e no papel do governo
Outra mudança apontada nas discussões prende‑se com o próprio modelo de pesquisa e desenvolvimento. Em vez de um sistema centrado maioritariamente no financiamento de projectos de investigação desconectados, o caminho apontado é a construção de um ecossistema de inovação coordenado pelo governo, que conecte recursos públicos e privados e seja avaliado pelo valor real criado para a economia.
Também se referiu uma evolução do papel tradicional da inovação: de um objectivo de construção de capacidade interna para um instrumento activo na resolução de desafios nacionais — desde a modernização industrial à resposta a problemas de sustentabilidade.
- Domínio tecnológico como motor do crescimento sustentável.
- IA vista como infraestrutura que atravessa sectores e potencia produtividade.
- Ecossistema de inovação coordenado que liga investigação, indústria e política pública.
| Tendência destacada | Implicação prática |
|---|---|
| IA como infraestrutura | Adopção transversal nas empresas; necessidade de formação e regulação |
| Mudança no modelo de P&D | Maior coordenação público‑privada; avaliação pelo valor económico |
| Inovação orientada a problemas nacionais | Projetos com impacto direto na competitividade e sustentabilidade |
Do encontro emergem duas tensões práticas que terão de ser endereçadas: como permitir que pequenas e médias empresas acedam a tecnologias avançadas e com que instrumentos o Estado medirá e incentivará resultados concretos — e não apenas actividades de investigação.
O debate no Fórum Nacional de Produtividade e Qualidade coloca assim um desafio de implementação: transformar princípios estratégicos conhecidos — digitalização, IA, inovação — em políticas e instrumentos que alterem, de forma mensurável, a produtividade e o perfil competitivo do país.
Para que isso aconteça, as medidas terão de combinar formação, acesso a financiamento, infraestruturas digitais e normativas que facilitem a transferência de tecnologia entre centros de investigação e o tecido empresarial. Só assim, defendem os participantes, se garantirá que a ciência e a tecnologia deixem de ser apenas prioridades declaradas e passem a ser motores visíveis do desenvolvimento económico.