A Comissão Episcopal da Pastoral Social manifestou esta sexta-feira «profundo pesar» pela morte de Eugénio Fonseca, sublinhando o seu «legado de inconformidade com a miséria e a pobreza» e o contributo duradouro para a ação social da Igreja e para a sociedade portuguesa.
Um percurso de liderança no serviço social
Na nota divulgada pelo organismo, assinada pelo presidente da comissão, o bispo Roberto Rosmaninho Mariz, Eugénio Fonseca é descrito como «uma personalidade incontornável da nossa Igreja em Portugal no serviço caritativo e social» e como «uma referência no seio da sociedade portuguesa».
O comunicado recorda o papel de Fonseca à frente da Cáritas Portuguesa durante mais de duas décadas, bem como a sua liderança da Cáritas de Setúbal. Refere ainda que, até ao momento da sua morte, presidia à Confederação Portuguesa do Voluntariado.
| Função | Organização | Observação |
|---|---|---|
| Presidente | Cáritas Portuguesa | Exercida por mais de duas décadas |
| Presidente | Cáritas de Setúbal | Referenciada no percurso |
| Presidente | Confederação Portuguesa do Voluntariado | Cargo que exercia até ao falecimento |
Testemunho e inspiração para a ação
Para a Comissão Episcopal, o testemunho de Eugénio Fonseca «não morre nem desaparece»: antes constitui um «forte impulso» para que a Igreja continue próxima das fragilidades que afetam as pessoas e se mantenha como agente na construção de uma sociedade mais fraterna.
Na nota, o organismo recupera três afirmações do antigo dirigente da Cáritas que considera particularmente interpeladoras e que encapsulam o pensamento que moldou a sua intervenção pública:
- «Combate deve ser à pobreza, não aos pobres»;
- «Temos pobreza envergonhada porque estigmatizámos os pobres, em vez de estigmatizarmos a pobreza»;
- «O sistema económico e financeiro que nos orienta só valoriza o que dá lucro, põe em primeiro lugar o que tem preço».
«Combate deve ser à pobreza, não aos pobres»
Estas frases foram evocadas pela Comissão Episcopal como chamadas à ação e à reflexão para instituições e cidadãos, apontando para a necessidade de políticas e práticas que não marginalizem nem culpabilizem as pessoas em situação de vulnerabilidade.
Consequências para o setor social e voluntariado
O reconhecimento público feito pela Comissão Episcopal aponta para três efeitos imediatos na esfera da ação social em Portugal: o reforço da memória institucional de Fonseca como referência moral e estratégica; um incentivo para a continuação das iniciativas de apoio aos mais carenciados; e um repto implícito às organizações, públicas e privadas, para manterem a prioridade na dignidade e proteção daqueles que mais sofrem.
A morte de uma figura que liderou movimentos de voluntariado e serviços de apoio social por décadas coloca também um desafio prático às organizações que dirigia: garantir continuidade nas respostas e preservar os princípios que marcaram a sua ação.
Por fim, a nota da Comissão Episcopal sublinha a «imensa gratidão» pela «palavra, ação e testemunho» de Eugénio Fonseca, sugerindo que o melhor tributo ao seu trabalho será a persistência das políticas e práticas que procuram combater a pobreza e promover a dignidade humana.