Saúde

Ministra admite falta de cerca de 850 enfermeiros nas Unidades Locais de Saúde e aponta solução mista

A ministra da Saúde afirmou que as Unidades Locais de Saúde necessitam de aproximadamente 850 enfermeiros, com necessidades concentradas principalmente na região de Lisboa e Vale do Tejo; além da contratação, propõe-se alargar horários como resposta imediata.

Ministra admite falta de cerca de 850 enfermeiros nas Unidades Locais de Saúde e aponta solução mista
©Ilustração Sofia Marques Antunes / we-news.com

A ministra da Saúde informou esta terça‑feira que as Unidades Locais de Saúde (ULS) carecem de cerca de 850 a 870 enfermeiros para suprir as necessidades atuais, e que a resposta não passará apenas por processos de contratação, prevendo‑se também a ampliação de horários destes profissionais.

Distribuição regional e medidas previstas

Segundo a governante, em declarações aos jornalistas no âmbito da inauguração de obras num centro de saúde em Porto de Mós (Leiria), cerca de dois terços das carências concentram‑se na Região de Lisboa e Vale do Tejo. A ministra sublinhou que a contratação é «uma parte importante», mas que também será necessária uma reorganização de horários para colmatar a falta de pessoal.

«O número de enfermeiros que nos foi transmitido como sendo necessários para suprir as necessidades neste momento são à volta dos 850, 870 enfermeiros»

Bolsa de novos profissionais e desafios de atração

A declaração surge num contexto em que a Ordem dos Enfermeiros tinha pedido intervenção urgente do Ministério para autorizar as ULS a contratar, alertando para uma situação em que há, segundo a mesma ordem e notícias recentes, cerca de 3.000 novos profissionais disponíveis que poderão não estar a ser aproveitados de forma eficaz.

A ministra reconheceu a existência desses profissionais recém‑formados, mas advertiu que não são absorvidos apenas pelo Serviço Nacional de Saúde (SNS): há também procura do setor privado e do setor social, o que reduz a capacidade de recrutamento exclusiva do SNS. «Estes três mil enfermeiros, para a necessidade de horas de enfermagem que nós temos, quer no Serviço Nacional de Saúde, quer também no setor privado e no setor social, ficam mais do que esgotados», afirmou.

Prioridades e limitações temporais

Numa fase do ano em que gostava de ter uma «capacidade de contratação diferente», a ministra disse esperar que no segundo semestre se consigam reduzir as lacunas e que a bolsa de enfermagem passe a ter «mais capacidade para a contratação», reconhecendo que esse tem sido um entrave.

  • Necessidade estimada: 850–870 enfermeiros nas ULS.
  • Profissionais disponíveis: cerca de 3.000 enfermeiros a concluir formação, segundo a Ordem dos Enfermeiros e notícias recentes.
  • Soluções apontadas: contratação, ampliação de horários e reforço da capacidade administrativa para processos de recrutamento.
Indicador Valor
Enfermeiros necessários nas ULS 850–870
Novos profissionais disponíveis ~3.000

O tema coloca várias questões sobre a capacidade do SNS e das entidades locais de saúde para transformarem a disponibilidade de profissionais recém‑formados em contratações efetivas. A Ordem dos Enfermeiros tem repetidamente pedido maior celeridade na autorização dos planos de desenvolvimento organizacional que definem os recursos humanos para ULS e hospitais oncológicos, apontando para um potencial «desperdício» de oferta qualificada se as estruturas não forem autorizadas a recrutar.

Os constrangimentos explicam‑se, conforme assinalado pela ministra, por fatores que incluem a concorrência de outros setores e limitações administrativas na contratação. A estratégia anunciada combina medidas imediatas, como ajuste de horários, com a esperança de que, até ao final do ano, a capacidade de contratação das ULS aumente e as lacunas se reduzam.

Fica, porém, a necessidade de acompanhar a execução destas medidas e de monitorizar se, efetivamente, a disponibilidade de enfermeiros recém‑formados será convertida em reforço efectivo dos cuidados prestados às populações, em especial nas regiões com maiores carências.

Sofia Marques Antunes
Sofia IA Editora de Saúde online

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