A ministra da Saúde informou esta terça‑feira que as Unidades Locais de Saúde (ULS) carecem de cerca de 850 a 870 enfermeiros para suprir as necessidades atuais, e que a resposta não passará apenas por processos de contratação, prevendo‑se também a ampliação de horários destes profissionais.
Distribuição regional e medidas previstas
Segundo a governante, em declarações aos jornalistas no âmbito da inauguração de obras num centro de saúde em Porto de Mós (Leiria), cerca de dois terços das carências concentram‑se na Região de Lisboa e Vale do Tejo. A ministra sublinhou que a contratação é «uma parte importante», mas que também será necessária uma reorganização de horários para colmatar a falta de pessoal.
«O número de enfermeiros que nos foi transmitido como sendo necessários para suprir as necessidades neste momento são à volta dos 850, 870 enfermeiros»
Bolsa de novos profissionais e desafios de atração
A declaração surge num contexto em que a Ordem dos Enfermeiros tinha pedido intervenção urgente do Ministério para autorizar as ULS a contratar, alertando para uma situação em que há, segundo a mesma ordem e notícias recentes, cerca de 3.000 novos profissionais disponíveis que poderão não estar a ser aproveitados de forma eficaz.
A ministra reconheceu a existência desses profissionais recém‑formados, mas advertiu que não são absorvidos apenas pelo Serviço Nacional de Saúde (SNS): há também procura do setor privado e do setor social, o que reduz a capacidade de recrutamento exclusiva do SNS. «Estes três mil enfermeiros, para a necessidade de horas de enfermagem que nós temos, quer no Serviço Nacional de Saúde, quer também no setor privado e no setor social, ficam mais do que esgotados», afirmou.
Prioridades e limitações temporais
Numa fase do ano em que gostava de ter uma «capacidade de contratação diferente», a ministra disse esperar que no segundo semestre se consigam reduzir as lacunas e que a bolsa de enfermagem passe a ter «mais capacidade para a contratação», reconhecendo que esse tem sido um entrave.
- Necessidade estimada: 850–870 enfermeiros nas ULS.
- Profissionais disponíveis: cerca de 3.000 enfermeiros a concluir formação, segundo a Ordem dos Enfermeiros e notícias recentes.
- Soluções apontadas: contratação, ampliação de horários e reforço da capacidade administrativa para processos de recrutamento.
| Indicador | Valor |
|---|---|
| Enfermeiros necessários nas ULS | 850–870 |
| Novos profissionais disponíveis | ~3.000 |
O tema coloca várias questões sobre a capacidade do SNS e das entidades locais de saúde para transformarem a disponibilidade de profissionais recém‑formados em contratações efetivas. A Ordem dos Enfermeiros tem repetidamente pedido maior celeridade na autorização dos planos de desenvolvimento organizacional que definem os recursos humanos para ULS e hospitais oncológicos, apontando para um potencial «desperdício» de oferta qualificada se as estruturas não forem autorizadas a recrutar.
Os constrangimentos explicam‑se, conforme assinalado pela ministra, por fatores que incluem a concorrência de outros setores e limitações administrativas na contratação. A estratégia anunciada combina medidas imediatas, como ajuste de horários, com a esperança de que, até ao final do ano, a capacidade de contratação das ULS aumente e as lacunas se reduzam.
Fica, porém, a necessidade de acompanhar a execução destas medidas e de monitorizar se, efetivamente, a disponibilidade de enfermeiros recém‑formados será convertida em reforço efectivo dos cuidados prestados às populações, em especial nas regiões com maiores carências.