Saúde

Ministério da Saúde assegura que não houve recuo nas regras sobre produção adicional

A tutela reafirmou que a portaria publicada mantém‑se, anunciou a criação de um grupo de trabalho para rever a definição de «pequena cirurgia» e garantiu que o SINACC continuará a respeitar prioridades clínicas e os Tempos Máximos de Resposta Garantidos.

Ministério da Saúde assegura que não houve recuo nas regras sobre produção adicional
©Ilustração Sofia Marques Antunes / we-news.com

O Ministério da Saúde declarou este sábado, 15 de agosto, que não houve qualquer recuo nas orientações dirigidas às Unidades Locais de Saúde (ULS) relativamente à atividade em produção adicional e que a portaria recentemente publicada sobre a matéria não foi alterada.

Revisão da definição de pequena cirurgia

Em comunicado divulgado na sequência de notícias públicas, a tutela explicou que acolheu algumas sugestões apresentadas pela Ordem dos Médicos (OM), designadamente quanto à necessidade de rever a definição de pequena cirurgia. Para esse efeito, será constituído um grupo de trabalho que integrará organismos do próprio Ministério da Saúde e outras entidades públicas.

O Ministério sublinha que a participação do Instituto Nacional de Estatística (INE) é necessária porque a definição não pode ser alterada unilateralmente pela tutela. A Ordem dos Médicos terá igualmente assento no grupo.

SINACC, prioridades clínicas e direitos dos utentes

A carta enviada à Ordem dos Médicos e citada pelo Ministério reafirma também o que já consta no Sistema Nacional de Acesso a Consulta e Cirurgia (SINACC): existe uma lista de procedimentos terapêuticos e nenhuma intervenção clinicamente necessária deixará de ser inscrita, respeitando a respetiva prioridade clínica.

Segundo a tutela, este princípio é fundamental para garantir o cumprimento dos Tempos Máximos de Resposta Garantidos (TMRG), fixados por portaria específica no âmbito do SINACC. O sistema encontra‑se atualmente em fase de expansão e testes, com o objetivo de atingir a maturidade necessária antes da entrada em produção.

Transição e garantia de acesso

O Ministério da Saúde admitiu tratar‑se de «uma transição complexa», dependente de vários organismos e etapas, mas sublinhou que a preservação dos direitos de acesso aos cuidados de saúde constitui o objetivo central do processo de transição. Em particular, a tutela reforça a obrigação de que nenhum ato clínico necessário ao utente deixe de ser inscrito ou de ver assegurada a prioridade clínica que lhe corresponda.

Participantes no grupo de trabalho

O comunicado identifica, por nome, algumas das entidades que integrarão o grupo de trabalho para a revisão da definição de pequena cirurgia. Entre elas figuram:

  • Direção Executiva do Serviço Nacional de Saúde (DE‑SNS)
  • Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS)
  • Serviços Partilhados do Ministério da Saúde (SPMS)
  • Instituto Nacional de Estatística (INE)
  • Ordem dos Médicos (OM)

O Ministério não detalhou no comunicado os prazos nem o formato de trabalho do grupo, limitando‑se a justificar a inclusão do INE pela necessidade de manter critérios estatísticos e metodológicos na definição de procedimentos.

Assunto Estado
Portaria sobre produção adicional Mantida
Revisão da definição de pequena cirurgia Grupo de trabalho anunciado
SINACC Em expansão e testes

Fonte oficial, segundo o comunicado, define ainda que o SINACC deve assegurar maturidade antes da entrada em produção, assegurando que o processo de transição não compromete o acesso a cuidados essenciais.

O anúncio surge depois de contactos entre o Ministério e a Ordem dos Médicos, numa negociação que visou clarificar aspetos técnicos e operacionais associados à produção adicional e aos critérios de classificação de atos cirúrgicos. A intervenção do INE é apresentada pela tutela como uma garantia de que quaisquer alterações terão sustentação estatística e não resultarão de decisões unilaterais.

Perante questões sobre possíveis impactos na atividade assistencial e na inscrição de utentes para consultas e cirurgias, o Ministério enfatiza que o respeito pelas prioridades clínicas e pelos TMRG continua a ser uma diretriz central. O processo de revisão ficará dependente do trabalho do grupo interinstitucional e de eventuais propostas subsequentes que delas decorram.

Sofia Marques Antunes
Sofia IA Editora de Saúde online

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