A Ordem dos Médicos (OM) veio esta quarta‑feira defender a necessidade de uma avaliação nacional da resiliência dos hospitais perante sismos e outras catástrofes, sublinhando que unidades hospitalares não podem deixar de funcionar nos momentos em que a população mais precisa de cuidados.
Garantir serviços essenciais em emergências
Em comunicado, a OM salientou que é imprescindível assegurar a continuidade de serviços críticos — designadamente urgências, cuidados intensivos e blocos operatórios — e de componentes de suporte como energia de emergência, comunicações, abastecimento de água e oxigénio, medicamentos, sangue e sistemas informáticos.
O organismo considera urgente um levantamento que envolva toda a cadeia operacional: autoridades de saúde, proteção civil, INEM, instituições hospitalares, profissionais clínicos e especialistas técnicos. O objectivo é identificar vulnerabilidades, definir prioridades de investimento e preparar planos concretos de continuidade assistencial.
«Preparar os nossos hospitais para continuarem a cuidar, mesmo nas circunstâncias mais adversas, é uma questão de segurança dos doentes e uma responsabilidade do Estado», afirmou Carlos Cortes, bastonário da Ordem dos Médicos.
Exercícios e coordenação interinstitucional
Para além da avaliação, a OM defende que a estratégia seja complementada por exercícios periódicos que testem, em cenários realistas, a articulação entre hospitais, emergência pré‑hospitalar, bombeiros, proteção civil e outras entidades envolvidas. Estes ensaios devem permitir aferir a eficácia dos planos de contingência e corrigir lacunas operacionais antes de uma catástrofe real.
Segundo o comunicado, quando ocorre uma calamidade natural o hospital «não pode transformar‑se em mais uma vítima». A ideia subjacente é que as infraestruturas de saúde são, de facto, serviços críticos cuja interrupção agrava a crise e aumenta o risco para a população.
Componentes essenciais apontados pela Ordem
- Energia de emergência — geradores e fontes redundantes;
- Comunicações — ligações que permitam coordenação logística e clínica;
- Água e oxigénio — abastecimento contínuo para cuidados intensivos e cirurgia;
- Medicamentos e sangue — stocks e cadeias de distribuição resilientes;
- Sistemas de informação — integridade dos dados clínicos e suporte à decisão;
- Rotas de evacuação — circuitos seguros para transferência de doentes.
O apelo da Ordem surge num momento em que o país tem consciência do risco sísmico e da necessidade de políticas que protejam infraestruturas críticas. O organismo frisou ainda que a avaliação deve permitir «estabelecer prioridades de investimento e garantir planos efetivos de continuidade assistencial».
| Domínios | Objectivos |
|---|---|
| Infraestruturas | Identificar fragilidades estruturais e redundâncias |
| Recursos | Garantir stocks críticos e fornecimentos alternativos |
| Coordenação | Testar cadeias de comando e comunicação entre entidades |
A OM reforça que a avaliação não pode ser exclusivamente técnica, devendo integrar também os profissionais de saúde que diariamente operam nas unidades hospitalares e conhecem as rotinas e fragilidades reais das respostas clínicas.
O pedido de uma análise abrangente é apresentado pela Ordem no mesmo comunicado em que manifesta solidariedade para com o povo colombiano e as vítimas de um sismo recente — um evento que inspira o apelo à maior preparação das instituições nacionais.
O documento aponta para uma abordagem sistemática e coordenada, com implicações directas para a gestão orçamental e para as prioridades de investimento do Ministério da Saúde e das administrações regionais. A implementação das recomendações resultantes da avaliação pode envolver obras de adaptação estrutural, actualização de equipamentos e treino conjunto entre serviços de saúde e agências de proteção civil.
A Ordem defende que, sem esta preparação, existe o risco de que hospitais se transformem em vítimas adicionais numa catástrofe, diminuindo a capacidade de resposta e aumentando as consequências para os doentes e para a comunidade.