Entrou em serviço em Lisboa uma frota de 10 navios eléctricos explorada pela TTSL — Transtejo Soflusa, numa operação que as autoridades e a administração da empresa classificaram como inédita ao nível mundial. A apresentação oficial decorreu no Cais do Sodré, com a presença do ministro das Infraestruturas e da Habitação, Miguel Pinto Luz, que destacou o projeto como parte de uma estratégia mais ampla de mobilidade limpa.
Objectivos e discurso político
O ministro realçou que a renovação da frota e a aposta na electrificação são passos para «fazer do Tejo uma autoestrada amiga do ambiente» e disse esperar que a Transtejo continue a ter um papel central na mobilidade fluvial da área metropolitana. Pinto Luz afirmou ainda que tem trabalhado com a ministra do Ambiente e da Energia, Maria da Graça Carvalho, numa relação de coordenação entre financiamento e investimento para a electrificação e a transição energética.
«O que nos une é o longo prazo, é fazer do Tejo um espaço de comunhão», declarou o ministro.
Dimensão da operação e contexto técnico
Segundo a administração da TTSL, presidida por Rui Rei, a circulação dos 10 navios eléctricos constitui uma frota sem paralelo a nível mundial. A Transtejo mantém actualmente, para além destes 10 navios eléctricos, outras embarcações com motores a combustão — igualmente 10, segundo a administração — pelo que a operação eléctrica passa a conviver com a frota tradicional.
Embora o décimo navio eléctrico tivesse sido entregue à TTSL em outubro do ano passado, foi referido que só a partir deste arranque é que os 10 barcos estão a funcionar «plenamente», marcando o início efectivo da operação completa.
Rotas e impacto na mobilidade
No evento foi anunciada a abertura de uma nova rota fluvial que ligará Trafaria a Pedrouços/Algés, integrando-se na rede de travessias e deslocações no estuário do Tejo. O ministro convidou os cidadãos a optar pela travessia como alternativa ao transporte individual e apontou a Transtejo como uma solução fiável e confortável, igualmente apresentada como alternativa à Fertagus em determinados percursos.
- Frota eléctrica apresentada: 10 navios
- Frota a combustão existente: 10 navios
- Nova rota anunciada: Trafaria — Pedrouços/Algés
Planeamento futuro
Foi ainda referido que a TTSL deverá apresentar, em 2027, uma proposta de renovação total da sua frota, sinalizando um processo de transição gradual e planeada. A coordenação entre ministérios e a administração da empresa foi sublinhada como factor crítico para garantir financiamento e sustentação das intervenções no médio prazo.
Do ponto de vista político, o lançamento desta operação assume também um carácter simbólico: pretende demonstrar progressos na electrificação dos transportes e reforçar uma visão metropolitana de mobilidade, envolvendo elementos de sustentabilidade ambiental, planeamento e investimento público.
O arranque desta operação coloca Lisboa num contexto de experimentação e expansão de transportes eléctricos fluviais, com implicações para a forma como se organizam as deslocações na área metropolitana e para as políticas públicas de transição energética aplicadas à mobilidade.