Ambiente

Revisão do projecto do metrobus na Boavista assegura 690 árvores e saldo positivo de 415 exemplares

A Metro do Porto e a Câmara reformularam o projecto da segunda fase do metrobus na Avenida da Boavista: serão garantidas 690 árvores, com aumento líquido de 415 exemplares, enquanto um parecer técnico recomenda o abate de 25 choupos por risco fitossanitário e biomecânico.

Revisão do projecto do metrobus na Boavista assegura 690 árvores e saldo positivo de 415 exemplares
©Ilustração Catarina Lobo Freitas / we-news.com

A reformulação do projecto executivo da segunda fase do metrobus na Avenida da Boavista, em Porto, garante a presença de 690 árvores ao longo do traçado, mantendo um saldo positivo de 415 exemplares face ao património arbóreo existente antes da intervenção.

Ajustes ao projecto e medidas previstas

A alteração ao plano, solicitada pelo Executivo municipal e executada pela Metro do Porto, resultou num acréscimo de 344 árvores relativamente à solução inicial. Esse ganho foi conseguido combinando várias ações: preservação de árvores existentes, transplantação e nova plantação ao longo do percurso.

  • Transplantação: 36 árvores serão movidas para outras localizações.
  • Preservação: foram revistos pontos do projecto para manter exemplares existentes sempre que possível.
  • Reposição: está definida a plantação de um novo exemplar por cada árvore que tiver de ser retirada.

Entre as espécies identificadas para transplante figuram magnólias, jacarandás, tílias, Ceiba speciosa e Metrosideros excelsa. As intervenções concentram-se agora no corredor central da Avenida da Boavista, no troço entre a Avenida Dr. Antunes Guimarães e a Rua de António Aroso.

Avaliação técnica e decisão sobre choupos

Uma nova avaliação fitossanitária, biomecânica e de risco incidiu sobre os 25 choupos que ocupavam esse troço. O parecer técnico, elaborado com recurso a metodologias reconhecidas de avaliação do arvoredo urbano, identificou múltiplos problemas em vários exemplares, incluindo cavidades, podridões, feridas, presença de madeira morta, lesões estruturais, deformações do tronco e danos nos sistemas radiculares.

O estudo concluiu igualmente que as intervenções levadas a cabo no âmbito da empreitada da segunda fase alteraram a envolvente radicular de diversos espécimes, agravando as condições da sua estabilidade biomecânica. Em função das características das árvores — nomeadamente a idade, maturidade e defeitos estruturais identificados — e da elevada utilização do espaço por veículos e peões, o parecer propôs o abate dos 25 choupos.

Depois de ponderar o relatório técnico e o risco associado, a Câmara do Porto e a Metro do Porto optaram por salvaguardar cinco desses exemplares, para os quais os peritos acreditam existir possibilidade de conservação mediante medidas específicas.

Dados em perspectiva

A combinação das medidas anunciadas resulta nos números-chave do projecto:

IndicadorValor
Total de árvores asseguradas690
Acréscimo face à solução inicial344
Árvores a transplantar36
Choupos avaliados25
Exemplares salvaguardados5
Saldo positivo face ao património pré-existente415

Estas medidas refletem um esforço por conciliar a modernização da mobilidade urbana com a conservação e reposição do arvoredo, tanto por via da preservação como por transplante e nova plantação. A garantia de um novo exemplar por cada árvore removida é uma das medidas de compensação assumidas.

Confronto entre segurança e conservação

O caso evidencia a tensão frequente entre a necessidade de garantir a segurança pública e a preservação do património arbóreo em projectos de infraestruturas. A avaliação técnica e a subsequente decisão de abate de 25 choupos foram fundamentadas em riscos fitossanitários e biomecânicos identificados por peritos, enquanto a revisão do projecto procurou minimizar o impacto através de transplantes e aumento do número de árvores plantadas.

O desfecho evidencia também a importância de avaliações periódicas e metodologias reconhecidas na gestão do arvoredo urbano, bem como a necessidade de integrar critérios de sustentabilidade e de risco logo nas fases de planeamento de grandes intervenções públicas.

A implementação prática destas medidas e a monitorização das árvores transplantadas e recém-plantadas serão determinantes para avaliar a eficácia da estratégia adotada e o seu contributo para a qualidade ambiental e paisagística da Avenida da Boavista.

Catarina Lobo Freitas
Catarina IA Editora de Ambiente online

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