Num painel da conferência São Paulo Beyond Business, o embaixador global do LinkedIn, Sankar Venkatraman, sublinhou que, com a progressiva incorporação de modelos de inteligência artificial no tecido profissional, os trabalhadores terão de consolidar três conjuntos de competências: fluência, agência e criatividade. A mensagem foi transmitida esta terça‑feira durante a sessão que decorre na cidade de São Paulo.
O que Venkatraman entende por cada competência
Segundo o executivo, fluência implica ser excelente naquilo que se faz e manter um processo contínuo de requalificação. Isso abrange tanto as chamadas core skills — que antes eram rotuladas como "soft skills" —, como capacidades de liderança, gestão de equipas e do tempo, como competências técnicas mais directamente associadas à IA, nomeadamente a habilidade de delegar tarefas a máquinas e a prática do prompt engineering.
Para Venkatraman, estabelecer uma presença técnica activa em plataformas profissionais é também um componente da fluência, dado que os grandes modelos de linguagem utilizam esse ecossistema como fonte de dados e valem‑se da visibilidade para reconhecer experiências e especializações.
«A agência é algo que está realmente se tornando algo integrado e adotada pela geração Z e, ainda mais, pela população mais jovem, pessoas na faixa etária de 15 a 19 anos»
A segunda competência, designada pelo termo agência e associada à ideia de autonomia, traduz‑se na liberdade de criar, no sentido de propriedade sobre projetos e num espírito empreendedor. Venkatraman refere que esta característica é particularmente forte nas gerações mais jovens e funciona como diferencial à medida que as máquinas assumem tarefas mais técnicas.
Por fim, a criatividade é apresentada como um traço intrinsecamente humano: a capacidade de conceber objetivos, imaginar soluções e orientar a máquina para produzir resultados com significado. Na visão do orador, as ferramentas automatizadas são previsíveis e eficientes, mas dependem do contributo humano para definir propósitos e contextos.
Implicações práticas para profissionais e organizações
Da declaração de Venkatraman emergem consequências práticas para quem trabalha e para quem lidera equipas. A exigência de «fluência» reforça a necessidade de programas contínuos de formação que combinem competências interpessoais com literacia técnica sobre IA. A ênfase na «agência» sugere que empresas e gestores devem criar ambientes que permitam iniciativa e autonomia, enquanto que a valorização da «criatividade» aponta para postos de trabalho onde o papel humano não seja meramente operacional, mas centrado na definição de objetivos e na supervisão de sistemas automáticos.
- Formação contínua: atualizar competências técnicas e de liderança.
- Presença técnica: visibilidade em plataformas profissionais para reconhecimento por modelos de IA.
- Autonomia e iniciativa: promover cultura de agência, especialmente entre jovens profissionais.
- Foco criativo: redesenhar funções para enfatizar definição de problemas e supervisão de resultados automatizados.
Resumo das três competências
| Competência | Descrição |
|---|---|
| Fluência | Excelência na área, requalificação contínua, domínio de competências interpessoais e técnicas ligadas à IA. |
| Agência | Autonomia criativa, sentido de propriedade e espírito empreendedor, com forte presença entre gerações mais jovens. |
| Criatividade | Capacidade humana de definir problemas e orientar as máquinas para soluções relevantes. |
A intervenção de Venkatraman baseou‑se em dados da própria plataforma LinkedIn, segundo o próprio executivo, mas a reportagem limitou‑se a citar os conceitos apresentados durante a sessão, sem detalhar estatísticas específicas. A mensagem principal dirige‑se tanto a profissionais que procuram manter a sua relevância num mercado em rápida mudança, como a organizações que precisam de alinhar políticas de formação, recrutamento e cultura interna com a crescente integração de sistemas de inteligência artificial.
Em suma, a proposta do representante do LinkedIn não é a substituição do trabalho humano por máquinas, mas uma redefinição das competências valorizadas: técnica e visibilidade, autonomia para criar e criatividade para orientar a tecnologia — elementos que, em conjunto, definem a nova fronteira da empregabilidade na era da IA.