O Vaticano anunciou esta terça-feira que o Papa Leão XIV escolheu como tema do LX Dia Mundial da Paz, a celebrar em 1 de janeiro de 2027, «Desarmar a tecnologia, servir a paz. A política como responsabilidade preventiva», uma chamada que sublinha a dimensão ética e política do desenvolvimento tecnológico e da inteligência artificial em contextos militares e sociais.
Apelo à responsabilidade política
Em comunicado difundido pela Sala de Imprensa da Santa Sé e pelo Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral, o pontífice pretende «evidenciar a responsabilidade moral de quem é chamado a agir no campo político» e dirige um «sentido apelo à comunidade internacional» para a promoção de acordos capazes de «salvaguardar a responsabilidade humana e os princípios humanitários», segundo o texto oficial.
«não existe algoritmo que possa tornar a guerra moralmente aceitável»
O comunicado recorda ainda passagens da encíclica do Papa, intitulada Magnifica Humanitas, que aborda «A salvaguarda da pessoa humana na era da Inteligência Artificial» e alertou para riscos decorrentes da delegação de decisões militares a sistemas automatizados.
Contexto da encíclica e preocupações levantadas
A encíclica, apresentada por Leão XIV em 25 de maio no Vaticano, convoca a sociedade a um «desarmamento» da Inteligência Artificial perante cenários de automação militar e manipulação de dados. No documento, o Papa alerta para o potencial agravamento das desigualdades globais geradas pelo que descreve como «colonialismo» digital — uma referência aos modos pelos quais recursos tecnológicos e dados podem intensificar assimetrias entre países e populações.
O Dicastério refere ainda a necessidade de promover «princípios humanitários» e salvaguardar «a dignidade da pessoa humana», apontando para uma componente preventiva da ação política na regulação e no acompanhamento do desenvolvimento tecnológico.
Elementos práticos e simbólicos
O tema agora divulgado antecede a celebração da 60.ª edição do Dia Mundial da Paz, que ocorre habitualmente a 1 de janeiro. O anúncio assume, para a Santa Sé, uma dupla função: por um lado, chamar a atenção para riscos concretos associados ao uso bélico e manipulação de ferramentas digitais; por outro, incentivar acordos e políticas públicas que assegurem controle humano e responsabilidade ética nesses domínios.
- Data da celebração: 1 de janeiro de 2027 (LX Dia Mundial da Paz, 60.ª edição).
- Tema escolhido: «Desarmar a tecnologia, servir a paz. A política como responsabilidade preventiva».
- Documento de referência: Encíclica Magnifica Humanitas, apresentada a 25 de maio no Vaticano.
| Item | Informação |
|---|---|
| Edição | LX (60.ª edição) |
| Data | 1 de janeiro de 2027 |
| Tema | Desarmar a tecnologia, servir a paz. A política como responsabilidade preventiva |
Implicações para o debate público
Do ponto de vista político e diplomático, o apelo do Papa insere‑se num conjunto de vozes que exigem maior escrutínio sobre o papel da inteligência artificial em decisões com impacto humano e humanitário. Embora o comunicado não detalhe propostas legislativas concretas, a ênfase na «responsabilidade preventiva» sugere uma chamada à ação de governos, organismos internacionais e sociedade civil para antecipar riscos e estabelecer salvaguardas.
Para atores políticos nacionais e europeus, a mensagem pode traduzir‑se num reforço da agenda regulatória sobre IA e armamento autónomo, bem como num argumento moral para iniciativas de cooperação internacional que limitem a utilização militar de tecnologias que diminuam o controlo humano sobre decisões críticas.
O Vaticano, através do Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral e da Sala de Imprensa da Santa Sé, divulga com regularidade orientações e reflexões de caráter ético sobre temas tecnológicos, procurando influenciar o debate público e a ação institucional em nível global.