Mariana Leitão, presidente da Iniciativa Liberal (IL), criticou esta terça-feira a descrição que o Governo tem feito da situação do país, afirmando que a retórica oficial de um «país das maravilhas» não corresponde à realidade vivida pelos cidadãos e apelando a uma política que “pense além do próximo mandato”.
Crítica ao diagnóstico governamental
Durante o discurso de encerramento das jornadas parlamentares do partido no Porto, Leitão contestou a leitura otimista que, segundo disse, o Executivo tem vindo a divulgar há mais de um ano. Para a líder liberal, esse quadro mediático pode ser útil em conferências, mas não resolve problemas concretos como o aumento do custo de vida ou as dificuldades de acesso à habitação.
«Há mais de um ano que se diz que o país vive numa espécie de país das maravilhas... mas isso não paga a renda nem mete comida na mesa»
Leitão sublinhou que, apesar das mensagens sobre crescimento económico e contenção das contas públicas, existem sinais contraditórios quando se observa a vida quotidiana dos portugueses. A dirigente apontou, entre outros pontos, a subida do preço do cabaz essencial e da habitação, as dificuldades nas urgências hospitalares, a descida na atração de investimento estrangeiro e o término dos fundos do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) como elementos que põem em causa a narrativa governamental.
Apelo a uma estratégia de longo prazo
A presidente da IL advertiu ainda para um problema estrutural que considera superior a qualquer mandato: a incapacidade de antecipação das autoridades. «Corremos sistematicamente atrás do prejuízo», afirmou Leitão, que questionou a existência de uma estratégia nacional para as próximas décadas e a preparação para desafios futuros.
No discurso, a dirigente defendeu que o partido deve canalizar energias para o exterior, abandonando disputas internas, e posicionar-se como alternativa ao que qualificou de «regime instalado» e à «máquina que eterniza a estagnação».
Principais áreas apontadas pela IL
- Competitividade — referência à posição do país em rankings internacionais como sinal de alerta.
- Custos essenciais — subida do preço do cabaz essencial e da habitação.
- Sistema de saúde — pressão sobre urgências hospitalares.
- Investimento estrangeiro — alegada diminuição na captação de investimento.
- PRR — fim dos fundos relacionados com o Plano de Recuperação e Resiliência.
| Domínio | Observação feita pela IL |
|---|---|
| Economia | Mistura de indicadores positivos oficiais e perceções negativas na vida das famílias |
| Habitação | Preços em subida e acesso mais difícil |
| Saúde | Problemas nas urgências hospitalares |
| Investimento | Queda na captação de investimento estrangeiro |
As críticas de Mariana Leitão traduzem uma tentativa de a IL consolidar uma agenda política que privilegie reformas estruturais e planeamento de longo prazo, contrapondo-se àquilo que classifica como ciclos de governação reativos.
O discurso decorreu no âmbito das jornadas parlamentares do partido no Porto e surge numa fase em que a classe política debate tanto os resultados macroeconómicos apontados pelo Governo quanto os efeitos concretos na vida das famílias. A líder liberal exigiu, por isso, não apenas palavras de conforto sobre números agregados, mas medidas concretas e estratégias duradouras.
Fontes: discurso de Mariana Leitão nas jornadas parlamentares da Iniciativa Liberal; cobertura noticiosa nacional.